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Traquitana do Claudio • Av Paulista 

Em março mesmo eu finalmente levei a câmera para uma volta pela Av Paulista em busca de coisas que se movessem de um jeito caótico interessante, na cabeça a idéia de um transe, na bolsa Kodak Tri-X velho e bem mofado.

Eu tinha feito vários testes com a finalidade de calcular o tamanho dos negativos em função do tempo de exposição, queria negativos com um tamanho de 12cm de comprimento para ampliar usando um ampliador 4×5″. Na hora das fotos a coisa foi de outro jeito. Fotografei o que eu via se mexer sem me preocupar muito com o tempo e o comprimento do filme. Depois dos filmes revelados, com uma janela de papelão de 24x54mm (optei por uma imagem muito mais “curta”) eu escolhi as imagens que eu queria ampliar direto na mesa de luz.

Usei papel Polycontrast (fibra, peso duplo) em tamanho 20x25cm e usei o filtro no. 5 para conseguir uma boa separação de tons do negativo. Não fiz nada para evitar o véu de base violento e irregular, deixei ele competir com as texturas dos fungos no filme. O véu irregular tem uma grande vantagem sobre o mais regular que aparece apenas como um cinza sobre a imagem, o véu irregular e ruidoso aparece como um problema do papel e não da imagem e isso pode ser interessante.

Velatura

Esses dias tive a oportunidade experimentar um papel brasileiro bem antigo da marca Bove. O envelope me foi dado pela amiga Dani que se mudou para a Jordânia. O envelope em si já mostrava marcas de idade avançada e como era de papel pouco encorpado eu já esperava o pior, ou o melhor, como saber diferenciar os dois…

Tá ai, a etiqueta do envelope de papel e a bula com direito a fórmula de revelador e tudo. É verdade que alguém tava com a cabeça nas nuvens na hora de escrever a bula. Veio pensando em Metol, mas escreveu Motel. Rsrsrs.

Ao invés de saco plástico preto, o interior do envelope era com outro envelope de papel, esse preto, mas que já estava meio rasgadinho.

O resultado foi bem interessante. Um lado do papel 30x40cm estava completamente velado, como uma nuvem. Escolhi três negativos para produzir uma pequena série incorporando essas nuvens negras.

Papel Talbot vermelho

Papéis fotográficos velhos têm características interessantes e algumas dificuldades a mais no processamento, tais como véu de base e baixo contraste.

Um revelador normal, com Metol, ressalta os problemas desse tipo de material fotossensível.

Recentemente usei um papel estranho da Talbot (Uruguai) que tem base com tom vermelho.

Não sei onde vi, mas anotei uma fórmula do revelador Kodak D-64b que é a seguinte:

Sulfito de Sódio 33,8g (aprox. 5 colheres de chá)

Hidroquinona 19,2g (aprox. 2 colheres de sopa)

Carbonato de Sódio 26,9g (aprox. 2 colheres de sopa)

Brometo de Potássio 2,4g (aprox. 1/2 colher de chá)

Água para 1 litro.

A hidroquinona desse revelador não está muito protegida e ele logo se oxida. É fazer, usar e tchau. O papel Talbot levou entre 6 e 8 minutos para revelar totalmente nesse tanto de Brometo, mas o resultado foi ótimo. A diluição foi 1:1.

Algumas lições reaprendidas: a agitação inicial na revelação de papel é importantíssima, para uma cópia sem manchas, mesmo com um tempo bem longo de revelação. Vacilei numa e mesmo depois de 8 minutos a cópia ficou manchada. Outro detalhe é olhar a tira de teste sempre depois de fixada. Às vezes tenho preguiça e olho no interruptor, com esse papel a imagem muda muito em relação ao fundo ao chegar no fix.

Um opção de revelador que vai durar mais na bandeja é o Ansco 81, que tem ácido cítrico para conter ainda mais oxidação da hidroquinona. Mas note como ele é muito mais concentrado!

Sulfito de Sódio 55g

Hidroquinona 35g

Carbonato de Sódio 80g

Ácido Cítrico 5,5g

Brometo de Potássio 10g

Água para 1 litro.

Reveladores de papel

Existem reveladores de filme que ficaram famosos como o Rodinal, por exemplo, mas e os reveladores de papel? Bom, comecei a descobrir alguns reveladores de papel que seguiram o caminho oposto, o da obscuridade. Hoje apresento dois: o Solarol (presente do amigo Bento) e o Edwal Platinum Papel Developer.

Primeiro, o Solarol, que ainda é vendido na Adorama com a seguinte descrição: Print development with Solarol provides a new dimension of image control through the use of the Sabattier effect, commonly called “solarization”. The effect is produced by re-exposing the print to white light while it is in the developer. With other developers, this procedure gives a dark, muddy picture, but with Solarol, contrast is maintained, sharp edge effects appear, and a beautiful surreal image is obtained. The results are predictable and repeatable, and you control the process just as in conventional printing. Makes 2 quarts of working solution. The tray life of Solarol equals that of the best of print developers, and it keeps for over two months in a well stopped bottle.
With extended use, its developing action becomes slower, but its solarizing ability actually improves! It should be discarded when it is too exhausted to produce a good black with two minutes of development.

Interessante que a embalagem não mudou muito ao longo do tempo. Continua sendo vendido em latas de metal. Ainda não testei praticamente para solarização, mas em breve dou notícias.

E o da Edwal, note bem o logotipo da Edwal com as palavras “negativus positivus”.

Esse revelador vem como líquido concentrado, em garrafas marrons, eu experimentei com um Ektalure vintage e achei muito interessante o contraste que ele deu. Na internet não se encontra mais esse revelador, alguns sites mostram uma segunda versão dele, mas Adorama e B&H parecem não tê-lo mais em estoque.