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Frases

“Toda obra de arte é, de alguma maneira, feita duas vezes. Pelo criador e pelo espectador, ou melhor, pela sociedade à qual pertence o espectador.” Pierre Bourdieu

“A arte é uma mentira que nos faz compreender a verdade.” Picasso

“Um sentir é do sentente, mas outro é do sentidor.” Guimarães Rosa

“Para viajar, basta existir.” Fernando Pessoa

“Quando alguém aponta para a Lua, os estupidos olham para o dedo.” Provérbio Tibetano

Performance ou coincidência

Essa foto eu fiz num museu em Hamilton, no Canadá. Esse trabalho me deixou enlouquecido.

A técnica da aquarela tem um jeito de lidar com a noção que temos de positivo e negativo (como na fotografia), porque a a transparência da aquarela permite pintar o fundo, deixando o branco do papel transparecer.

Esse figura encontrou um jeito de mudar a madeira, trabalhando no negativo, como se faz quando se cria uma matriz de xilogravura, mas com fogo. As chapas de compensado estavam chamuscadas enegrecidas, a raspagem desse enegrecido deixava transparecer a cor da madeira. E os dois garotos apareceram na hora certa, ou talvez eles ficassem lá o tempo todo e eu não tenha me ligado que eles faziam parte da obra, afinal era coincidência demais.

Fotoformas

“A fotografia para mim é um processo de gravura. Defendi esse pensamento quando tentei introduzi-la como categoria artística, na 2ª Bienal de São Paulo. Acredito também que é no “erro”, na exploração e domínio do acaso, que reside a criação fotográfica. Me preocupei em conhecer a técnica apenas o suficiente para me expressar, sem me deixar levar por excessivos virtuosismos. Sempre trabalhei com uma câmera Rolleiflex, de 1939, que me possibilita duplas ou mais exposições do filme, o que me permite compor quando fotográfo. Acredito que a exagerada sofisticação técnica, o culto da perfeição técnica, leva a um empobrecimento dos resultados, da imaginação e da criatividade, o que é negativo para a arte fotográfica.

O lado técnico não faz senão duplicar nossas possibilidades de descoberta. Não sou pintor senão no momento de bater a fotografia, de escolher meu ângulo, meu plano. Em seguida, durante todo o tempo em que a objetiva funciona, eu faço um trabalho de composição independente do que escolhi como assunto, no qual o único guia é o ritmo, o contraponto, a harmonia plástica. A fotografia abstrata pode atingir alturas musicais.”

Esse texto de Geraldo de Barros foi publicado no livro Fotoformas, lançado junto a exposição do fotógrafo no MIS de São Paulo, em 1994. Tenho lido diversas coisas pensando na oficina que começa amanhã. Só me pergunto porque tantas negativas quanto ao conhecimento da técnica fotográfica. Qual teria sido o grande problema que Geraldo enfrentava aqui? Porque deixar tão claro que ele não conhecia tanto a fotografia? Coisa do lado pintor? Estava se sentindo engolido pela caixa preta? Claustrofobia?

Dois links. Às vezes algumas pessoas conseguem colocar em palavras muita coisa que vinha se juntando na nossa cabeça, de uma maneira impressionantemente clara, faz muito sentido. Falo das ferramentas, das Gambiarras nesse plano físico, da execução da obra de arte. Gambiarra 01 é um texto do Ricardo Rosas (texto que deu ao Ciclo Gambiarra de oficinas seu nome) e Gambiarra 02 é da Lisette Lagnado.

O Rafael me lembrou que a arte é uma atividade onde não há limites. Na verdade, é talvez também a única das atividades humanas em que isso (ausência de limites) é aceito, concordamos. E se a fotografia apresenta seus limites ao artista, suas limitações, o que fazer então?