Rebaixamento de cópias

Essa foto de Eugene Smith, inspecionando uma cópia sendo rebaixada veio do livro de Joe Demaio sobre construção de laboratórios. Não há crédito no livro, presumo que seja do próprio Joe, que visitou inúmeros laboratórios de fotógrafos pelo mundo. Me corrijam se eu estiver errado. O fato é que o Eugene Smith usava muito a técnica do rebaixamento, fazia cópias mais escuras que o normal e depois ia clareando as imagens na luz até encontrar o que procurava.

Essa última semana eu também rebaixei algumas fotos com a fórmula básica do Farmer’s. O papel era o Ektalure e o resultado não podia ser pior. Pela primeira vez as fotos ficaram todas manchadas ao entrar no banho rebaixador. O incrível é que as fotos mostravam claramente o formato da tela de nylon onde elas tinham ficado secando. Ou seja, muito provavelmente a minha lavagem não foi suficiente para retirar os restos de fixador e isso provocou uma reação mais intensa do rebaixador em alguns locais, reproduzindo a superfície quadriculada da tela.

Segue um copy-paste de um artigo velho que escrevi sobre o assunto:

“No passado, fotógrafos como Eugene Smith e William Klein não tinham o
Photoshop para os ajudar a conseguir os efeitos desejados no
laboratório. Aos poucos cada um desenvolveu uma série de recursos,
técnicas e truques, para fazer o que fizeram sem a ajuda de
computadores.

Provavelmente ninguém tinha mesmo era paciência com Eugene Smith.
Existem boatos que seus negativos eram horríveis, mal expostos,
bloqueados. Só mesmo ele entraria no laboratório para às vezes levar 5
dias para copiar um negativo. Para isso ele contava com a ajuda de uma
vitrola e uma coleção de mais de 25 mil vinis. Outros boatos dão conta
de uma televisão com filtro vermelho na frente da tela dentro do
laboratório de Smith.
O fato é que para ampliar negativos horríveis existiam algumas
técnicas preciosas e Eugene as conhecia: o rebaixamento e a difusão. O
rebaixamento (feito com ferricianeto e tissulfato) cria brilhos
inexistentes no negativo, dá vida a imagem. A difusão ele usava para
apagar o grão de imagens muito ampliadas, já que volta e meia ele
tinha que recompor a imagem no ampliador.
Klein por sua vez usou a difusão para outro fim, ele inventou um jeito
de transformar as baixas luzes das suas cópias com difusão seletiva em
papéis de grão de contraste variável. Ampliando as fotos em duas
exposições, com dois filtros de contraste diferentes e aplicando um
difusor sobre o filtro de contraste mais alto, Klein conseguia que
suas baixas luzes viessem fantasmagóricas!

É isso, existem momentos em que mesmo o Photoshop deixa a desejar. E
às vezes você tem aquele papel fotográfico no laboratório que está
meio velho, esquecido no fundo da gaveta (ou comprou um Ektalure
vencidaço, desses que apareceram no balcão da Fotoplan na época em que
andou faltando papel fotográfico em Sampa). Para dar um brilho
especial a uma fotografia, gerar efeitos diferentes, bastam umas
químicas diferentes para misturar ao seu revelador fotográfico ou até
um filtro empoeirado.

A adição de brometo de potássio ao revelador do papel por si só pode
conter o véu de base formado pelo envelhecimento do papel, se isso não
for suficiente, o branqueamento do papel após a revelação pode ser a
solução. Dai a base do papel volta a ser branca, sem presença de prata
por ali.

A utilização de reveladores potentes e muito alcalinos, típicos de
processos gráficos, pode dar resultados inesperados com papéis
fotográficos comuns, grandes diluições e tempos de revelação
diferentes, um processo conhecido por ai como Lith Printing. Vale a
pena experimentar: dilua revelador de chapa gráfica para 1:20 e
experimente revelar o papel fotográfico por 30 ou mais minutos, no
escuro total (sem luz de segurança) e sem agitação.

Usando papel de contraste variável, calcule tempos para ampliação
usando duas exposições: uma para o filtro 1 e outra para o filtro 5.
Na hora de expor com o filtro 5 insira um filtro difusor, ou mesmo um
filtro UV bem empoeirado (deixe ele do lado de fora da sua janela
durante uma semana) no feixe de luz do ampliador. As baixas luzes
ficam borradas, as altas não. É um efeito que pode fortalecer bem uma
imagem.”

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s