Com o CCD devidamente instalado sobre os dois parafusos, usei um alvo de foco e enquadramento para acerta sua posição dentro da câmara.

A idéia aqui é apontar a câmara usando o visor diretamente para o centro do papel, onde existe um certo padrão de linhas, registrar imagens e ir mudando a posição do CCD até ela coincidir com o que é visualizado. Para o teste usei uma 50mm F/1.8, diafragma todo aberto, focada a 70cm, assim a profundidade de foco é tão curta que qualquer erro fica muito óbvio. O resultado bom é algo como o que aparece abaixo, a imagem que também aparece na tela do micro acima.

Após o teste, a araldite substituiu a cola-quente para garantir que o CCD não vai sair do lugar.
Duas pequenas reformas estão em andamento. A primeira é da Busch Pressman, uma 4×5″. A traseira da câmara tinha um problema de plano focal, o foco estava fora por mais ou menos 0,5mm e isso estava causando alguns problemas sérios nas imagens.
A outra reforma é de uma Nikon N50 que o Hugo me deu. A câmara parece que foi ao mar e acabou indo parar nas mãos dele. As placas se perderam, ela nem ligava. Mas o espelho se movia normalmente com a ajuda do dedo. O anel frontal ainda aceitava as lentes da Nikon, surgiu uma idéia de usar o corpo para receber um implante de um CCD Linear removido de um HP2200c sucateado. A idéia é colocar o CCD no exato plano focal, coincidindo com o despolido da câmara, assim será possível fazer foco o compor as imagens com a ajuda do sistema reflex.

Nessa altura já abri espaço para o novo CCD retirando tudo que não seria necessário na câmara, com a ajuda de um alicate e de um serrote. Instalei esses dois parafusos que vão servir para posicionar o CCD, as porcas, em par, serão capazes de oferecer os ajustes necessários para que depois o foco seja feito pelo visor.
Na parte superior da câmara, abri um enorme buraco por onde passa um dedo, foi a maneira que encontrei de acionar a abertura do espelho, que se fecha com a ajuda de uma mola.
Uma idéia antiga era escanear a Lua com o movimento de rotação da Terra, agora podendo utilizar uma teleobjetiva, focar e apontar corretamente o CCD Linear, isso talvez seja possível.
Hoje li um post que me deixou cheio de esperança.
“A trip to the Yodobashi Camera film store
Isso me faz pensar em várias coisas, mas a primeira é que ainda não acabou! E isso é ótimo, temos muito tempo ainda. Na dúvida, vou colocar o link do Google Maps que aparece ali nos meus favoritos aguardando o dia de pegar um avião para lá.
Domingo, fim de dia, chuva chegando…

Finalmente consegui uma bateria para meu laptop. Voltei a escanear a cidade. Domingo foi só um começo, descobrir novos movimentos, novas direções.
Encontrei fotos dos testes com a DCS420 recuperada numa feirinha de antiguidades. Na época consegui uma N90 emprestada para fazer uns testes. O DCS420 é um back digital para a N90, faz fotos coloridas e tem resolução de 1,5MP. Na época que ele foi feito ainda eram comuns os backs digitais p&b, por isso a explicação.
Essa ai é da modificação que foi necessária para usar uma bateria externa na câmara, já que a original que habitava o interior do grip havia vazado.
Já dá para ver um putz ponto magenta no meio do imagem, uma mancha no sensor.
Uma foto da parede branca, fora de foco, revela a situação desse sensor surrado. Totalmente desigual e manchado.
Mas em certas imagens, simplesmente funciona. A mancha ainda está lá, mas não aparece tanto assim. Aqui uma foto com a 200mm da Vivitar.
Uma última foto com a 35mm/1.4 da Nikon, que nessa câmara com fator de crop 2.5x, vira algo próximo de 90mm. Complicado fotografar com uma câmara onde a 20mm vira uma 50mm.
Primeiro havia recebido do André, agora de Mariana, é o link que coloquei ao lado sob o nome: Richard Nicholson Darkrooms. O fotógrafo realizou um ensaio fotografando o interior de laboratório fotográficos de impressão na cidade de Londres. Vale a pena ler o texto, nostálgico, uma ode ao ampliador fotográfico, que o autor considera uma das obras-primas da indústria moderna.
O fato é que o ensaio, o texto, as fotos, os ambientes retratados me fizeram partir para uma série de idéias, nostálgicas ou não, que se combinaram com a dificuldade que passo agora para adquirir tiossulfato de amônia, matéria-prima do fixador fotográfico rápido (segundo Anchell, o único seguro para filmes contemporâneos, blá, blá, blá).
O texto de Benjamin, “A Obra de Arte na Era da sua Reprodutibilidade Técnica”, iniciado em 1936, publicado em 1955, fala dos efeitos da fotografia, das gravações sonoras e do cinema na arte. Enfim, o texto fala de mudanças fortes, duras, permanentes. A Era Digital por sua vez trouxe inúmeras mudanças para nossa noção de arte, um texto como o de Benjamin provavelmente será escrito daqui uns anos, quando tudo parecer mais claro.
Richard Nicholson fotografou uma cena desse drama de mudanças. Se falássemos da Megera Domada e a fotografia fosse Kate, quem seria Petrúquio?
Os quartos-escuros das fotos, sua decoração e seu conteúdo falam de um ritual que ocorre dentro deles: homens e mulheres imaginam (visualizam segundo Adams) os efeitos de papéis e químicos, deixam que suas mãos dancem do caminho da luz, sentem o cheiro do ácido acético, ouvem música, procuram ver na luz rala. Não há como comparar o resultado de uma sessão de laboratório com uma sessão de inkjet. Uma pena que a Era Digital vai impor o inkjet até para muitos trabalhos que ficariam melhor numa cópia feita pela mão do artista com sais de prata.
É certo que vão surgir outros rituais (esses incluindo a inkjet ou o que vier) e esses serão os nossos rituais daqui para a frente. Uma pena que não serão no escuro.
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