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Consumo de coisas fotográficas

Nessa experiência que tive de Março desse ano até agora, vendendo as sucatas da oficina do Celso, acabei conhecendo mais dos compradores e seus gostos. Em geral o processo é marcado por uma pressa, uma urgência, em muitos casos a pessoa quer aquilo, mas não sabe ao certo o que aquilo faz ou como funciona, nunca experimentou. E em alguns momentos pude até testemunhar uma agressividade, em especial de pessoas que não se conformaram em perder uma oportunidade talvez única de adquirir um produto raro. Dai apelaram agressivamente na tentativa de reverter a situação. É muito desejo por uma câmera ou lente, muita sofrência por vê-la ir na outra direção.

Bom, não resta dúvida de que no Brasil há uma infinidade de coisas que são difíceis de serem adquiridas, equipamentos fotográficos são uma delas. As soluções encontradas pelos fotógrafos para navegar por esses mares de impostos e burocracia foram diversas através dos anos, nem todas lícitas, mas todas sem exceção encarecem demais esses produtos. Aquela máxima que diz que em países desenvolvidos a mão de obra é cara e as coisas são baratas e em países em desenvolvimento a situação de inverte, as coisas são caras e a mão de obra é barata só fica mais verdadeira.

Essa imagem de 2009 captada por um amigo que prefere não se identificar mostra a solução encontrada na época para esse problema.

Um relato de vitória sobre o sistema, talvez. Há uma certa agressividade nesse registro, pela quantidade. Quanto isso onerou uma empresa em demasiado para a execução de um simples trabalho fotográfico? Como é que esse esquema em que vivemos muda o nosso jeito de fotografar, de comprar coisas fotográficas? O que fica dessa história para nós? Essa são algumas das questões que surgiram em 2017 aqui e que permanecem sem resposta.

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Buenos Aires • Antique Cameras

Hoje eu conheci os irmãos Romero, terceira geração de uma família que curte câmeras fotográficas. Visitei a loja deles em San Telmo, bairro de Buenos Aires. 


A loja é pequena e o conteúdo é extenso. Muita coisa, segundo eles, anterior a 1980. 



Essa Rollei grandona chama a atenção, o boneco do Chaplin também. 



Uma lambe-lambe usada ali no canto, ou como eles chamam, uma minuteira. 


Muita coisa de grande formato espalhada pela loja. Lentes e câmeras bem antigas. 


Tem até uma prateleira de rangefinders, com direito a Fujica médio formato. 


A Oficina de Juveny Lourenço

Em 1964, Juveny foi na trabalhar na oficina da Zeiss no Rio de Janeiro como officeboy. Começou a aprender o ofício de consertar câmeras e objetivas. O tempo passou e quando a Zeiss deixou o Brasil em 1968 ele se juntou a um técnico alemão que queria ficar no Brasil e abriram uma oficina aqui. O sócio faleceu em 1970 e Juveny continuou.

Em 1974 teve a oportunidade de treinar 3 meses na fábrica da Zeiss em Stuttgart. Um tempo depois a oficina saiu do centro do Rio para Copacabana onde está até hoje.


Juveny conserta apenas câmeras mecânicas e lentes manuais, deixa os eletrônicos para os colegas.


Um armário de madeira guarda um pequeno museu de câmeras que não funcionam mais. Numa prateleira as que ele consertou e que estão à venda.


Ele não pensa duas vezes, decidiu que em 2016 ele se aposenta. O torno e o esmeril, adquiridos em Stuttgart em 1974, já estão à venda. Sr. Juveny atende na Av Nossa Senhora de Copacabana, 1120 sl 1007, apenas das 9:00 às 11:30. Interessou pelo torno? Fala com ele no 21.992.572.047

Tokyo • Camera Box

Em um conjunto comercial em um porão de um prédio. Um cubículo lotado de câmeras. 

Em algumas prateleiras as câmeras ficam de lado cobertas pela etiqueta. Só olhos treinados encontram o que querem sem ler japonês. 

  

A entrada dá o tom da lojinha. 

  

Vale a pena conferir o site deles!

De Shinjuku ficou sendo minha predileta!

Kyoto • Daiichi Shashin-ten

Daiichi é o primeiro, o mais rápido, o mais importante. Shashin-ten é a loja de fotografia. Esse foi o nome que Yoshinobu Konishi escolheu para a loja de fotografia que ele toca com sua família num bairro tranquilo de Kyoto. 

Graças à dica do amigo Takumi pude conhecer esse lugar pequeno, empoeirado, bagunçado, enfim perfeito. Foi o Yoshinobu que me recebeu, me mostrou diversas prateleiras e explicou um pouco o sistema para encontrar as coisas. 

  

  

  

  

  

  

Eu sei, parece não haver sistema, mas há e o Yoshinobu vai provar. 

Escolhi minha câmera, uma Konica SII.

  

Ele achou uma alça original e instalou. 

  

E depois, no meio de tudo isso ele encontra uma caixa de tampas da Konica de época. 

  

Inacreditável. Olha ele se despedindo ali na porta do primeiro sul-americano a pisar na Daiichi Shashin-ten. 

  

Kyoto • Camera Fujimoto

Um amigo me passoua seguinte mensagem:

“The place is Camera FUJIMOTO

京都市南区西九条管田町27-2-914

I think this place is really geek shop.”

Fui seduzido pelo “geek”. A caminhada era longa, conheci Kyoto mais profundamente.

  

  

  

  

  

Encontrei o endereço, mas a loja já tinha ido embora, uma pena. Restou o passeio maravilhoso. 

  

Tóquio • duas lojas em Nakano

Enquanto procuro as tranqueiras aqui em Tóquio tenho encontrado inúmeras lojas com bacias de saldo de câmeras analógicas.

Os melhores preços encontrei na Lemonsha e na Alps, o mapa do Japan Camera Hunter serve para ajudar a situar no espaço as lojas. 

Mas as lojas do bairro Nakano tem um jeito diferente e se tornaram pequenos supermercados de câmeras obsoletas. 

  

  

 

 

A Fujiya, acima, tem um departamento inteiro voltado para esse lixo. Os preços ficam entre ¥1000 e ¥6000, algo como 27 e 160 reais. 

A Nitto, abaixo, tem Spotmatics por ¥500, ou 13,50 reais.