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Uma Yashica Mat-124B a partir de duas

Esse par de Yashicas tinha uma série que problemas, mas vários deles não eram comuns às duas. Logo vi que uma tinha a lente ainda com coating, a outra fazia velocidades baixas intermitentemente e também conseguia fazer B, coisa que a outra nem sonhava. Muita ferrugem em ambas, o couro não estava completo, mas podia ser compartilhado.

Primeiro comecei a investigar as velocidades baixas intermitentes na Yashica que elegi como a melhor. Com um pouco de trabalho consegui limpar o mecanismo da velocidade baixa.

Nessa foto acima é fácil perceber que a objetiva em primeiro plano já perdeu o coating a reflete mais luz.

Essa Yashinon é um triplet. Normalmente Yashikor são as triplets e as Yashinons são quadruplets, mas no BR não funciona assim, para gerar confusão.

Por fim um detalhe da base de uma das Yashicas 124B mostrando o o Made in Brazil e o disco com A e F (Abre e Fecha) ao contrário de O e C (Open e Close).

Os três parafusos diferentes também entregam que essa câmara teve um passado com diversas visitas ao mecânico. Uma delas tinham um número 23 gravado em etiqueta rotex preso ao capuchão, coisa típica de câmaras usadas em grandes empresas de fotografia social, que vida que essa câmara levou.

Fazia muito tempo que eu não mexia numa câmara analógica para consertar ou modificar, foi uma delícia poder voltar a fazer isso. Teve uma camada de dificuldade extra, me adaptar aos óculos que eu comprei, para contornar a presbiopia, algo que não foi necessário no ano passado quando fucei numa Olympus XA. Essa XA ainda aguarda uma solução, é dessas que parou de ajustar a velocidade e dispara sempre a 1/500. Revisei todo o circuito e todas as conexões, deve ser o controlador. Mas isso fica para um outro dia.

Um novo cantinho para pensar e fazer

Nos idos de Novembro de 2019, tinha ajeitado uma outra garagem para ser meu primeiro ateliê aqui na terrinha, depois passei quase um ano sem garagem para fazer minhas bagunças, até que recentemente me mudei novamente para um local com uma garagem.

Aos poucos nesse meio tempo, fui juntando um monte de tranqueiras para experimentar: scanners, webcams, impressoras, computadores antigos, cabos diversos, algumas ferramentas, parafusos, LEDs, máquina de costura, monitor, cafeteira. Organizei as coisas pequenas com potes de iogurte grego do supermercado Lidl, os parafuso com potes de vidro de geléia, as peças maiores dentro de um armário reaproveitado do banheiro da casa.

Novos texto sobre tintas inkjet e suportes reaproveitados

“Desde minhas experiências com as tintas a base de carbono que eu imagino que seria possível fazer algo parecido com tintas coloridas também. As tintas a base de carbono, como expliquei naquela série de artigos, tem a grande vantagem de ajudarem a desentupir canais já aparentemente comprometidos e de não necessitar de todos os canais/cores, ou seja, podem ser usadas com impressoras que de fato tem canais por onde não passa mais tinta.


Minha curiosidade dependia então da impressora certa aparecer, nas condições ideais. Em 2020 ganhei uma impressora. É uma Epson R3000 que seria descartada e que tinha alguns cartuchos ainda com tinta e alguns vazios. Ao tentar ligar a impressora, ela imediatamente reclamava do cartucho PK vazio e parava ali.
Me pus a pensar em como comprovar se ela ainda estaria apta a funcionar, sem incorrer em gastos. Meu orçamento era bem pequeno, teria que completar com a minha paciência.
Comparei preços dos cartuchos que faltavam com kits de cartuchos recarregáveis vindos da China, considerei as etapas seguintes…”

O resto do texto está disponível em: https://efecetera.com/tutorial/impressao_inkjet_com_tintas_reaproveitadas/

Outra maneira de encontrar esses conteúdos é pela barra lateral aqui do blog. Criei links para meu conteúdo nos sites Efecetera, PetaPixel e Emulsive.

Inkset colorido feito em casa na Epson R3000

Essa história começou em Agosto de 2020, chegou aqui uma impressora Epson R3000 que tinha uns entupimentos. Me ocorreu de tentar fazer um inkset colorido improvisado em casa, usando a diluição do Carbono como exemplo e tintas vencidas ou de outros fabricantes como base.

Cheguei a fazer um post em Setembro de 2020 sobre essas idéias. Tinha conseguido umas tintas vencidas. Depois fiquei esperando a tinta amarela chegar da China. Isso só aconteceu entre o Natal e o Ano Novo. Então, no dia 31 de dezembro, aproveitando a tranquilidade que reinava na casa, fiz um primeiro teste.

Misturei a base usada para diluir o carbono e carreguei os tanques tipo CISS que eu instalei na R3000. A base foi usada para fazer o Light Cian, o Light Magenta, o Light Black e o Light Light Black. O Light Cian diluiu e ficou bem depois de 24h. O Light Magenta apresentou alguma separação. O pior foi o LLK, esse não misturou bem mesmo e algumas horas depois já estava separando.

De qualquer maneira, segui em frente. Ao ligar a impressora dessa vez, veja que já tinha usado os cartuchos com líquido de limpeza para um teste curto, a impressora ficou puxando tinta um bom tempo. Imagino que estava cuspindo a tinta parada na cabeça.

Eu tinha providenciado o software de manutenção para fazer um ink charge, mas deixei de lado. Pude ver a quantidade de tinta que foi puxada pela mudança no nível dos tanques.

Ainda tive um pequeno susto, perfurei um dos tanques internos e muita tinta se esvaiu para dentro da impressora. Fiz um reparo temporário e continuei.

Fiz algumas cópias com um papel genérico e brilhante, mas não tenho certeza de que a tinta nova já chegou à cabeça da impressora. Parece que ainda estou usando a tinta que estava parada lá dentro. Em algum momento será possível expelir toda a tinta velha e o líquido de limpeza, e dai sim chegar à tinta nova.

Encomendei novos tanques para poder parar de usar o que foi perfurado. Agora vou atrás de um papel fosco que eu possa usar nesses experimentos.

Novos textos sobre a tinta de carbono feita em casa

Já no ar a segunda parte da série sobre tinta de carbono nas impressoras inkjet. Nessa etapa conto um pouco das tintas feitas em casa e de como configurar isso no computador: https://efecetera.com/tutorial/jato-de-tinta-de-carbono-parte-2/

Se ainda não tinha visto essa série de experimentos, foram impressoras Epson 4900 e 1400 que eu converti para usar com tinta de carbono.

Recentemente inclui na barra lateral alguns links para meu conteúdo nos sites Efecetera, PetaPixel e Emulsive, também servem para localizar esses textos entre diversos outros.

As criações do sr. Arlindo vistas pela Fátima Roque em 2012

Feliz aniversario!
Que você meu amigo querido seja muito, mas muito feliz mesmo, do fundo do coração.
Estou em Portugal depois de uma maratona de NY.
Já tenho uma maquina nova…
Estive no Porto no final de semana e na rua encontrei a Graziela!!!!
Pode?
Tenho que te apresentar um senho em Coimbra que constrói maquinas fotográficas e um grupo em Lisboa que faz arte.
Estou com saudade de todos, Dani, Pedro e Felipe
Diga a Dani que o tal cinto funciona mesmo, mas que os nossos tem florzinhas…
Beijo grande e até o fim de semana
Faró

Era meu aniversário em 2012 e a Fátima Roque me mandou esse email com fotos. Levou uns anos até eu conseguir ir conhecer o Arlindo, mas o resultado está aqui:

Construção da câmara ULF 16×20″ • Emulsive

Hoje foi publicado no Emulsive um artigo que fiz detalhando a construção da câmara ULF, segue aqui o link: https://emulsive.org/articles/projects/measure-twice-cut-once-building-my-multi-format-8×20-16×20-and-12×16-camera

Começa mais ou menos assim:

I lived most of my life in São Paulo, Brazil, with its 20+ million people. I have photographed São Paulo in many different ways, but ever since I got a box of expired 16×20” lith film I have imagined shooting large landscape negatives with lots of details and contrast, this is a small tale about a camera that came to be as part of this desire.

My story begins a little before my first son, Pedro, was born – he was due in March 2002 and I decided to build him a crib. At that time, I was working in a plant that packed auto parts for export in Tillsonburg, Ontario, Canada. My job was to photograph packaging procedures and make up some instructions for each part that came by.

We also had a woodshop to make trial crates for large parts, the man responsible for this shop was Joe Marshall and we used to talk a lot about travelling and woodworking. He offered to help me with the crib and one day during lunch we went to the outskirts of town to see a lumberjack. I ended up buying a large chunk of maple…

Festival de Fotografia Experimental em Barcelona EXP.20 • Um terreno fértil

Enquanto volto para Braga, vou aproveitar o translado para contar aqui umas coisas sobre esse festival.

Antes de mais nada, se não leu meu post de 20 dias atrás sobre a página de transparência do festival, vale correr lá agora. O resumo é uma galera jovem com idéias simples e com muito pouca grana inventou o festival e compartilhou com todo mundo suas limitações e dificuldades para criar o evento.

Bom, o resultado disso foi um terreno muito fértil para as conversas e discussões. Todo os envolvidos chegaram à Barcelona em pé de igualdade. Os crachás de artistas convidados e participantes pagantes eram idênticos. Cada pessoa ainda ganhava um número no crachá e só havia uma outra pessoa com esse número em todo o festival (46 artistas, 154 participantes, 26 voluntários). Cada um precisava encontrar seu match e a equipe então faria uma polaroid dessa dupla. O jogo ficou apelidado de polaroid tinder e para a coisa funcionar era necessário vencer as barreiras linguísticas e sair conhecendo gente.

Conheci mexicanos, suecos, argentinos, poloneses, ucranianos, norte-americanos, ingleses, alemães, um japonês e inúmeros espanhóis.

Aida Navajas ao encerrar uma mesa de discussão sobre corpo e gênero, deu um tom muito bacana pro festival, pedindo às pessoas que levassem idéias e sensações para casa e que aquilo mudasse sua fotografia e seus experimentos.

Pawel Kula, o inventor da solargrafia, um cara que pesquisa a fotografia dos astros, do céu, me confessou que nunca viu o céu do hemisfério Sul. De repente, nessa rodinha surgiu então um papo sobre tudo que não conhecemos, pouca gente sabia que a Lua fica de ponta-cabeça no hemisfério Sul, que anda pro lado oposto, essas coisas.

Com a Chrystal Cherniwchan, minha colega de mesa sobre fotografia digital experimental, tive uma longa conversa sobre os limites do que o artista deve revelar sobre seus processos, um tema recorrente para mim. Nossa mesa teve poucas perguntas ao final, o festival ganhou um tom muito analógico e talvez nosso assunto rompa com a pureza que tanta gente busca na fotografia com filme.

O workshop com Virginia Dal Magro e Sara Poer foi incrível, algumas idéias muito interessantes sobre sobreposições de processos alternativos.

Ainda tenho que fazer um post só sobre a montagem da exposição, mas com calma. O resto você encontra aqui” https://refotografia.wordpress.com/tag/exp20

Galera curtindo o workshop de câmeras descartáveis da Kate Hook.

Entrada do Centro Cívico Patti Llimona foi o ponto de encontro do pessoal que procurava seu polaroid tinder.

Câmeras obscuras vestíveis do Justin Quinnell do https://pinholephotography.org/

 

O pessoal do E5 Process, um lab comunitário em Londres, organizou uma reunião para estruturar uma rede de laboratórios comunitários pelo mundo.

guilherme maranhão dimitri daniloff and chrystal cherniwchan

Na mesa do sábado, sobre fotografia experimental digital com Dimitri Daniloff e Chrystal Cherniwchan

Workshop da Sara Poer e da Viriginia Dal Magro sobre anthotipia e cianotipia.

Lab do IEFC

Reunião final na capela da universidade onde o IEFC fica localizado, era o único espaço que comportava essa galera.

Saguão do IEFC com a exposição do festival.

Guy Paterson mostrando seus processos.

Grip

Nas arrumações aqui, achei essa peça.

Há muito tempo já existiam grips para as Leica M, eram feitos de alumínio e vendidos por terceiros para usar nas câmeras da série M, com o obejtivo de melhorar a empunhadura para os praticantes da fotografia de rua ou da reportagem.

Aquilo me chamou a atenção, era um acessório interessante. Achei por bem fazer um grip para uma Nikkormat talvez (confesso que não lembro bem para que câmera era e como está não caberia numa FM2, logo comecei a imaginas as câmeras que abandonei pelo caminho).

Comecei com um restinho de pinho-de-riga. Em algum momento havia uma espuminha colada nele para melhor aderência ao corpo da câmera.

A câmera se foi e ele ficou, resquício da época que a fotografia era mesmo DIY.

Horizon Kompakt • hacks

A Horizon Kompakt é uma câmera panorâmica produzida pela KMZ e vendida pela Lomography. É o modelo mais simples de toda a linha Horizon.

O rompimento dos filmes 35mm durante o avanço tanto nas Kompakt como nas Perfekt é comum e uma coisa que fica clara rapidamente é que os sprockets da Horizon são muito fáceis de emperrar. A sequência de engrenagens que faz o contador funcionar contribui para esse problema e qualquer falta de lubrificação do contador consegue parar o movimento do filme.

Para começar, vale ver esse post aqui que mostra a montagem de uma Kompakt, não precisamos desmontar tanto, só tirar a frente de ABS.

Com a câmera sem as coberturas de plástico ABS é fácil ver do lado do disparador esse grupo de 3 engrenagens. Ao girar o contador de frames para trás, as 3 engrenagens devem se mover livremente, caso contrário, um pouquinho de desengripante e depois uma graxa nova são a solução.

Foto acima: desengripante no fundo de tudo que corre por dentro do takeup spool pode ser uma boa idéia também.

Abaixo, sequência da remontagem, caso vc tenha tirado a parte de ABS traseira, mas não é necessário fazer isso para engraxar a engrenagem do contador:
Primeiro a tampa traseira (cuidado para não perder os pinos/eixos, eles são soltos da tampa).
Segunda e terceira foto, gerenciando a instalação do botão disparador, cuidado para não arrancar ele na remontagem.

Fiz em madeira uma peça parecida com o adaptador de tripé da Manfrotto. Adicionei duas lascas de madeira mais dura nas superfícies que recebem mais pressão. Deixei secar de um dia para o outro. Preparei as superfícies do fundo da câmera e do topo do adaptador para a colagem com Araldite. Usei 4 parafusos pequenos para fortalecer essa junção.

Adaptador no lugar, cola escorrida, visor limpo por dentro (ah!), avanço do filme bem facinho, que delícia.