Foto-de-autor

Em 1994 um amigo me apresentou a uma coisa que mudou minha vida: o Projeto Foto de Autor no Museu da Imagem e do Som de São Paulo, ou MIS-SP. Hoje em dia, dando uma busca no oráculo a gente encontra um monte de currículos de fotógrafos que estão online e que contem esse nome do projeto, mas infelizmente nenhuma página que tente explicar o que foi isso.

O projeto já existia pelo menos desde 1990, eu ainda nem fotografava. Eduardo Castanho que dirigia o laboratório de fotografia do MIS, assistido por Fausto Chermont, iniciou o projeto que nada mais era do que uma série de reuniões, quinzenais, depois semanais, que conduziam um grupo de fotógrafos na produção de seus trabalhos pessoais.

A simplicidade da fórmula era muito interessante. O fato é que as reuniões frequentes impunham um ritmo no trabalho e isso ensinava disciplina a mim. O grupo era composto por figura interessantíssimas: o Manlio fotografava grupos de dança, fazia múltiplas exposições e para não ter que mostrar as fotos para as dançarinas dizia que usava um filme que transfigurava as pessoas; o Ozires começava ali a recortar a cara das pessoas; um cara fotografava os velhinhos que jogavam gateball no Ibirapuera; a Marcela fazia umas coisas muito delicadas e pequenas, retratos íntimos; o Paulo e a Dida se juntaram ali, ele trazia uma bagagem do NP, assustava os passageiros do metrô com um flash, ela povoava a própria casa com personagens; o Gustavo, que me levou lá, passeava a cidade com uma 6×6 roubando a alma dos desatentos; a Fátima ficou curiosa por um grupo de palafitas na entrada do Guarujá e lá entrou para desvendar como eles vivem ali; do Ricardo eu lembro de uma foto, fora de foco, pós-bar, noturna e do causo que ele contou junto.

E tinha dias em que o papo fluia e tinha dias que não. Como a vida. Um dia em especial foi chato demais: alguém puxou o papo conservação e preservação e aquilo foi tomando conta, ninguém chegou a mostrar trabalhos na mesa aquele dia, terrível. No entanto, de todas as conversas foi a que ficou guardada, como proteger o próprio trabalho. Num outro dia o Castanho mostrou dois trípticos dele. E explicou a construção deles, foi muito elucidativo. Num dia o Steve Hart estava no MIS para montar a própria exposição, tivemos um papo com ele sobre o Brooklyn Family Album, ali nasceu a idéia das fotos de Osasco, anos mais tarde. Um suiço veio falar do trabalho dele de fotografar manifestações, um outro veio falar de fotos de paisagem feitas com ajuda de um nível de bolha.

Com as eleições no fim de 94 todo o MIS foi demitido e foi o fim do projeto. Um encerramento nada antecipado, nada agradável. O que ficou do que aconteceu lá? Tudo. E de tudo, o resto são só desdobramentos.

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Uma ideia sobre “Foto-de-autor

  1. =) Pri!!!

    Bacana ver esse texto por aqui… fazia um tempo que não tinha tempo de ficar de bobeira, hoje com a minha curiosidade quanto ao que você diria sobre a reunião estou podando umas horas de sono em frente a tela… rs

    que exagero dizer que ele capturava almas distraídas… e vem cá? Oraculo, é um pouco demais né não! rs

    beijinhos!!!

    Resposta

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