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ULF • Primeiros scans

Os negativos menores da câmera grande, os 30x40cm, cabem lindamente no Cezanne ocupando quase toda a área possível de ser escaneada. Coloquei-os ali, rapidamente, direto sobre o vidro, sem líquido nem pressão, para scans @ 300dpi rápidos, para estudar o contraste proporcionado pela revelador Soemarko. Acabei com scans que mostram anéis de Newton, poeira e muito mais.

Um detalhe a ser observado nos negativos revelados com essa técnica (revelador muito suave para filme muito contrastado) é a qualidade das áreas sem textura (como o céu na imagem). O primeiro scan abaixo mostra um negativo com um céu bacana. Os demais todos mostram manchas de revelação em maior ou menor grau, isso é um desafio desse processo.

Em diversos negativos aparecem as bordas da área de cobertura da objetiva, isso não é um problema tão grande nesse momento, penso em restringir a área da imagem que será usada no print final. Essa imagem mostra os respiros do túnel sob o Rio Pinheiros e as árvores do Parque do Povo, dois remendos paulistanos recentes para fazer caber a cidade onde ela habita.

Abaixo um exemplo do ângulo possível com a 183mm Protar em filme 30x40cm (12×16″), é uma super grande angular interessante nesse formato. Esse muro e essa entrada de caminhões num bairro já quase totalmente verticalizado oferecem um comentário interessante ao meu ver sobre as mudanças da cidade.

Nessa imagem no Tatuapé me parece que houve uma correção excessiva da perspectiva vertical, kkkkk!!!! De certa funcionou para reforçar a forma incomum desse prédio de janelas pequenas.

Enfim, muito trabalho pela frente para corrigir alguns desvios e construir uma história sobre São Paulo.

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Filme gráfico infravermelho

Há uns anos atrás um xará meu me deu de presente uns rolos de filme para Imagesetter infravermelhos. O que é isso?

Bom, Imagesetters eram máquinas que cuspiam fotolitos prontos a partir de arquivos digitais. O conteúdo do fotolito era gravado no filme com lasers, dependendo da máquina o laser era de uma determinada cor, algumas máquinas usavam laser infravermelho.

Bom, ok. Fui pesquisar e vi que chegou a ter gente que cortou o filme e carregou em máquinas fotográficas de grande formato, mas a informação não ia muito adiante. O tempo foi passando e a cabeça matutando como experimentar esses filmes.

Existe um problema com filmes IR que é a compensação do foco, já que nossos olhos usam a luz visível para focar a lente e o IR acaba focando em outro lugar. Como as câmeras de médio e pequeno formato em geral tem uma marquinha que indica a compensação, achei por bem pensar numa maneira de experimentar nelas.

Dai esse post no Emulsive em março reavivou todas essas idéias. A principio imaginei algo bem mais simples, até para saber em que estado está o filme e como ele vai se comportar com os reveladores de que disponho.

Logo fiz um gabarito para cortar pedaços de 6x83cm em acrílico e no escuro total cortei alguns pedaços de filme nesse tamanho e carreguei em bobinas e papéis 120 recuperados.



Esperei o Sol de manhã de domingo para testar os filmes. Com a Pentax 67 sobre um prédio, expus dois rolos, cada um retirado de um rolo maior de filme, para avaliar o estado dos dois e a possibilidade de usar eles. Instalei filtro vermelho tanto na 105mm como na 55mm. Comecei ambos os rolos com 1/125 de segundo e f/8, abri um ponto a cada foto e terminei com 1 segundo em f/4, ou seja de ISO 100 a ISO 0.18 se estivesse pensando em termos de luz visível, que não é o caso. Fica apenas a indicação de um Sol das 10h da manhã num dia de inverno.

Misturei uma fórmula do Dave Soemarko para obter negativos de tom continuo a partir de filmes litográficos. Pensando que o filme deveria ter bastante contraste e que seria necessário domá-lo. Por outro lado o LC-1b reduz muito o ISO do filme e isso seria um problema caso o filme já tivesse um ISO muito baixo.

Filtro vermelho e LC-1b conjugados formam uma aposta difícil.

Revelei o filme #1 (obj. 105mm) com o LC-1b diluído 1:10 a 20C e durante 10 minutos com agitação continua (filme da esquerda na foto). A imagem de ISO 0.18 ficou visível mas ainda subexposta e/ou subrevelada, existem alguma alternativas: diluição menor (1:5 ou 1:6), experimentar sem o filtro vermelho e ver se o filme responde ao resto do espectro.

O filme #2 (obj. 55mm) foi revelado com Dektol solução de estoque por 5 minutos nos mesmo 20C. A imagem em ISO 3 ficou bem parecida com o fotograma ISO 0.18 do LC-1b, já o fotograma em ISO 0.37 ficou razoável, apesar dos poucos detalhes nas baixas luzes e do contraste exacerbado. É o fotograma que aparece escaneado abaixo, o céu azul aparece negro, as sombras dos prédios perderam todos os detalhes.

Sobraram ainda 5 rolos para testes, estou pensando em tentar melhor o LC-1b, aumentar a concentração, tentar melhorar um pouco a densidade em ISO 0.18 ou abrir mão do filtro vermelho. No balanço, apesar do corte dos filmes não ficar primoroso, eles correram bem pela câmera e carregaram bem na espiral, soltaram um pouco durante o processo, mas nada grave.

Apareceram algumas manchas na imagem, talvez o filme tenha ficado manchado pelo mofo ou pelo tempo guardado, indo mais para o meio do rolo deve ajudar.