Processos Fotográficos • percurso

Hoje é domingo e o programa foi fazer junto com o Roger Sassaki e o Lucio Libanori a minha primeira emulsão de gelatina seca para cobrir chapas de vidro. A receita seguida foi a do Mark Osterman carinhosamente batizada por ele de MO-1880, um apanhado das receitas dessa década que ele destilou num processo simples e controlado, fácil de ser seguido passo-a-passo.


Comecei na fotografia antes do Natal de 1991, ou seja, já são 24 anos de laboratório P&B, mas ainda assim hoje foi um dia emocionante. Deixa eu explicar: a emulsão em gelatina, como a maioria das emulsões combina ingredientes que não são sensíveis a luz, mas que quando reagem entre si produzem outros compostos que são. Logo se deduz a primeira coisa, fazer emulsões é algo que acontece no escuro ou com luz de segurança. A emulsão que fizemos hoje aceita ser manipulada sob a luz vermelha e graças a isso pude ver o momento em que dois líquidos cristalinos se encontram e formam uma nuvem branca no béquer. Parece besteira, mas é algo tão fundamental e que eu nunca tinha compreendido completamente, até ver acontecer. Mesmo no colódio, o mesmo processo ocorre na chapa imersa no tanque de prata, mas não é visível assim. O nascimento da fotossensibilidade.

Isso me pôs a pensar nessa idéia de percurso, da pesquisa ao longo do tempo. Logo lembrei do primeiro semestre de 2011, a Simone Wicca e eu fizemos alguns testes nessa direção, mas num plano muito mais simples, aproveitando produtos prontos que estavam disponíveis, como o Liquid Light, garrafas velhas, vidros de scanners quebrados. Na época nós líamos muitos as experiências da Denise Ross no site The Light Farm, cujo link está aqui ao lado. O approach dela é diferente do Mark Osterman, ela é menos meticulosa, mais interessada em obter uma imagem; o Mark tem uma preocupação maior com a qualidade da imagem e com a obtenção de ISO mais alto, nada insano, mas há uma diferença.

Em 2011, conseguimos imagens interessantes e demos com a cara na parede algumas vezes, perfeito. Nosso projeto não foi muito para frente, uma pena. Às vezes falta tempo, às vezes outros projetos ganham prioridade, foram alguns anos para poder chegar nessa nova etapa de pensar em emulsões fotográficas. Aonde vai dar é incerto e não é importante. Importante é continuar fuçando aqui e ali, desvendar coisas e construir um percurso de pesquisas e experimentações, retomar pesquisas antigas quando aparece uma nova chance e mais que tudo, continuar a produzir imagens.

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