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Às margens do Rio São Francisco

Cheguei à Januária de ônibus. A viagem era parte de um projeto mais longo que eu vinha fotografando – uma das vítimas da explosão do Osasco Plaza Shopping havia se mudado para lá e eu achava que umas fotos de como a vida continuava longe de Osasco poderiam valer a pena.

Caminhei da rodoviária para o centrinho da cidade, já perto da margem do rio, achei um hotel bem simples. A diária era R$6 ou R$7 enquanto a coxinha na parada do ônibus era R$3. Tomei um banho, lavei a roupa da viagem, pendurei perto da janela, tirei um cochilo naquela tarde, acordei a roupa estava seca, não era época de chuva.

Sai e tomei uns sorvetes. Fui atrás do José. O Sol queimando. Setembro de 1999.

Descobri uma cidade interessante, conheci umas pessoas inesperadas, ouvi histórias, tomei mais sorvete. Sempre levava duas Nikons. Com uma fotografei a história que eu estava procurando. Com a segunda, fotografei as coisas que eu descobri em filme slide expirado. Anos mais tarde transformei tudo em preto e branco para me ver livre do crossover.

Na ida e na volta fiquei encantado com os buritizais no meio do cerrado.

Maresias, 25 anos atrás

Acho que foi logo depois que meu pai morreu, dois amigos me convidaram para ir acampar, eles eram do Rio e tinham essa fissura com Maresias. Era verão, mas calhou de ser uma semana de chuva e mosquitos.

Resolvi levar uma Pentax Spotmatic com umas lentes diversas e Fomapan F21 vencido para usar em ISO 25. Eu tinha começado a trabalhar no jornal, então pensei em um conjunto de fotos como uma matéria, pensei em entrevistar pessoas, um monte de idéias. No meio desses coisas, fui fotografando algumas anotações sobre esses dias que passei lá e hoje penso que isso fala um tanto do meu estado de espírito.

Lembro de aprender com os amigos a fazer Miojo dentro da sopa Knorr. Lembro que tinha um casalzinho na barraca ao lado que gastava um pote de repelente todo fim de tarde após o banho e o cheiro deles deixava a gente protegido ali ao lado. Lembro de conhecer um figura que fazia pranchas de surf por lá e aprender com ele como era a sequência das camadas e dos polimentos.

A chuva inundou a barraca uma noite, encurtou o acampamento, na manhã seguinte embalei minhas coisas e vim voltando sozinho para casa. Curtindo a viagem.

Pela BR-101 (Piaçaguera) passando por Cubatão vi o céu plúmbeo, nuvens baixas, a vegetação molhada, um pouco de chuva. Que lugar lindo! Não tenho uma foto sequer, nunca consegui passar numa velocidade adequada, uma pena.

Festival de Fotografia Experimental em Barcelona EXP.20 • Um terreno fértil

Enquanto volto para Braga, vou aproveitar o translado para contar aqui umas coisas sobre esse festival.

Antes de mais nada, se não leu meu post de 20 dias atrás sobre a página de transparência do festival, vale correr lá agora. O resumo é uma galera jovem com idéias simples e com muito pouca grana inventou o festival e compartilhou com todo mundo suas limitações e dificuldades para criar o evento.

Bom, o resultado disso foi um terreno muito fértil para as conversas e discussões. Todo os envolvidos chegaram à Barcelona em pé de igualdade. Os crachás de artistas convidados e participantes pagantes eram idênticos. Cada pessoa ainda ganhava um número no crachá e só havia uma outra pessoa com esse número em todo o festival (46 artistas, 154 participantes, 26 voluntários). Cada um precisava encontrar seu match e a equipe então faria uma polaroid dessa dupla. O jogo ficou apelidado de polaroid tinder e para a coisa funcionar era necessário vencer as barreiras linguísticas e sair conhecendo gente.

Conheci mexicanos, suecos, argentinos, poloneses, ucranianos, norte-americanos, ingleses, alemães, um japonês e inúmeros espanhóis.

Aida Navajas ao encerrar uma mesa de discussão sobre corpo e gênero, deu um tom muito bacana pro festival, pedindo às pessoas que levassem idéias e sensações para casa e que aquilo mudasse sua fotografia e seus experimentos.

Pawel Kula, o inventor da solargrafia, um cara que pesquisa a fotografia dos astros, do céu, me confessou que nunca viu o céu do hemisfério Sul. De repente, nessa rodinha surgiu então um papo sobre tudo que não conhecemos, pouca gente sabia que a Lua fica de ponta-cabeça no hemisfério Sul, que anda pro lado oposto, essas coisas.

Com a Chrystal Cherniwchan, minha colega de mesa sobre fotografia digital experimental, tive uma longa conversa sobre os limites do que o artista deve revelar sobre seus processos, um tema recorrente para mim. Nossa mesa teve poucas perguntas ao final, o festival ganhou um tom muito analógico e talvez nosso assunto rompa com a pureza que tanta gente busca na fotografia com filme.

O workshop com Virginia Dal Magro e Sara Poer foi incrível, algumas idéias muito interessantes sobre sobreposições de processos alternativos.

Ainda tenho que fazer um post só sobre a montagem da exposição, mas com calma. O resto você encontra aqui” https://refotografia.wordpress.com/tag/exp20

Galera curtindo o workshop de câmeras descartáveis da Kate Hook.

Entrada do Centro Cívico Patti Llimona foi o ponto de encontro do pessoal que procurava seu polaroid tinder.

Câmeras obscuras vestíveis do Justin Quinnell do https://pinholephotography.org/

 

O pessoal do E5 Process, um lab comunitário em Londres, organizou uma reunião para estruturar uma rede de laboratórios comunitários pelo mundo.

guilherme maranhão dimitri daniloff and chrystal cherniwchan

Na mesa do sábado, sobre fotografia experimental digital com Dimitri Daniloff e Chrystal Cherniwchan

Workshop da Sara Poer e da Viriginia Dal Magro sobre anthotipia e cianotipia.

Lab do IEFC

Reunião final na capela da universidade onde o IEFC fica localizado, era o único espaço que comportava essa galera.

Saguão do IEFC com a exposição do festival.

Guy Paterson mostrando seus processos.

Rio de Janeiro – Búzios

Não me lembro quando cruzei a ponte Rio-Niterói pela última vez. Foram muitas vezes, a maioria na companhia do meu pai.

Hoje o ônibus saiu do Galeão pontualmente. Soldados com fuzis nas ruas. A ponte envolta em uma névoa nojenta. Trânsito livre. O ônibus colou na faixa da direita, o mar lá embaixo, vertigem.

O pedágio foi se aproximando, mas não senti o mal cheiro dessa ponta da ponte, só o ar condicionado.

Os estaleiros, a água parada, entramos na estrada. Mais soldados, mais fuzis, a cada passarela sobre a estrada.

RJ104 Niterói-Manilha

Sobre fotografia • histórias de Fátima Roque

A Fátima Roque era chegada no barquinho que todo ano parte de Belém para explorar o Pará levando diversos tipos de pesquisadores, cientistas e artistas. Ela compartilhou comigo algumas pequenas histórias dessas viagens que me fazem pensar para que serve a fotografia e o que serve para fazer fotografia.

Em Cametá ela encontrou um fotógrafo local especializado em retratos. Lima mostrou para ela como fazia as fotos e onde revelava esses filmes e fotos coloridos. Seu equipamento era apenas uma Olympus Pen de meio quadro, seu laboratório consistia em alguns pedaços de cano que funcionavam como tanques verticais dentro de uma caixa. O processamento em C-41 se dava a temperatura ambiente (de Cametá). A cada cliente o Lima cortava o pedaço exposto do filme colorido numa caixa escura e já revelava a ponta direto nos tanques. Dali para um ampliadorzinho e a cópia era revelada nos mesmo tanques. E o negativo acabava arremessado sobre a laje do laboratório para mofar e apodrecer.

Numa outra parada ela ofereceria uma oficina de cianótipo e marron van dyke, terminada a oficina os pedaços de tecido com cianótipos ainda estavam molhados, ela pediu ao alunos que voltassem de tarde para buscar as fotos. Eles voltaram e encontraram ela onde os pesquisadores se reuniam. De lá começaram a caminhar até o barco para buscar as imagens em tecido secas. No meio do caminho tinha uma loja com colchas e redes, ela pediu para os alunos escolherem uma colcha e ainda comprou uma caixa de alfinetes. Chegando ao barco pediu que a colcha fosse pendurada no convés e cada aluno pendurou sua imagem na colcha com os alfinetes. Então ela pediu que cada um buscasse seus amigos, sua família e que eles voltassem ao pôr-do-Sol para a abertura da primeira exposição deles. Apareceu todo mundo de banho tomado. O Sol ainda iluminava a colcha amarela, aos poucos cada um que ia embora foi retirando suas imagens e a colcha voltou a ficar vazia. E o Sol se pôs.

Tokyo • Shinjuku

Acho que planejo essa viagem há uns bons 10 anos. Li e reli muita coisa e quando entrei no site do AirBnb para procurar onde ficar, já sabia que queria ficar em Shinjuku.

Esse bairro muito presente nas fotos mais picantes do Araki tem uma longa relação com a fotografia. Seja pelas lojas, seja pelos turistas, pelas luzes coloridas. Ao lado do apartamento tem um templo onde os casais pedem benção juntos no fim da tarde. Na rua de trás começa o red light district. O sagrado e o profano em harmonia. 

Uma estação de trem lotada até no domingo de manhã, bentôs super baratos, restaurantes kaiseki. Bares para moças, bares para rapazes. 

E é claro tem também toda a influência de Lost in Translation que se passa aqui também em boa parte.

Sobre as lojas, vale a pena conferir o guia do John Sypal no Tokyo Camera Style sobre as lojas do bairro, mas o que usei mais foi o do Bellamy Hunt que você encontra aqui. Esse inclusive tem um link para um mapa sensacional! Vi muitos equipamentos que jamais encontrei em outros cantos do planeta, câmeras que vendiam apenas aqui nos anos 60, por exemplo. 

  

Shinjuku é também uma opção mais em conta para hospedagem próximo a metrô e trem. Muitos restaurantes com inúmeras especialidades, não vai passar fome. 

Tóquio • três galerias em Shinjuku

Ontem era domingo aqui e fiz um passeio rápido por três galerias em Shinjuku: Totem Pole, Ronnee 247 e 3rd District.

Na Totem Pole vi uma exposição bem cuidada com cenas rurais japonesas. O artista era quem recebia os visitantes, oferecia chá a cada um. Delicado. Aqui um link para o site da galeria.

Na Ronnee 247 vi uma exposição de um fotógrafo da ilha de Hokkaido que trabalha como motorista de um veículo de remoção de neve e que por isso fotografa neve nas situações mais interessantes. Aqui um link para o site da galeria.

Na 3rd District, que por sinal fica no quarto andar de um prédio, logo acima de uma lanchonete de hambúrgueres cheirosíssima, vi um trabalho um tanto mais emotivo, uma viagem por imagens cotidianas, memórias de tempos passados. Aqui um link para o site da galeria.

Tóquio • duas lojas em Nakano

Enquanto procuro as tranqueiras aqui em Tóquio tenho encontrado inúmeras lojas com bacias de saldo de câmeras analógicas.

Os melhores preços encontrei na Lemonsha e na Alps, o mapa do Japan Camera Hunter serve para ajudar a situar no espaço as lojas. 

Mas as lojas do bairro Nakano tem um jeito diferente e se tornaram pequenos supermercados de câmeras obsoletas. 

  

  

 

 

A Fujiya, acima, tem um departamento inteiro voltado para esse lixo. Os preços ficam entre ¥1000 e ¥6000, algo como 27 e 160 reais. 

A Nitto, abaixo, tem Spotmatics por ¥500, ou 13,50 reais. 

  

  

Jena • p9 • Photographisches Atelier

Na verdade esse post é sobre uma loja na cidade de Erfurt próxima à Jena, na Krämerbrücke 26 (brücke é ponte, é uma ponte medieval no estilo da Ponte Vecchio em Florença).

A proprietária é a Heike, me atendeu em inglês sem problemas.

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Grande parte do acervo de usados é DDR (Pratika, CZJ, Pentacon e Exakta). Entre 30 e 150 euros tem um monte de coisas.

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Além disso, tinha também um projetor bacanudo (385 euros) e uma Mentor 13x18cm (460 euros).

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Jena • p4 • Optisches Museum

Primeiro dia. Visita ao Museu de Ótica. Alguns objetos interessantes:

Um recorte de uma Pratika 35mm

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Um recorte de uma objetiva Lamegon super grandeangular para fotografia aérea

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Uma Tessar 1200mm f/11

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Uma Planar antiquérrima!

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Uma Cooke Series 1a enorme

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