Arquivo para a Tag ‘refotografia’

Oficinas no Sesc Pompéia se aproximam, o link leva para os detalhes no site do Pompéia e para as inscrições que estão abertas:

problemasscan

Imagens Irrecuperáveis

Essa oficina visa explorar os limites físicos das fotografias digitais. Vamos descobrir como a recuperação de dados perdidos pode alterar a formação das imagens digitais e depois vamos tentar recuperar impressoras inkjet defeituosas para gerar imagens de arquivos mal recuperados.
Duração: 3 encontros. A partir de 16 anos. 15 vagas. Orientação: Lu Arembepe e Guilherme Maranhão.
15/09, 16/09, 17/09. Terça, quarta e quinta, das 19h às 21h30.

scanner03

Fotografia com Sucata de Scanner

A proposta dessa oficina é construir e fotografar a partir de uma máquina fotográfica feita com um scanner de mesa. Serão exploradas as técnicas envolvidas para fotografar a linha de chegada de provas de atletismo, fotos panorâmicas e fotos do perímetro de objetos circulares e como medir os padrões de movimento dos objetos fotografados.
Duração: 3 encontros. A partir de 16 anos. 15 vagas. Orientação: Guilherme Maranhão.
29/09, 30/09, 01/10. Terça, quarta e quinta, das 19h às 21h30.

scanner07

Quem vai a Paraty?

O lance do encontro é algo muito interessante. Acho que pensar na abstração desse encontro me intriga muito.

Seria legal que cada um de nós levasse de alguma maneira algo para por à mesa, uma pergunta que seja, uma indagação, uma contribuição, uma palavra nessa grande discussão que é o encontro.

Sem reclamações e brigas, o lance é fazer o caldo engrossar construtivamente (utopia?). Afinal todos vamos lá em busca de algo, não só das entrevistas, não só dos workshops, queremos experiências.

Logo, vamos compartilhar.

oficina

Tenho pensado e preparado lentamente uma oficina ao longo do último ano.

Ruídos, Interferências e o Acaso.

Gostaria de por à prova a primeira aula dessa oficina, um bate papo de umas 2 horas.

Na quinta (dia 24/09), pela manhã, das 10h às 12h30, em local ainda a definir.

Investimento: o seu tempo e a sua mente.

Que tal?

Hoje terminei uma nova engenhoca. Uma mistura de câmara 3×4 com um back 4×5″ para filme em chapa.

CRW_0192

São seis lentes que disparam de uma só vez. Mas a câmara pode ser rearmada indefinidamente, ou seja, basta tampar uma ou mais lentes na hora da foto para deixar aquela área do filme intocada, depois destampar essas e tampar outras que já foram expostas. Enfim, dá para inventar um modo Lomo Action bem lento para a câmara 3×4.

O foco é fixo e fica a mais ou menos 1 metro. O diafragma vai de f/8 a f/22, chique! Há provisão para flash (PC e Hot Shoe): uau!

CRW_0190

Teste? Ainda não, mas em breve.

A câmara veio com um back Polaroid instalado, foi só desaparafusá-lo e recortar tanto a câmara tanto o novo back com um serrote para que os dois encaixassem. Funcionou. A boa e velha cola quente deu um jeito. Por cima dela colei pedacinhos de GatorFoam preto para dar um toque gambiarra na câmara e garantir que a luz ficará fora e o escuro dentro.

Descobri que a alavanca de armar o obturador por ser usada em conjunto com o disparador para “travar” a câmara “acidentalmente” aberta, o que pode ser bem bacana para fazer o foco e planejar as imagens. Idéias!

Dentro da processadora existe uma série de roletes. Eles servem para fazer o papel passar de uma ponta da processadora até a outra, entrando e saindo dos diversos banhos químicos que ficam ali aguardando o papel.

roletes

A esquerda um rolete danificado na extremidade, onde falta o eixo em aço inox. A direita um que apesar de usado ainda está completo. O eixo de inox além de cair ainda deixou um tanto de químico entrar para dentro da estrutura do rolete, e tem um tanto de ferrugem que se criou lá dentro. Primeiro então enchi o espaço dentro do rolete com Ferrox (que reduz a ferrugem) e deixei agir. Agora ele está secando na janela, vou deixar isso rolar por uns dias antes de usar araldite para colar outro eixo de 3/16″ de polegada no lugar do antigo. Na falta de aço nessa especificação resolvi improvisar o eixo com um pedaço de broca de furadeira que perdeu o fio.

Triste ler o comentário da Juliana no post sobre a FSP.

A Colex existe desde 1971 lá nos EUA. A processadora que tenho aqui é uma Colette.

Para confundir, a Colenta também fabrica processadoras, lá na Áustria.

Até o momento o que fiz com a minha Colette foi um bom banho de mangueira e detergente nas partes laváveis. Depois penei para montar todas a partes de entrada do papel, que veio desmontada. Entender é tudo.

Um dos racks de roletes estava desmontando, demorei um pouco, mas acabei descobrindo o que ia aonde e consegui remontá-lo.

Construi um carrinho com rodas para processadora morar em cima.

Passei um tempo observando a profusão de mangueiras no interior da processadora, tentando entender o que cada uma faz. É díficil. Já providenciei o manual em PDF pela internet, mas a coisa é demorada.

A maioria dos tanques veio sem as tampas que fecham os canais de esgotamento, já descobri qual a rosca dessas tampas e vou providenciar algumas para poder fechá-los (são niples simples de meia polegada, a princípio).

Um dos roletes da máquina está com uma ponta quebrada. Isso vai ser um pouco mais complicado de consertar. Entro com mais detalhes e fotos em breve. Por enquanto fico feliz que vieram todos.

Essa foi a parte fácil. Agora começa o realmente complicado. Checar mangueiras, repor as que estiverem cortadas ou faltando (algumas foram removidas quando a máquina foi colocada de lado). Penso em limpar melhor o fundo da processadora.

Só então vou poder encher a máquina de água e ver se a parte elétrica está operacional. Não dá para ligar uma bomba d’àgua sem água no tanque. Só então os piores problemas podem aparecer. Estamos falando de um emaranhado de fios em meio a mangueiras, várias bombas hidráulicas, sensores de temperatura e movimento, ventoinhas, aquecedores de água e ar, ah! Tudo ligado em 220V.

Imagino que gastando umas 2 horas por semana até o fim do ano eu revelo alguma coisa nessa máquina.

A presença da Colex no meio do estúdio e o cheiro dentro dela me fizeram pensar em alguns eventos e personagens do passado.

Entre 1997 e 2000 eu passei um bom tempo na sala da Fotografia da Folha de S. Paulo. Eu fazia uns frilas e volta e meia me via ali esperando os filmes revelarem, esperando cópias, esse tipo de coisa. O lugar era sempre agitado. Ali conheci dois personagens em especial, o Vailton e a Luciana.

A Luciana operava um pequeno minilab (só impressora) que transformava os negativos 35mm usados pelo pessoal em cópias 15×21cm bem rudimentares. O porta-negativo havia sido recortado com uma lima para mostrar todo o conteúdo do negativo na cópia. Luciana se esmerava controlando densidade, amarelo, magenta e cian das cópias. A lente do minilab não cooperava e as fotos sempre tinham um foco que deixava a desejar, eu me sentia o único a perceber aquilo, então nunca falava nada.

Luciana era conhecida por ali pelo seu linguajar único e peculiar, que enquanto parecia uma barreira para se chegar a ela, logo se mostrava uma maneira diferente de conhecer o mundo. Ela sentada ali na máquina, voltada para a janela do lab que dava para a sala, observava a ida e a vinda de fotógrafos e mais fotógrafos, todos com suas bolsas e egos “com ou sem catupiry”.

Vailton rodava todo o setor, supervisionava tudo. Trazia consigo a experiência de quem já havia visto a passagem do p&b para o cor e por ai vai. Com ele se conseguia filme, ou seja, você trazia 6 filmes usados na pauta e entregava para ele, ele já te dava 6 virgens para a próxima. Sem filme exposto, sem filme virgem.

O lab da Folha tinha uma parte de clara que fazia a forma de um “U”, na sala de entrada Luciana e sua impressora, a saída da processadora de papel em folha, os escaninhos, no meio o estúdio e escondido nos fundos o lab de filmes.

No interior do “U” ficava um lab escuro com dois Leitz Focomat 35mm. De lá saiam pela processadora as cópias mais refinadas que a Folha Press, por exemplo, usava para vender imagens e também todos os contatos em papel 24×30cm que os jornais todos usavam para editar e arquivar suas fotos. Eu ficava de papo com a Luciana olhando o que saia pela processadora e caia na cesta. Seu som era interessante e de vez em quando não saia nada e logo alguém percebia que um papel tinha ficado preso lá no meio. Um contato importante era aguardado com ansiedade. Eram muitos contatos e no fim do dia as caixas de 24×30 vazias se empilhavam. Eu levava as caixas vazias embora e as usava para guardar os meus printfiles com meus filmes p&b revelados em casa.

Um dia, ali mesmo, ao lado do minilab, perguntei ao Vailton o que eram uma série de envelopes amarelos antigos sob a bancada que dava para os scanners do fundo da sala. Eram papéis fibra p&b do passado da Folha, papéis para ampliações 30×40cm que eram feitas ali no lab, envelhecendo ali no chão. Ganhei esses papéis de presente e com eles fiz a exposição de Osasco no CCSP (1998).

CCSPosasco02

Certa vez pedi uma pesquisa no arquivo atrás de todas as pautas que eu tinha feito por lá. Juntei uns filmes escolhidos e parti para aquele mesmo lab cor com uma caixa de papel que comprei no centro, passei uma manhã de domingo tranquilo no lab da Folha ampliando meu próprio portfolio. Vailton me mostrou o básico do lab cor e eu me virei pela primeira vez com o cheiro da processadora e o calor da chapa metálica onde se apoia o papel na hora de colocá-lo lá. As cópias saiam secas e os olhos deles dois serviam de balizas para encontrar o tom correto e as dicas de quantos pontos de magenta deveriam entrar e quantos cian deveriam sair.

carreteiro

zoo

ginasta

Lab cor é uma experiência muito prazeirosa com uma boa processadora fazendo todo o trabalho difícil. Essa vez na Folha foi a primeira, depois tive essa oportunidade uma vez no Canadá, num desses labs que se aluga por hora e depois no Senac algumas vezes nos idos de 2004 e 2005. A Colex de Uberlândia promete momentos de nostalgia num futuro próximo.

Próxima Página »