Microdol e Thinner

Um artigo perdido da época do FotoPro:

O Microdol (antecessor do Microdol-X), revelador grão-fino da Kodak, nunca passou de um revelador metol-sulfito ao qual foi adicionado sal de cozinha, ou cloreto de sódio. Concentrado esse revelador exigia um acréscimo de um ponto na exposição do filme, mas se você diluísse o revelador sendo 1 parte para 3 de água, e compensasse com aumento do tempo de revelação, não havia perda de sensibilidade do filme, diferente da maioria dos outros reveladores preto-e-branco para grão fino. Tudo isso por causa do sal de cozinha! Você pode tentar adicionar uma colher de chá de sal a um litro de D-23 (7.5 g de metol ou quase duas colheres de chá, 100 g de sulfito ou 5 colheres de sopa). Essa fórmula caseira deve funcionar melhor com os filmes mais antigos no mercado, como Tri-X, Plus-X e FP4. O que pode acontecer é o surgimento do véu dicróico. Se supõe que o Microdol-X encontrado hoje em dia na lojas tenha essa mesma fórmula básica com a adição de um agente para inibir o véu dicróico que aparece quando o revelador é usado com filmes mais modernos.

Da cozinha para a área de serviço: o Diabo Verde era “o desentupidor”, ficou famoso nos anos 80, nos anos 90 foi copiado por um montão de gente, faliu e fechou. Soda cáustica era o principal componente desse produto que misturado com água dissolvia quase tudo que encontrasse pela frente, às vezes até os canos, mas na fotografia a soda pode ser usada para acelerar os banhos de revelação, deixar o filme bem granulado, ou uma cópia fotográfica com pretos bem profundos, tudo isso em questão de segundos… E para conseguir soda cáustica basta ir ao supermercado, procurar na seção de limpeza pelos desentupidores líquidos ou em pó e descobrir nos rótulos quais deles têm soda em sua composição. Tome bastante cuidado com esse tipo de produto: leia todo o rótulo do fabricante, as informações encontradas ali são muito importantes! Evite qualquer contato com a pele, luvas são essenciais, e não utilize recipiente de plástico para dissolver a soda, a reação é exotérmica e o recipiente pode derreter. Dissolva o pó em água e use como solução. Uma colher de sopa em um litro de água, adicione de 10 a 20 gotas dessa solução ao seu revelador e vá testando!

Se você vai entrar de cabeça no lance da Soda Cáustica é bem provável que você precise de Brometo de Potássio para controlar o nível de véu que vai aparecer no seu filme ou papel. Senão fizer isso você além de pretos profundos vai ter uns brancos meio acizentados. Brometo de Potássio é essencial para limpar os brancos da imagem fotográfica. Na falta de Brometo de Potássio vale a pena uma visita a uma loja de material para piscinas e banheira de hidromassagem. Alguns kits para higienização da água tem como uma das partes uma solução de Brometo de Sódio. Não é Brometo de Potássio, mas funciona igualzinho (tanto para confecção de reveladores quanto para o banho rebaixador), deve ser mais barato, e você só vai precisar de 85% do peso em Brometo de Sódio para conseguir o mesmo efeito do sal de Potássio.

Mas foi procurando a informação de como substituir este último sal pelo outro é que eu acabei foleando um livro chamado “Photography in focus”. Um livro interessante, sobre técnica fotográfica, com muita informação, um dos 6 livros que são consulta quase que diária no meu laboratório.
Mas lá pelas tantas um dos autores, não sei porque cargas d’água, começa a contar que se pode transferir uma imagem de cópia xerográfica, ou mesmo de uma impressora a laser comum, do papel onde a imagem é impressa para outro papel ou superfície com a ajuda de um tipo especial de thinner.
Simples? Demais! Fui a uma loja de material de construção aqui e comprei o que é chamado de “thinner para vernizes”, não tenho certeza de como isso é chamado ai no Brasil, mas acho que qualquer coisa que sirva de solvente para verniz Sparlack tem que servir! Cheguei em casa, cortei um pedaço de papel de aquarela, apoiei numa placa de polietileno (que não derrete com qualquer coisa), pus a cópia xerox de cara para o papel de aquarela, esfreguei um pouco do solvente com um pincel nas costas da cópia, e depois esfreguei as costas de uma colher na região da imagem para fazer pressão… Quando eu levantei a cópia xerox ela ainda estava quase tão escura quanto antes, mas no papel de aquarela estava lá a imagem meio borrada, meio confusa, típica de um processo de transfer.
A transferência é direta e portanto a imagem sai invertida, você vai ter que bolar um jeito de inverter a imagem antes de fazer a cópia xerox matriz, eu fiz isso com uma cópia inicial em acetato, que depois foi colocada invertida na máquina de copiar e fiz uma cópia da cópia em papel para matriz do transfer. Se você pretende usar uma cópia de impressora laser é mais fácil, inverta a foto antes de imprimir, com a ajuda do software de tratamento de imagem que você estiver usando. Como manter o papel imóvel durante o transfer, a quantidade de solvente ideal para não borrar tanto a imagem, mas ao mesmo tempo conseguir transferir todas a imagem e mais uns outros detalhes, é tudo que você vai ter que desobrir sozinho, tentando como eu.

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