Arquivo da categoria: refotografia

Às margens do Rio São Francisco

Cheguei à Januária de ônibus. A viagem era parte de um projeto mais longo que eu vinha fotografando – uma das vítimas da explosão do Osasco Plaza Shopping havia se mudado para lá e eu achava que umas fotos de como a vida continuava longe de Osasco poderiam valer a pena.

Caminhei da rodoviária para o centrinho da cidade, já perto da margem do rio, achei um hotel bem simples. A diária era R$6 ou R$7 enquanto a coxinha na parada do ônibus era R$3. Tomei um banho, lavei a roupa da viagem, pendurei perto da janela, tirei um cochilo naquela tarde, acordei a roupa estava seca, não era época de chuva.

Sai e tomei uns sorvetes. Fui atrás do José. O Sol queimando. Setembro de 1999.

Descobri uma cidade interessante, conheci umas pessoas inesperadas, ouvi histórias, tomei mais sorvete. Sempre levava duas Nikons. Com uma fotografei a história que eu estava procurando. Com a segunda, fotografei as coisas que eu descobri em filme slide expirado. Anos mais tarde transformei tudo em preto e branco para me ver livre do crossover.

Na ida e na volta fiquei encantado com os buritizais no meio do cerrado.

Fuligem pode virar pigmento?

Passei esse inverno a olhar a lareira e pensar em como fazer um pigmento a partir da fuligem que junta lá dentro.

Com uma espátula e uma forma de aço, coletei um pouco da fuligem para um primeiro experimento. Acho que a base para tinta inkjet pode ser um bom começo.

Achei o site do artista Joseph Besch onde ele explica como ivory black e lamp black são feitos (com detalhes importantes de como reduzir o tamanho das partículas e etc). Mas além disso ela dá ótimas idéias de como afinar o tamanho do pigmento.

Depois um amigo me mandou um vídeo do Borut Peterlin onde ele usa a fuligem da chaminé dele para prints, mas esse é um outro processo (muito bonito e muito interessante, por sinal).

Entupimentos persistem na Epson R3000

Com o passar dos meses fui perdendo canais na Epson R3000, não entendi bem porque, mas o fato é que acabei ficando apenas do 3 canais bons, dos 8 canais que a impressora tem.

Em Junho de 2021 cheguei a mostrar aqui a técnica de limpeza de cabeças chamada “waterfall”. Hoje resolvi repetir essa limpeza, acabei tentando usar uma seringa (sem agulha) para forçar mais líquido através da cabeça e descobri que a cabeção não tem nenhum canal entupido de fato. Ou seja, o problema é antes da tinta chegar à cabeça de impressão.

Nas minhas pesquisas já havia encontrado o blog My900 e lá existem alguns comentários que apontam para o fato de todos os problemas de entupimento das Epson estar de fato ligados aos dampers e não às cabeças.

O topo da cabeça de impressão da Epson R3000, cada pino desses entra em um damper para coletar tinta.

Com as mesma seringa tentei puxar tinta pelos dampers e não vinha nada, exceto dos 3 canais que estão funcionando. Finalmente descobri algo depois de todo esse tempo e isso me colocou uma questão para resolver.

No momento tenho duas impressoras: Epson Stylus Photo 1400 (convertida para carbono com 6 tons, leva os cartuchos na cabeça de impressão e não tem mangueiras nem dampers) e a Epson Stylus Photo R3000 (com tintas reaproveitadas e que está com esses dampers entupidos, mas que pelo visto tem a cabeça OK).

Conjunto de dampers da Epson R3000, cada um serve a duas tintas.

Comecei a pensar no que fazer, já que estava gostando de ter uma impressora p&b com carbono e uma impressora colorida com o meu inkjet improvisado.

Meu plano #1:

Um banho de água morna e limpa-vidro em 3 dampers que saem mais fácil, libero assim 6 canais na R3000. Esvazio a tinta desses 6 canais (6 frascos limpos, uso a seringa para criar vácuo nos tanques bulk e espero a tinta retornar das mangueiras) e faço uma limpeza geral. Transfiro o carbono para a R3000. Depois que estiver tudo OK, começo uma limpeza geral da 1400 e instalo apenas 6 das 10 tintas lá (é um inkset colorido reduzido que será constantemente misturado dentro do cartucho).

Meu plano #2:

Um banho de água morna e limpa-vidro em todos dampers da R3000. Algo me diz que acabarei voltando ao lugar onde estou agora depois de um tempo.

Uns dias mais tarde acabei optando por limpar todos os dampers e esvaziar todas as mangueiras da R3000. Os dampers até limparam bem, mas duas mangueiras estão completamente entupidas (vivid magenta está cheia de tinta de uma ponta a outra, essa tinta é malvada, não dissolve por nada) e outra está parcialmente. Para limpar as mangueiras coloquei uma ponta dentro de um balde com água e usei uma seringa para tirar o ar dos tanques de tinta, funcionou bem para algumas mangueiras. Sobraram 5 canais que eu considerei OK.

Coloquei tinta a base de carbono nos tanques e com uma seringa puxei a tinta até os dampers que estavam limpos, montei tudo de novo. Tentei uns testes, dos 5 canais apenas 2 funcionaram de primeira. Desmontei a cabeça pela enésima vez, puxei tinta de novo, voltei a montar e agora outros dois canais funcionavam ao invés dos primeiros. Nesse dia eu acho que desisti da R3000, que encrenca.

A Epson 1400 continua funcionando bem com o carbono, gostaria de manter outra impressora com cores, mas acho que trocar as tintas de uma para a outra não será nada tranquilo e sinto que acabarei me arrependendo.

Um pedra sobre o teclado

Há uns tempos que eu conheci a música da polonesa Hania Rani e me encantei com as suas composições. Num dos vídeos que se pode achar no Youtube, o artista que há em mim percebeu duas coisas peculiares: um tanto de pano enfiado dentro de um dos pianos e uma pedra que ela usa sobre as teclas de um teclado.

Não entendo tanto para saber o porque do pano, suspeito que sirva para abafar o som do piano, modificá-lo. A pedra parece só cumprir o papel de uma mão que ficaria ali parada por mais tempo. São gambiarras ao que tudo indica, um indício de uma certa intimidade com o instrumento.

Imaginei uma série de coisas parecidas que diversos fotógrafos fazem no laboratório, pequenos truques, pequenos macetes. Indício da intimidade dos fotógrafos com o laboratório e os aparelhos contidos nele.

Anos atrás, quando a fotografia digital surgiu, demorou um pouco para ganhar intimidade a ponto de formular novos truques e macetes que servissem apenas para a captura digital. Uma das coisas que me acordou e me possibilitou ganhar mais intimidade foram as leituras dos artigos do prof. Andrew Davidhazy sobre a sua câmara digital improvisada usando um scanner. Uns tantos anos mais tarde, foi uma visita ao ateliê de impressão do Marcos Ribeiro que me ajudou de maneira semelhante com relação à impressão inkjet.

Escrevi bastante sobre esses dois momentos de revelação repentina no meu livro. Está quase pronto, já está quase todo revisto, falta adicionar as legendas das imagens.

Coincidência total, a Hania Rani vem tocar amanhã aqui na cidade e eu vou lá ouvir. É um outro conjunto de músicas, provavelmente sem pano ou pedra, mas conto que será inspirador.

Até Aqui na exposição Amor em Tempos de Cólera

Ontem abriu aqui em Braga a exposição Amor em Tempos de Cólera, parte de um edital chamado Actum. A cidade está toda linda para o Natal.

Foi uma delícia uma abertura com pessoas, um agito no centro da cidade!

Sempre me interessei por investigar elementos que já existiam antes da minha vida começar. Ao chegar a Braga fiquei especialmente curioso com as estradas romanas, com os diferentes formatos das pedras utilizadas, com a maneira como elas foram construídas e há quanto tempo estão ali.

E o catálogo da exposição está aqui embaixo.

Solargrafia • primeira imagem

Há 6 semanas escrevi aqui sobre a câmara que tinha colocado na varanda olhando para o Sudeste. Essa primeira imagem era um teste, levou 6 semanas e ficou assim:

Foi um Novembro atípico para a região, com muitos dias Sol. Em geral aqui é mais chuvoso nessa época, mas aqui como no resto do planeta, está tudo mudando.

O plano é fazer uma outra imagem, do solstício de inverno ao solstício de verão. Acho que vou erguer o orifício um pouco, para observar mais do céu e reforçar as fitas que prendem a câmara.

O tempo que leva

Comecei a fotografar na minha adolescência. O preço do filme sempre foi um problema. Muitas vezes me peguei escolhendo da bandeja dos filmes vencidos e tendo que lidar com o que quer que esses filmes tivessem de problemas. Minha maior prioridade era criar imagens e imprimi-las; minha experiência inicial me disse que a incerteza dos filmes vencidos não impedia as imagens de nascer. Impunha limitações, chegaremos a elas.

A data de validade no filme fotográfico marca um momento até o qual a resposta do filme à luz e produtos químicos é conhecida e está dentro de certos parâmetros. Com o passar do tempo, o filme perde sua sensibilidade à luz e fica velado com a radiação ambiental. Não é possível saber como cada rolo envelhece, todos o fazem de maneira diferente. Por outro lado, saber como é a resposta do filme ajuda o fotógrafo a imaginar como será a aparência de uma fotografia. Chamamos isso de visualização (graças a Ansel Adams). Algumas pessoas consideram a visualização de imagem final algo essencial. Na adolescência eu acreditei que ela até poderia ser útil, mas eu abria mão da visualização para fotografar o máximo possível e assim encontrei uma maneira racional de aceitar os filmes vencidos.

Então eu lentamente reuni conhecimentos sobre esses filmes vencidos, comparando sua idade e como haviam mudado devido a esse fato, tentando ter algum espécie de guia para antecipar os seus resultados.

Vale lembrar meu episódio com o Fomapan. Após o desastre de Chernobyl em 26 de abril de 1986, o filme em preto e branco produzido na República Tcheca era realmente difícil de vender. Preto em tcheco é “černo” e branco é “bílý”, então “negativní černobílý film” era uma sequência terrível de palavras para ter em qualquer embalagem, assustava os clientes. Em 1993, um importador de equipamentos fotográficos no Brasil conseguiu adquirir um grande lote deste filme, o prazo de validade era 1991. Este lote foi colocado à venda a preços muito baixos. Fomapan foi uma ótima ferramenta de aprendizado. Comprei uma sacola cheia de latas de 30 metros e elas duraram 5 anos enquanto eu explorava maneiras de expor e revelar aquele filme à medida que envelhecia ainda mais. Na maior parte do tempo, acabei usando um revelador que usava mais restringente para evitar o véu de base e álcali mais forte para adicionar contraste à imagem final, algo que aprendi a fazer.

Também tive muitas oportunidades de experimentar com papéis fotográficos. O papel preto e branco vencido dá imagens sem brilho se processado da maneira que o papel novo deveria ser. Normalmente, os brancos se tornam cinza antes que os negros se tornem escuros o suficiente para serem percebidos como negros por nossos olhos. Ao longo dos anos, explorei e aprendi muitas estratégias diferentes para produzir uma gama completa de tons a partir desses papéis antigos. Uma maneira era revelar bem às cópias e quando essas estivessem secas, usar um rebaixador para remover alguma densidade das áreas mais brilhantes até que estivessem de volta ao branco, outra maneira era experimentar com reveladores feitos para artes gráficas e tentar produzir cópias muito contrastadas imediatamente com estes papéis.

No início dos anos 2000, os primeiros itens da nossa vida digital começaram a aparecer no lixo. Eu rapidamente traduzi esse modus operandi do analógico para o digital.

Scanners com interface SCSI vendidos na década de 1990 tornaram-se obsoletos rapidamente sob o crescimento do USB. Para experimentá-los, era necessário encontrar os drivers corretos, a internet foi uma grande ajuda e com um pouco de pesquisa a maioria das coisas poderia ser posta a funcionar. Parte da pesquisa também era para encontrar sistemas operacionais adequados para executar os drivers e também hardware antigo o suficiente para executar esses sistemas operacionais confortavelmente. Descobri muitas coisas que poderia fazer com scanners obsoletos, isso gerou a uma grande coleção de software e hardware de computador obsoleto, um tipo novo de arqueologia.

Durante esses anos de coleta eu gastava menos com materiais. Assim eu fazia experiências com esse fluxo de trabalho híbrido. Fazia as imagens que eu sentia que precisava fazer. Por outro lado, eu estava gastando mais tempo para entender como cada peça desses sistemas funcionava.

Aprender a usar materiais que continham menos informações sempre foi desafiador de um jeito divertido. Comecei a desenvolver um gosto por materiais que tinham um nível de incerteza ainda maior: papel mofado, câmeras quebradas e assim por diante. Usava meu tempo para descobrir como eles ainda poderiam ser parte de um caminho até as impressões fotográficas.

Enquanto pesquisava, escrevia sobre esses caminhos ou processos: uma fotografia de 9 metros que imprimi durante uma noite em minha sala de estar, as imagens da impressora a laser que transferi para outro papel com solvente, um câmera 4×5″ que fiz com os restos de duas outras, imagens em uma câmera improvisada com um scanner de mesa ou de um scanner antigo com uma roda de filtro de cores. Esses pequenos artigos mais tarde se fundiram em um texto maior, enquanto eu procurava entender melhor meus próprios processos e organizar esses conhecimentos adquiridos. Reli diversas vezes e expandi este texto. Quanto mais escrevia sobre esses processos que experimentei, mais me sentia debatendo sobre o tempo que utilizei para realizar cada experimento e se estava satisfeito com as imagens que dele resultaram. Tomei consciência cada vez mais do tempo que leva para resolver essas imagens e de como o tempo era o principal custo associado a essas imagens.

Descobri outras coisas interessantes sobre meu próprio trabalho. Tabulando diversos relatos, percebi que sempre que eu viajava, fosse de férias ou a trabalho, se eu tivesse espaço para levar uma câmera pessoal, levava o que quer que estivesse em pior estado: o filme mais velho ou mais mofado, uma câmera que eu achasse que tinha consertado, mas que na verdade não tinha. Para obter certas imagens é necessário dar a esses materiais e equipamentos uma oportunidade, até mesmo que seja para estragar tudo. Isso se tornou uma regra para mim (que ainda faz sentido), se houver espaço para levar uma câmera pessoal, eu levarei o que estiver em pior estado.

E então fui escrever sobre a câmera de ultra grande formato que construí. Esse projeto começou com uma caixa de filme de artes gráficas de 16×20″ que ganhei em 2001 e alguma madeira que comprei em 2002. Arrastei esses itens comigo, voltando do Canadá para o Brasil em 2003 e os carreguei de um estúdio para outro nos anos seguintes. Eu finalmente comecei a construir a câmera por volta de 2010, mas não foi concluída até 2018. Foi uma grande empreendimento. Fiquei muito satisfeito com a câmera, seus recursos, suas capacidades. Fez tudo o que eu esperava que fizesse. Mas eu senti que não poderia dizer com certeza se valeu a pena. Talvez este projeto tenha alcançado um nível de complexidade que exigiu muito tempo e estudo. Isso me deixou muito ciente da quantidade de tempo e estudo que essas imagens custam para mim.

Percebi também que separo as variáveis ligadas a uma fotografia em dois conjuntos: no primeiro as variáveis ​​de assunto, os elementos incluídos na imagem; no outro as variáveis ​​técnicas, como os elementos são renderizados ou desenhados na imagem final. Exemplos de variáveis ​​de assunto: o assunto pode ser iluminado artificialmente, quem vai ser fotografado, a que horas do dia, a composição, onde você vai e que paisagem você consegue colocar na frente da câmera. As variáveis ​​técnicas acontecem assim que a luz entra na lente (em uma câmera com lente), no pinhole (em uma câmera pinhole) ou mesmo no material fotossensível (em uma fotografia sem câmera). São as escolhas feitas pelo fotógrafo de como a luz é registrada, como essa gravação é processada e como é exibida. Acredito que ambos os conjuntos de variáveis ​​estão presentes em todas as imagens fotográficas e ambos requerem algum tempo e estudo para serem definidos, escolhidos, negligenciados ou dominados.

Sobre a câmera de ultra grande formato cheguei a me perguntar o que seria diferente se eu tivesse feito as mesmas imagens com um equipamento mais portátil e prático (pensando sobre variáveis técnicas). Percebi que o que me incomodou foi demasiada atenção às variáveis técnicas das imagens e muito tempo sendo gasto para resolvê-las. Imaginei como seria deixar tudo igual na frente da câmera (as tais variáveis do assunto) e escolher uma configuração e um processo mais simples. E se eu tivesse descartado o filme e a madeira há muito tempo e investido em uma câmera digital com muitos megapixels? Não poderia fazer imagens semelhantes e me expressar de maneira semelhante? Ainda não encontrei a resposta, ou ainda não a verbalizei. Acho ainda que há uma outra pergunta por trás daquela: os dois conjuntos de variáveis ficam ligados por algo que ainda não percebi?

Não vou parar de procurar coisas interessantes nas lixeiras, pelo menos por enquanto, mas vou tentar me concentrar em coisas menos complexas.

Publicado originalmente em: https://efecetera.com/artigo-de-opiniao/o-tempo-que-leva/

Experimento em solargrafia

Meu filho mais novo queria fazer uma câmara pinhole. Expliquei a ele o que era Solargrafia e ele se interessou.

Começamos por identificar que a lata de fermento seria apropriada para esse projeto. Tivemos que esperar que o fermento fosse usado. A latinha foi lavada, depois secou. Não tínhamos tinta preta, logo aproveitamos a capa de um caderno, que era preta, para recobrir o interior da lata a fim de evitar reflexos indesejados.

Usamos um pedaço de alumínio da tampa do achocolatado. Fizemos o furo apenas com a ponta do alfinete, usando o tal caderno de anteparo. Limpamos a borda do furo, para garantir uma imagem mais limpa.

Tínhamos uma ponta de papel Kentmere. Prendemos a lata aqui na varanda, observando o nascente. Vamos abrir em 45 dias.

Uma Yashica Mat-124B a partir de duas

Esse par de Yashicas tinha uma série que problemas, mas vários deles não eram comuns às duas. Logo vi que uma tinha a lente ainda com coating, a outra fazia velocidades baixas intermitentemente e também conseguia fazer B, coisa que a outra nem sonhava. Muita ferrugem em ambas, o couro não estava completo, mas podia ser compartilhado.

Primeiro comecei a investigar as velocidades baixas intermitentes na Yashica que elegi como a melhor. Com um pouco de trabalho consegui limpar o mecanismo da velocidade baixa.

Nessa foto acima é fácil perceber que a objetiva em primeiro plano já perdeu o coating a reflete mais luz.

Essa Yashinon é um triplet. Normalmente Yashikor são as triplets e as Yashinons são quadruplets, mas no BR não funciona assim, para gerar confusão.

Por fim um detalhe da base de uma das Yashicas 124B mostrando o o Made in Brazil e o disco com A e F (Abre e Fecha) ao contrário de O e C (Open e Close).

Os três parafusos diferentes também entregam que essa câmara teve um passado com diversas visitas ao mecânico. Uma delas tinham um número 23 gravado em etiqueta rotex preso ao capuchão, coisa típica de câmaras usadas em grandes empresas de fotografia social, que vida que essa câmara levou.

Fazia muito tempo que eu não mexia numa câmara analógica para consertar ou modificar, foi uma delícia poder voltar a fazer isso. Teve uma camada de dificuldade extra, me adaptar aos óculos que eu comprei, para contornar a presbiopia, algo que não foi necessário no ano passado quando fucei numa Olympus XA. Essa XA ainda aguarda uma solução, é dessas que parou de ajustar a velocidade e dispara sempre a 1/500. Revisei todo o circuito e todas as conexões, deve ser o controlador. Mas isso fica para um outro dia.

Um novo cantinho para pensar e fazer

Nos idos de Novembro de 2019, tinha ajeitado uma outra garagem para ser meu primeiro ateliê aqui na terrinha, depois passei quase um ano sem garagem para fazer minhas bagunças, até que recentemente me mudei novamente para um local com uma garagem.

Aos poucos nesse meio tempo, fui juntando um monte de tranqueiras para experimentar: scanners, webcams, impressoras, computadores antigos, cabos diversos, algumas ferramentas, parafusos, LEDs, máquina de costura, monitor, cafeteira. Organizei as coisas pequenas com potes de iogurte grego do supermercado Lidl, os parafuso com potes de vidro de geléia, as peças maiores dentro de um armário reaproveitado do banheiro da casa.