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Avec Intensitè

Na mala:
A câmara que meu pai me deu aos 17,
A câmara que meu bisavô comprou em 1935,
Tri-x vencido.

Les Rencontres d’Arles 2010

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BSB

A ida a Brasília estava fantasiada de viagem para registrar a festa dos 50 anos da cidade. O amigo Chico Rivers é quem realmente está levando a sério a idéia de registrar esse aniversário em imagens e eu fui lá para acompanhá-lo em uma de suas viagens. Fotografei uma outra história em filme, mas levei uma digital para registrar algumas coisas, algumas dessas imagens estão aqui. Acima: a Esplanada pela manhã. Abaixo: o show da Esquadrilha da Fumaça.

Aqui a criatividade dos turistas que visitam a Torre da TV, que deixam seus chicletes secando no holofote.

As paneiras em flor que dão uma cor especial ao mês de Abril na cidade.

Lixo, por toda parte.

Chico Rivers, aproveitando uma sombra.

Na volta a Sampa, uma espera.

Sampa de carro

Shopping Aricanduva fica para trás. Sentido oposto ao da Radial Leste. Ali na frente a Av. Aricanduva acaba, tomo uma outra e logo estou no centrinho de São Mateus. Sigo pela Av. Sapopemba. Em alguns pontos a vista alcança longe, um mar de casas, quase como se não fossem pessoas que morassem ali, apenas as estatísticas da cidade. As chuvas trouxeram um tanto de coisas ruins nesse início de ano, mas a quaresma está florida. As quaresmeiras (que não têm esse nome à toa) estão roxas, de cima abaixo. As paneiras, mais comuns nessa lado da cidade, tem flores rosas com detalhes em amarelo, fechando uma bela chave de cor. Sigo agora pela Av. Luis Inácio de Anhaia Melo, no canteiro central as mesmas cores. De repente, uma bananeira! Entro pelo Ipiranga, começa a chover.

Scitex Smart 340 • scan de negativo

Abri o scanner Scitex e fiz uma boa limpeza de espelhos e de um vidro protetor do CCD. As linhas escuras sumiram.

Refiz o scan do primeiro negativo, mas dessa vez escaneei como positivo e depois no editor de imagens fiz a inversão do negativo, depois de usar bem as curvas para corrigir as cores a imagem finalmente ficou passável, sem as manchas azul-claras no céu incorrigíveis.

Ubatuba em 8×10″

Fim de ano é sempre uma oportunidade para ir para perto do mar, levar uma câmara antiga para tomar Sol e me divertir um pouco com bons amigos (entre os quais Fernando Ricci que me ajudou cedendo para esse post algumas das fotos que ele fez durante o nosso reveillon).

Dessa vez a empreitada se deu em Ubatuba. A câmara em questão uma 8×10″ Agfa Ansco de madeira (com seu tripé de 15Kg, dai a palavra empreitada sendo usada nesse texto).

Para carregar o peso para lá e para cá, usei um carrinho, desses que a gente encontra ali perto do mercadão, nas lojas que vendem equipamento para vendedores ambulantes (camelôs). As rodas do carrinho não foram feitas para andar na areia, mas mesmo assim a coisa funcionou suficientemente bem.

A chuva não faltou, isso só tornou o trabalho mais interessante. Na foto abaixo o momento da exposição, quando retiro a tampa da objetiva para deixar entrar luz para o filme, na praia de Sununga, foto do Fernando Ricci.

E em alguns momentos o carrinho em nada ajudou, dai o melhor foi dependurar a bolsa de lona nas costas e ultrapassar os obstáculos, como aqui na outra ponta da praia de Sununga, em mais uma foto do Fernando.

Andar com uma câmara 8×10″ por ai gera um tanto de curiosidade. As perguntas mais frequentes foram: de que ano é essa câmara? A resposta é 1920. A foto é para uma revista? A resposta é não. E num momento, enquanto eu levava a bolsa de lona sobre o carrinho chegaram a me perguntar quanto era o preço do kilo do camarão. É mole? Mais três fotos do Fernando dos curiosos de Ubatuba.

E aqui a preparação para a foto do pregador de roupa que você vê abaixo. Foto do Fernando Ricci também.

Bom, no total foram umas 45 chapas ao longo de 13 dias de caminhadas pela areia. Alguma coisa em TMax 100, um pouco de TMax 400 e umas 20 chapas de VPS (um negativo cor de ISO 160) vencido desde 1996. Filme colorido vencido é problemático, por isso resolvi revelar esses primeiro e ver o que dava. Veja que minha intenção era aproveitar os filmes para depois tranformar as imagens em P&B caso a cor não fica assim bacana.

O esquema de revelação colorida que eu montei foi o seguinte: um tanque de inox com o revelador C-41 dentro de um tanque de PVC maior com um banho-maria, para manter algo próximo dos 38 graus celsius necessários. Depois um banho de interruptor, um banho de branqueamento e um fixador comum. Lavagem e photoflo após tudo isso. Expus o filme em ISO 12 (doze) pensando na perda de sensibilidade que ele teria sofrido ao longo desses tantos anos e não errei tanto assim. Os tempos foram 3 minutos no revelados, 30 segundos no interruptor, 6 minutos no branqueador e mais 3 no fixador.

Em duas chapas eu provavelmente calculei a reciprocidade alta demais, ou me equivoquei nas contas a partir do fotômetro e os negativos vieram densos demais. Nas 3 fotos noturnas eu calculei a reciprocidade muito baixa e os negativos vieram muito fracos, mas nada de ir pro lixo.

Para escanear as 6 chapas escolhidas, usei o recém-chegado Scitex Smart 340. Os scans foram feitos a 720dpi, direto do vidro do scanner, sem uso de fluído. Cada arquivo tem 116Mb e dimensão de 7100×5600 pixels aproximadamente. Nos scans apareceram duas linhas escuras, ao longo das imagens, isso pode ser sujeira na janela que permite a calibragem do aparelho ou um defeito que surgiu com o passar do tempo no CCD. O tempo dirá.

As bordas dos negativos tiveram manchas, isso é comum em filme bem velho, principalmente colorido. Em algumas altas luzes, ou seja, nas partes mais escuras de alguns negativos, houve uma invasão de azul no scan apenas, veja o céu da primeira imagem, feita na Praia do Lázaro com uma lente Primoplane Cooke 155mm/ f6.5 (uma antiguidade em latão, uma super grande-angular para 8×10″).

Já nessa outra imagem com a mesma lente o problema não ocorreu. Talvez o branqueamento tenha sido malfeito em algumas imagens, deixando prata para trás, tornando o filme denso demais e isso bagunçou a interpretação do scanner. Essa imagem foi no cantinho da Praia de Domingas Dias, onde há uma fonte de água bem gelada, que foi bem útil para compensar o esforço de arrastar o carrinho pela areia.

A outra lente do meu kit é uma Kodak 500mm Copying Ektanon (que surpreendentemente funciona bem fotografando objetos distantes) . É uma meia-tele para 8×10″ e permite fazer imagens com um foco bem localizado. Veja o detalhe do abacaxi na sequência.

O detalhe do abacaxi é um recorte do scan original a 100%. Assim fica bem fácil encontrar as infinitas sujeiras que se depositam num filme 8×10.

Mesmo com o foco bem curto, usando as correções das câmara, foi possível fazer a foto abaixo com a mesma lente, a 500mm, colocando tanto a pedra em primeiro plano como as barracas ao fundo em foco. A exposição de 10 segundos garantiu que o mar virasse um véu.

Um detalhe do mar em véu e das pedra em foco no recorte a 100% do scan original. Lote 2851!

Essa imagem da pedra ficou bem densa no negativo e o scan por consequência bem azulado, usei o Channel Mixer para dar uma outra vida a ela. Aqui as linhas escuras de que falei ficam mais visíveis.

E por fim, a foto do pregador que mar trouxe, no último dia, quando finalmente presenciei um Sol de fim de tarde (não estava mais chovendo). Esse é um negativo bacana de se apreciar com uma lupa, a quantidade de detalhes da areia é sensacional. A lente usada foi uma Wollensack 209mm Copy Raptar (usada em fotolito, otimizada para 1:1, minha macro nesse kit).

Paraty Em Foco 2009

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Paraty Em Foco foi super interessante. O evento continua um sucesso. Quando chegamos quarta-feira a cidade ainda guardava um certa calma e tranquilidade. Na medida em que o sábado se aproximava, vi mais e mais pessoas com suas câmaras lotando as ruas da cidade.

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Momentos muito bons: entrevista com Francesco Zizola onde se falou de estética e conteúdo na fotografia, sobre Photoshop, Flickr e outros; papo aberto com Diógenes Moura, super informal e direto ao ponto lá no Cinema Velho, franco, aberto, inspirador; entrevista com Rosângela Rennó, instigante; pode entrar no trailer do Cidade Invertida e ver a Matriz de ponta-cabeça; fotos noturnas no caís de Paraty; reencontrar amigos e ficar de papo-fotográfico-nonstop.

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Já falei disso aqui na época do Campus Party. É a questão do que se deve levar a um encontro desses. Como o encontro era em Paraty ninguém esqueceu de levar câmara fotográfica, o encontro funcionou como uma grande saída fotográfica. Mas isso é um lance individual, ou seja, cada um aproveita isso só, não há muita discussão e conversa na hora de fotografar entre colegas. No âmbito do encontro, do festival, se presume que as pessoas estão indo lá também para conversar sobre fotografia. As entrevistas, palestras, projeções são pontos de partida para essas conversas. O outro ponto de partida são os trabalhos dos próprios fotógrafos que estão indo ao encontro. E ai, eu imagino que o mínimo que se deve levar a um encontro é uma pequena pilha de fotos impressas ou um laptop com imagens eletrônicas. Isso é o mínimo. Assim, quem quer que você encontre terá a possibilidade de ver o que você anda fazendo. O programa do festival tinha um guia de sugestões que incluia algumas sobre isso, inclusive algumas noções de etiqueta para encontros do gênero, vale a pena ler no site do Paraty Em Foco. Na verdade esse é o motivo básico com encontro, para que essas informações passem a diante, para outros saibam o que você anda fazendo fotograficamente. Foi bacana porque o pessoal da Emporium montou um bureau de impressão no meio do encontro, o que gerou uma exposição coletiva caótica dos participantes que lá levaram fotos para serem impressas. Esse foi um jeito bacana de promover esse conhecimento do que se faz ali ao seu lado. No meu caso, eu levei para Paraty um monte de idéias que eu queria discutir, perguntas, levei também um boneco de um livro que eu estou preparando que eu mostrei para quem tive a oportunidade de encontrar com calma lá. A proposta de dar uma aula experimental por lá no fim ficou abalada pela correria que é participar do festival em si.

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Já no fim da entrevista com a Rosângela Rennó alguém perguntou para ela porque ela havia matado aquelas câmaras (as do projeto Última Foto). Para quem não sabe ela emprestou a 42 fotógrafos câmaras que ela adquiriu de feirinhas de antiguidades para que eles fizessem a última foto daquela câmara e depois pintou as lentes das câmaras de preto. Muito se falou da felicidade ou da infelicidade das perguntas realizadas durante as entrevistas e palestras. Essa também causou. Mas a resposta foi muito interessante e abriu uma fala por parte da artista que me interessou bastante. Ela explicou que essas câmaras tinham deixado de ser objetos esquecidos nas feirinhas e passaram a ter uma vida especial dentro de museus. Que o valor delas ali, com as lentes pintadas era cada vez maior, pela transformação que elas poderiam causar nos observadores delas ali, pintadas e expostas. Dai ela explicou o mecanismo que age dessa forma, onde esse pensamento se apóia. “O ruído é que ativa o observador.” Pirei. Acho que essa argumentação é tão importante. Fez um sentido enorme ouvir isso ali.