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Linhof Technika II 13x18cm • parte V

Continuo fazendo testes e vendo a melhor maneira de revelar o raio-x que tenho aqui. Na última saída por Braga, fui ao Largo da Senhora a Branca e depois ao Largo da Senhora da Boa Luz.

As fotos da Senhora a Branca foram reveladas num dia bem quente e a tentativa de encurtar o banho se provou muito equivocada. Céu escorrido, vários problemas de uniformidade.

Na revelação seguinte, mantive o tempo, mudei a diluição e o resultado apesar da temperatura alta, foi mais agradável.

Linhof Technika II 13x18cm • parte IV

Há umas duas semanas, num sábado, finalmente carreguei filme nos chassis e sai para fotografar com essa Technika pela primeira vez. Escolhi o centro de Braga e depois também subi na capela de Guadalupe, de onde tirei essa imagem que segue.

Algumas coisas deram muito certo, outras deram muito errado. Sem parassóis nas objetivas tive alguns problemas de flare, ainda não estava bem treinado para usar minhas placas pretas como obturador, acabei revelando as chapas um pouco demais e criei alguns negativos bem densos.

Por outro lado foi um prazer imenso voltar a revelar coisas, principalmente numa caixa assim tão improvisada.

Após avaliar tudo que fiz nesse primeiro dia, adicionei mais uns itens na minha lista de pendências e deixei algumas anotações para o próximo processamento de imagens.

Os parassóis chegaram da China e logo instalei nas objetivas. Aqui fica também o registro em imagem do problema com o anel frontal da petzval. Depois tampei esse furo com cola quente preta, para evitar invasões do Sol.

Consegui parassóis para a petzval e para a G-Claron no AliExpress, também improvisei um jeito de prender um na Aldis. Para a objetiva Primoplane ainda preciso construir um sob medida.

Uns dias mais tarde sai para um outro teste, dessa vez fui ao Bom Jesus do Monte.

Continuei fazendo umas besteiras com o obturador manual, mas já senti alguma melhora. Esses problemas só não são visíveis nas imagens que eu publiquei porque no processamento digital é fácil corrigir se o erro não for grave. Mas às vezes o erro é tão brutal que não há solução. A dificuldade é expor filme ISO 200 sob o Sol com uma objetiva que é f/4 fixo, por exemplo. Fazer 1/500 de velocidade exige destreza.

Comecei fotografando as costas da Basílica com a Aldis Anastigmat, em f/45, consegui controlar bem a exposição e acho que fiquei feliz com o resultado. Braga ao fundo, o céu ainda guarda detalhes apesar do filme ortocromático.

Depois tentei uma foto dos jardins, mas essa realmente ficou tremendamente super-exposta e nem consegui um bom scan dela.

Na sombra das árvores, pedi ao Pedro Viana para posar para uma fotografia. Usei a petzval e consegui controlar bem a obturação. Para quem não viu as entrevistas da série Fotografia Portuguesa, o Pedro é um fotógrafo a la minuta (lambe-lambe em PT-BR) que trabalha no Bom Jesus.

Depois por fim, fotografei o coreto lá no alto do Bom Jesus com a Aldis novamente, em f/32.

Depois desse passeio, adicionei mais uns itens à minha lista de pendências, pequenas coisas para consertar e que vão me ajudar a fazer exposições mais curtas quando necessário. E conto dos avanços no próximo update.

Linhof Technika II 13x18cm • parte III

Continuei a caixa-laboratório. Achei uma promoção de sweat shirts do Notorius Big na Primark, acho que isso era da coleção anterior. Assim a caixa ganhou mangas, usei cola quente preta para fazer isso em 20 minutos, mas acho que é suficiente.

Depois tentei desamassar o anel de filtro da minha petzval, mas isso não correu bem, nem vou colocar foto aqui. É provável que o parassol 72mm que eu comprei e que está a caminho fique bem nela, mas um pedaço do anel quebrou.

Superada essa dor, passei à próxima tarefa: medir o foco no infinito para as 4 objetivas que pretendo usar e fazer furos que permitam o standard frontal travar no lugar certo.

Optei por fazer só 3 dos 4 furos necessários agora e ver se consigo usar o da 150mm para a 155mm.

Por enquanto é isso. Faltam 3 tarefas para limpar minha lista: aguardar a chegada dos parassóis; providenciar um pano preto para ver o despolido, focar e compor; providenciar duas jarrinhas graduadas para medir os químicos na hora de misturar.

Linhof Technika II 13x18cm • parte II

Nota: ao longo das minhas pesquisas descobri que estava enganado com relação ao modelo da câmara que eu tenho aqui. As informações sobre Linhof pré-1945 são muito confusas, mas achei alguma coisa aqui. Descobri que tenho mesmo uma Technika II ao invés de uma Standard como me havia sido informado. Corrigi os posts o melhor que pude.

Para revelar as chapas da nova Linhof pensei uma caixa simples como laboratório, já que ainda não disponho de um ambiente que possa ser transformado. Essa também é a opção mais barata.

Tinha um pedaço de compensado que imaginei como base da caixa. Achei duas garrafas grandes de detergente que poderiam ser convertidas em bandejas de revelação (tinas em PT-PT). O papelão veio do lixo reciclável, como as garrafas. A opção seria usar gatorfoam/k-line, mas sairia caro e não sei quanto tempo a umidade da garagem levará para deixar a caixa inutilizável. Bandejas de 13x18cm da marca AP custam entre 3,5 e 5 euros novas, talvez seja um investimento necessário se os filmes começarem a grudar no fundo dessas bandejas improvisadas.

Não tenho água corrente na garagem. Terei que levar a água necessária para o processamento e trazer tudo sujo de volta a cada para lavar. Terei que lavar as chapas em casa também. Cortei uma garrafa maior para fazer um balde onde vou depositar tudo que estiver usado.

Pintei a caixa por dentro e encomendei Rodinal e fixador rápido pelo correio, chegou bem rápido. O vinagre de limpeza veio do supermercado. Ainda falta visitar a loja da Cruz Vermelha e procurar um moletom preto do qual eu tirarei as mangas para instalar na frente da caixa de revelação.

Também cortei um pedaço de acrílico (recuperado de um monitor quebrado) para proteger o vidro despolido dentro da mochila.

Com ajuda de cotonetes, fiz uma super limpeza nos trilhos da parte frontal da Linhof e coloquei graxa nova ali (massa da lítio em PT-PT).

Vou continuar a resolver essas pendências da maneira mais econômica possível e assim que as próximas etapas estiverem concluídas, conto aqui!

Linhof Technika II 13x18cm • parte I

Voltei de Biévres com essa câmara.

Depois da mudança para Portugal tinha ficado sem nenhuma câmara de grande formato e recentemente tinha conseguido trazer do Brasil um pacote que tinha deixado reservado lá. A caixa continha filmes 5×7″ e 13x18cm, chassis para filmes e algumas outras peças para reformar uma futura câmara nesse formato que é o meu predileto.

Vi a câmara no sábado. Após ler esse post aqui sobre ela, bolei um plano de como poderia reformá-la para poder usá-la. Dai no domingo tomei coragem e comprei a dita. Era exatamente o modelo que eu procurava, parecida com as Technikas modernas que eu amo, mas muito mais barata. A necessidade de reforma facilitou a aquisição, mas ao mesmo tempo precisava ter certeza de que tudo que eu ia precisar ou eu já tinha, ou eu conseguiria muito facilmente.

Depois que voltei para Braga, comecei uma limpeza e também a retirada da traseira. Descobri que o ano de fabricação foi 1944.

Uma das peças que eu tinha guardada era uma traseira em madeira da marca Burke & James. Apesar do visual não combinar, o tamanho era perfeito. Usei cola epóxi e alguns parafusos para promover essa nova união.

Com isso feito, comecei a pensar em objetivas. Queria usar a minha G-Claron 150mm com certeza. Tenho uma Aldis de aproximadamente 275mm que também queria poder usar.

De uma tampa de caixa de vinho cortei alguns quadrados com 10,3cm de lado. Fiz chanfros na parte superior e inferior para encaixar na câmara e com uma serra de fio eu cortei os furos em algumas dessas placas.

Depois que as placas estavam secas, comecei a ajustar as objetivas nelas. Acabei fazendo uma placa para uma objetiva Petzval também. E para essas objetivas sem obturador, improvisei um com um pedaço de veludo preto colado num darkslide 9x12cm.

Ainda preciso providenciar um pano preto para poder compor e focar as imagens. E pensar em como processar as chapas. Falo disso tudo em breve.

Uma Yashica Mat-124B a partir de duas

Esse par de Yashicas tinha uma série que problemas, mas vários deles não eram comuns às duas. Logo vi que uma tinha a lente ainda com coating, a outra fazia velocidades baixas intermitentemente e também conseguia fazer B, coisa que a outra nem sonhava. Muita ferrugem em ambas, o couro não estava completo, mas podia ser compartilhado.

Primeiro comecei a investigar as velocidades baixas intermitentes na Yashica que elegi como a melhor. Com um pouco de trabalho consegui limpar o mecanismo da velocidade baixa.

Nessa foto acima é fácil perceber que a objetiva em primeiro plano já perdeu o coating a reflete mais luz.

Essa Yashinon é um triplet. Normalmente Yashikor são as triplets e as Yashinons são quadruplets, mas no BR não funciona assim, para gerar confusão.

Por fim um detalhe da base de uma das Yashicas 124B mostrando o o Made in Brazil e o disco com A e F (Abre e Fecha) ao contrário de O e C (Open e Close).

Os três parafusos diferentes também entregam que essa câmara teve um passado com diversas visitas ao mecânico. Uma delas tinham um número 23 gravado em etiqueta rotex preso ao capuchão, coisa típica de câmaras usadas em grandes empresas de fotografia social, que vida que essa câmara levou.

Fazia muito tempo que eu não mexia numa câmara analógica para consertar ou modificar, foi uma delícia poder voltar a fazer isso. Teve uma camada de dificuldade extra, me adaptar aos óculos que eu comprei, para contornar a presbiopia, algo que não foi necessário no ano passado quando fucei numa Olympus XA. Essa XA ainda aguarda uma solução, é dessas que parou de ajustar a velocidade e dispara sempre a 1/500. Revisei todo o circuito e todas as conexões, deve ser o controlador. Mas isso fica para um outro dia.

ULF • Primeiras saídas

Depois dos chassis ficarem prontos, ainda finalizei uns detalhes que faltavam nas traseiras 30x40cm e 40x50cm (a 20x50cm estava pronta). Reuni todo o equipamento no case de madeira e fui para a rua experimentar os três formatos de uma única vez.

O kit básico nessas saída ficou assim: câmera no case de madeira com as 3 traseiras, tripé Mako, sacola xadrez com os chassis de filme, bolsa Alhva com objetivas e acessórios. Uma mochila com outros itens. Nessa foto a câmera tem a objetiva Protar 183mm f/18 que exige muito pouca extensão do fole e cobre os 30x40cm sem problemas, uma super grande angular rectilinear do início do século XX.

Nessa imagem a Kodak 500mm f/10 Ektanon Duplicating (lente para fotolito) com obturador tipo TP. Detalhe para a tábua central da base da câmera que permite o foco da objetiva deslizando sob a pressão da lâminas de alumínio para frente e para trás.

Na Rua Rio de Janeiro usei o formato 20x50cm na vertical sem problemas. A traseira da câmera é quadrada e todos os despolidos podem ficar em qualquer orientação, isso também permite mudar o lado para o qual se puxa o darkslide do chassi, isso foi muito útil na primeira foto porque tinha uma vidraça colada no lado direito da câmera e depois no Tatuapé também, por conta de um mamoeiro que ficava perto da posição da câmera.

No Viaduto 9 de Julho, com o tripé alto cabe quase tudo sob a câmera, isso dá um pouco mais de tranquilidade fotografando sozinho na rua.

Aqui sobre a passarela de acesso ao Terminal Bandeira ao final do terceiro dia, o cansaço começando a bater, foto do filho mais velho que veio ajudar.

Vencendo o cansaço, ainda achei energia para bater um contato do primeiro negativo. Coloquei uma bobina 35mm ali no canto para dar a dimensão da imagem.

Essa foto no Tatuapé no quarto dia mostra um detalhe interessante que são os rasgos na base da câmera. Eles permitem que a parte traseira da câmera seja posicionada aqui na frente para fotos com grande angulares, evitando que a base apareça nas fotos.

Aqui nessa foto na Móoca dá para ver o kit todo novamente na quarta saída. Atenção para os dois clipes que seguram o fole esticado sempre que a objetiva usa pouca extensão.

O fato é que esse equipamento é muito pesado. No primeiro dia cheguei a pensar que fosse desistir, depois de puxar a caixa pra fora da mala do carro pela primeira vez. Dai logo acostumei e peguei o jeito.

Em Julho de 2011, depois de ver fotos onde eu aparecia arrastando minha caixa de lona com a 8×10″ pelas areias de Ubatuba, Fátima Roque escreveu o seguinte: “Não falo da máquina, da fotografia do século XIX, do esforço, do carregar equipamentos pesados…etc, etc, etc. Coisas que por si gerariam horas de conversa calcadas no primeiro impacto. Falo da atitude. Do que está por trás desse fotografar, da liberdade de poder fazer, da estranheza, do fazer pensar: por que alguém no século XXI tem tanto trabalho para apertar um botão? Falo do ato e do prazer em fazer. Do imediatismo e do contemporâneo. Coitado desse tal contemporâneo, tão maltratado na raiz. Virou outra coisa repetida por quem apenas ouve sem refletir.”

Apresentei esse e-mail no grupo de estudos hoje, era nosso primeiro encontro e a proposta hoje era começar uma discussão sobre até é viável levar a fotografia analógica nesse mundo digital.

Olympus XA • para o andarilho

Tenho curtido muito as caminhadas até o centro da cidade. Nos dias em que vou para a oficina do Celso eu tenho optado por ir à pé do Itaim Bibi à Rua São Bento no centro da cidade. Dá em torno de 1h20 de caminhada relativamente plana com direito a cruzar o túnel da Av 9 de Julho sob a Av Paulista.

Uma câmera compacta como a Olympus XA é muito útil, boa parte do tempo ela cabe na palma da mão e ali fica escondida.

Eu deixo a câmera em f/2.8 a maior parte do tempo, só cuido para não deixar a velocidade subir muito, porque como não passa de 1/500, a câmera pode acabar superexpondo o filme. E não tem apito, nem bandeira vermelha, a câmera não te faz perder a foto.

E alguns momentos usei a chave do contraluz, a chave que faz a câmera superexpor 1,5 pontos a partir do fotômetro interno, mas em geral fiquei com a fotometria automática e não acho que perdi muita coisa.

Usei diversos tipos de filme: Agfa APX100, Ilford FP4, Ilford Pan F; procurei ficar nos ISO mais baixos e manter a lente mais aberta (de modo que em algumas imagens, como acima, dá para perceber as laterais mais suaves da lente toda aberta).

Inclusive, a objetiva da XA é interessante, uma 35mm desenhada como teleobjetiva para precisar menos espaço entre objetiva e filme e assim a câmera poder ser ainda mais compacta. Segue aqui um link para a história desse design.

Armadilhas • FIF

Estarei no Festival Internacional de Fotografia em Belo Horizonte, vou oferecer uma oficina chamada Armadilhas nos dias 5, 6 e 7 de outubro próximo.

Vamos catar coisas pela cidade e construir uma câmera improvisada em um dia. Tá na área? Apareça!

A programação é a seguinte:

• dia 5/10 – 14h às 17h
Apresentação da oficina e do instrutor, apresentação dos alunos, projeção de imagens, discussão de como foram feitas, rodada de discussão sobre o assunto e planejamento do dia seguinte

• dia 6/10 – 9h às 17h. –  intervalo de almoço –
– Garimpo (manhã), Construção/Montagem (tarde) encontro no local previamente acertado, passeio pelas lojas de sucata eletrônica e de equipamentos fotográficos usados, por camelôs e bazares de usados, retorno ao local da oficina e início dos trabalhos de bricolagem)

• dia 7/10 – 14h às 17h.
Testes e Discussão finalização da geringonça e testes de imagem com o laboratório portátil – pode dar tudo certo ou errado, produção de um vídeo curto sobre o processo para compartilhar o conhecimento adquirido

Confira outros detalhes no site do Festival: http://www.fif.art.br/2015/armadilhas/

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Vou editar aqui e colocar umas imagens da oficina:

IMG_8458 IMG_8470 IMG_8482 papelão_02

ULF 30x40cm

As primeiras imagens, de teste, com a câmara 30x40cm.

Na primeira de todas, ocorreu um vazamento de luz, pontos brancos na parte inferior da imagem. O mais impressionante é o tamanho do círculo da imagem projetada para lente 140mm.

O segundo teste na verdade foi deixar a câmara na luz durante uns minutos, como na foto anterior, e ver se a adição de fita preta tinha resolvido os vazamentos de luz. escolhi uma outra vista que desse uma parte inferior da imagem bem escura, não apareceram mais os pontos brancos.

Com a ajuda da Wicca (responsável pela imagem acima), desci à piscina. Câmara apoiada no chão, tudo nivelado, tudo retinho. No negativo, o nível de detalhe nas cadeiras brancas ou na borda da piscina do lado de lá é impressionante. Foram 3s com f/45, filme Lith, revelado em Diafine na bandeja (ISO aprox. 12).

A combinação de filme Lith, como o Kodalith, com Diafine é muito bacana. O Diafine é um revelador dividido e segura bem as altas luzes, compensando bem nas baixas. Nessa foto o tempo pedido pelo fotômetro era de 1 minuto, expus 10 minutos. Ficou mais contrastado que os outros negativos, mas nada grave, ou que um filtro 00 na ampliação não resolva.