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Lembrança • Cópias enormes

guilherme maranhão ivam valencia

Vou começar com essa imagem. Isso foi no IVAM em Valencia na exposição Desidentidad de 2007 organizada pelo MAM-SP. Quem tirou a foto foi a Iara Freiberg, ela estava por lá para montar a exposição e me mandou essa imagem do meu trabalho tomando uma parede ao fundo dessa sala, a imagem é a Plural III.

Na verdade, esbarrei nessa foto hoje e me lembrei do relato que eu fiz do processo de fazer essas imagens enormes em uma única folha de papel, por exemplo.

Segue o relato de 2003: Cópias de Grande Formato com Improvisações Técnicas

As idéias
Em março de 2000, quando eu viajava para o FotoFest em Houston, Texas, encontrei numa lojinha de material fotográfico um rolo de papel velho, vencido e abandonado – 9m de Polycontrast II Rapid RC da Kodak, largura de 1m. Cinco dólares e ele era meu. Ainda sem saber o que fazer com aquilo.
Decidi ampliar oito imagens nesse papel, sem cortar o rolo, numa “operação” que levou uma noite inteira. Para revelar a imagem criei uma pequena piscina com pedaços de plástico. A imagem pb tem todos os defeitos do papel velho e mais os defeitos criados pela revelação irregular. É o máximo!
A experiência foi alucinante! Uma foto imensa que mudou o rumo do que eu considerava a minha fotografia. E a vontade de repetir tudo aquilo é presente desde então.
A repetição aconteceu em dezembro de 2000.
Apareceu um super desconto num rolo de papel colorido Ultra, para processamento RA4, com 30 metros de comprimento e 1.6m de largura! Ao mesmo tempo ganhei de um amigo um lote enorme de kits para processo direto R3, aquele para cópias em papel a partir de cromos. E isso era suficiente para começar a pensar. Juntar os dois…

As imagens
Nessa mesma época ganhei também uma bobina de um filme super estranho: LPD4 Line Film da Kodak. A sensibilidade que eu encontrei para ele era de EI 1.5 sob daylight, e a bula indica que o filme foi concebido para reprodução de plantas e desenhos gerando um positivo direto. E é verdade, revelado em processo pb normal o filme gera slides preto-e-brancos, um pouco contrastado talvez para fotografia pictorial.
Acabei por encontrar um tempo de revelação desse filme com Rodinal diluído em 1+70, que dava uns meios tons razoáveis. Comecei a fotografar bastante aqui nas estradas do Canadá, enquanto ia e vinha de trabalho. Os resultados ainda eram bastante contrastados, mas eu estava curtindo. E cada vez mais esse contraste todo me fazia crer que esses slides seriam perfeitos para ampliar em papel negativo cor e fazer o cross-processing.
Num dia, sentei e escolhi algumas imagens. Comecei a bolar como ampliá-las e como processar as imensas folhas de papel.
Resolvi separar alguns pedaços de 1.3 x 1.6m para ampliar as imagens uma a uma. Mas deixei metade do rolo intocada, caso resolvesse fazer uma grande imagem como aquela de 9 metros.
Numa noite então foi feita a operação de cortar o papel num tamanho próximo do final. Como o papel é para cópias coloridas tudo foi feito em escuro total. No escuro tudo é mais difícil, mas também é mais divertido!

As lentes
Naquela primeira foto grande, com 9 metros, cada imagem tinha em torno de 80 x 120cm. A lente 50mm foi usada no ampliador que ficou sobre uma bancada, enquanto o papel estava no chão.
Para fazer imagens de 130 x 160cm eu montei uma bancada ainda mais alta, levando o ampliador a encostar no teto. Mas ainda assim, com a lente 50mm a imagem continuava pequena.
A solução foi, ao invés de usar uma lente do ampliador, posicionar a 35mm/2 AF da Nikon apoiada sobre o lens board do ampliador, e com a menor distância focal dessa lente a imagem ficou bem maior e consegui alcançar o tamanho desejado.
As lentes usadas para fotografia podem ser usadas na ampliação de fotos bem grandes. É uma espécie de atalho para quem não dispõe de uma lente específica para ampliações grandes, a maioria das lentes de ampliador funciona melhor com ampliações até 20x, mas existem exceções.
O ideal é sempre uma lente para ampliador que seja indicada para ampliações de 40-60x. Se isso não for possível, uma boa lente fotográfica, colocada com a parte traseira virada para o filme, como na câmara fotografica, pode ser melhor escolha do que uma lente de ampliador comum. Vale a pena experimentar e descobrir o que te serve melhor.

A ampliação
Para que o papel ficasse na posição correta, no chão, espalhei pelo carpete alguns pedaços de madeira, que teoricamente ficariam no seu próprio lugar devido ao seu peso. Isso tudo serviria como uma espécie de marginador que só serve para posicionar o papel adequadamente: sob a lente, sob a prateleira.

A posição do ampliador também era importante, para que a foto mantivesse a sua característica retangular: o nível da prateleira e o do porta-negativos foram checados várias vezes enquanto eram feitos os preparativos para a ampliação.

Apagaram-se as luzes.
A exposição do papel ficou em torno dos 30 segundos apesar do tamanho enorme da foto. Os slides têm áreas bem transparentes. Não fiz teste para descobrir a exposição correta do papel, prefiri arriscar com as 4 primeiras fotos do que ter que misturar química só para o teste… preguiça.
E pela preguiça também foi cancelada da agenda toda e qualquer tentativa de corrigir ou filtrar a cor da imagem. A idéia sempre foi deixar a cor brotar por si só. E assim aconteceu. Com isso o que consegui foi manter uma certa unidade entre as fotos, já que todos os slides tinham a mesma tonalidade de cinza.

A revelação
Expus todas as 4 imagens e guardei o papel num outro ambiente escuro. Preparei o laboratório para a sessão de revelação. Posicionei as canaletas sobre a bancada, e antes de sequer abrir as garrafas da química liguei o exaustor e vesti tanto a máscara contra gases e as luvas de latéx. A máscara contra gases foi escolhida entre muitas outras disponíveis aqui nas lojas de construção: das que eu encontrei era a única recomendada para uso com amônia. Quando uma quantidade enorme de papel leva muito revelador para dentro do fixador ocorre um odor insuportável da amônia devido a contaminação, dai o cuidado na escolha da máscara.
As luvas e máscara são essenciais para a tranquilidade do fotógrafo: sem cheiro ruim, sem medo de enconstar em nada úmido, você pode ficar no escuro horas…

As minhas canaletas são de filme de polietileno incolor e transparente numa pequena estrutura de madeira. O filme é preso com as mais que conhecidas tachinhas! O tamanho de cada canaleta foi medido para ser suficiente para que eu possa desenrolar e enrolar o papel fotográfico dentro da química. Se a canaleta é muito grande ou muito comprida você acaba gastando muita química, então fiz essa no tamanho certo para essa experiência.
A química, então, que já estava em solução de estoque foi então novamente diluída para solução de trabalho com água em torno de 60 graus centígrados: eu queria um processo bem rápido. E cada banho ficou com um volume total de 4 litros.
Então no escuro total, com luvas, máscara e um óculos contra possíveis respingos de química, banhei as 4 folhas, uma por vez. O processo R-3 possui 4 banhos: primeiro revelador, interruptor, revelador de cor e branqueador-fixador.
Depois de passado um minuto dentro do revelador de cor (terceiro banho) as luzes do laboratório podem ser acesas.
Com as imagens fixadas era hora da lavagem, e como você pode imaginar não há banheira de 1.3 x 1.6m, certo? Aproveitei que o trabalho já estava no fim e lá fui eu e as cópias para o chuveiro!
Foi um banho demorado…

Pós banho
Depois que as cópias secaram estendidas sobre o carpete da casa elas foram refiladas com estilete. No claro, com toda a iluminação necessária os cortes ficaram muito melhores.

Como as altas luzes da imagem ficaram muito fracas é possível que tenha ocorrido superrevelação, ou mesmo superexposição do papel. Talvez a idéia de usar água a 60 graus centígrados não tenha a melhor de todas.
Os tons verdes e azúis das fotos são os resultados da combinação desse determinado papel com aquele determinado lote de química velha. Não há como reproduzir isso com outros materiais e essa é a graça da história.
As únicas coisas que não se pode deixar de usar, de todos os materiais que eu relacionei aqui, são as luvas, a máscara e os óculos de segurança. Isso é o mais importante. Para o resto a gente inventa um substituto.

 

Glossário:
FotoFest – Festival semelhante ao Mês da Fotografia em São Paulo, que ocorre há cada dois anos em Houston, Texas, sempre nos anos pares. É famoso pela sessão de leituras de portfolio, The Meeting Place, que dura 8 dias. São inúmeras exposições em centros culturais, pontos de ônibus, lojas abandonadas, museus de arte, etc.

Polycontrast II – papel preto-e-branco RC da Kodak de contraste variável. Nesse tamanho (rolo de 9 metros) o papel é peso duplo, para garantir maior resistência. O papel pode ser processado com química comum para papéis preto-e-branco.

Ultra – papel colorido RC da Kodak. O papel é usado para cópias a partir de negativos coloridos.
Processo RA4 – Processo para papéis coloridos para cópias a partir de negativos coloridos.

LPD4 – filme positico preto-e-branco da Kodak. Baixa sensibilidade, grão fino, alto contraste são algumas das suas características. Segundo a bula desse filme suas aplicações estão voltadas para dentro dos escritórios de engenharia, o filme se presta para reproduções diretas de plantas e desenhos.

EI 1.5 – EI significa exposure index. Esse índice de exposição é o que substitui hoje os antigos ISO e ASA.

Rodinal – Revelador para negativos preto-e-branco da Agfa. A fórmula do Rodinal doi desenvolvida entre 1870 e 1880, nunca foi patenteada e é quase secreta até hoje. Mundo afora muitos fotógrafos acreditam que a gradação de tons e o detalhamento dos contornos obtidos com Rodinal em filmes PB EI 400 são insuperáveis.

Cross-processing – quando você usa a química desenvolvida para um determinado tipo de material fotográfico com outro tipo de filme ou papel você está fazendo cross processing. O mais comum é revelador filmes positivos coloridos (normamente processados em E-6) em química para filmes negativos coloridos, o processo C-41.

Notas de 2017:

Depois desse texto surgiu o Parodinal e o lance do Rodinal se resolveu permanentemente. Cross processing hoje em dia é chamado x-pro.

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Bieka no Ibirapuera

Há uns bons anos atrás eu ganhei uma Bieka bem conservada. Coloquei um filme EPT 120, cromo tungstênio ISO 160 e dei umas voltas pelo parque Ibirapuera.

A câmera 6x9cm permitia que fossem tiradas quantas fotos eu quisesse em cada quadro, até que eu avançasse o filme.

Esses negativos, que eu revelei em C-41 no meu lab, ficaram no fundo de uma caixa de papel fotográfico não identificada por engano, e eu os encontrei hoje. Surpreso, coloquei alguns no DT-s1030ai e fiz alguns scans para ver o que é possível fazer com eles.

Os negativos estão mais ou menos assim:

Screen Shot 2016-07-11 at 5.00.38 PM

O negativo na verdade tem mais véu de base que isso, eu cancelei bastante dele com a calibragem do scanner cilíndrico (esse não é o jeito correto de escanear negativos cor, mas é um atalho que às vezes rende bons frutos). Note que o filme vencido já tinha um lado com pigmentos alterados.

Depois de um pouco de edição a primeira imagem ficou assim:

parque01_web

Ainda preciso fuçar nos outros negativos desse dia e descobri o que pode alinhavar uma história entre as imagens.

Pesquisas

Recentemente numa conversa com o Claudio fui reapresentado ao conceito de aceleração de filme colorido, acabei me lembrando de outra coisa que eu sempre quis fazer que era revelar os filmes cromos como p&b para obter negativos e falamos disso um pouco também. Depois fui vasculhar a rede e achei duas coisas relacionadas, a primeira a publicação da Kodak a respeito disso e a segunda esse pequeno post na Apug que conta uma outra maneira de fazer isso.

Aceleração, viragem sépia e essa solução para o E-6 revelado em processo p&b tem uma coisa em comum, a imagem é branqueada totalmente e re-revelada. Vou ver se tento essa solução e desenvolvo um processo p&b bacana para os cromos que tenho aqui. Enquanto isso fica aqui uma dica para saber como faz a aceleração do filme cromo (E-6) no item 22.07 desse link aqui.

Outra coisa que andei olhando foi como fazer para usar filmes infravermelhos de imagesetters. Vasculhei fórums e acabei achando esse post no Photo.net que dá um ISO e um filtro para usar o filme. Nossa, isso é muito valioso, primeiro porque diz que a coisa funciona, depois porque já dá alguma idéia do que fazer. O cara ainda dá o revelador e o tempo para controlar o contraste, fica fácil começar. Estou pensando em refilar o filme desse que eu tenho e colocar num papel/bobina de filme 120. Será?

Outro filme interessante que apareceu é um LD da IBF, um filme litográfico do tipo Luz do Dia. Pelo que entendi de alguns links ele é um filme sensível a UV que pode ser manuseado em ambientes iluminados exclusivamente por lâmpadas fluorescentes que não emitem UV. Hummm. Será ele tão pouco sensível a ponto de não ser possível usar em uma câmera de grande formato? A IBF não tem mais nada sobre filmes no seu site, mas vasculhando a rede encontrei um figura nos EUA que revendia IBF e que ainda tem descritivos no site dele. Dá para comparar com os filmes UR e PSD que eu conheci.

Colex • diluição

Um agradecimento rápido ao Milton, da CompactColor, que me vendeu os químicos e de quebra me mostrou quase tudo que eu fiz de errado com eles até agora.

Véu cian: tchau! Problema resolvido. Revelador muito concentrado. Dilui 1:1 e tudo perfeito! Em breve algumas provas e depois vamos religar a Colex para fazer fotos enormes! Tem um rolo de 1m de largura de papel metálico esperando uma boa idéia.

Colex • manchas

As primeiras imagens feitas na Colex foram bem desapontadoras. Muito pouco contraste e um véu cian invadiu as imagens e estou tentando descobrir o que vem causando isso. O fato é que foi experimentar uma outra processadora antes de culpar a Colex e o problema se repetiu na processadora Nova com o mesmo químico e os mesmos papéis.

Pesquisei um tanto e já experimentei várias temperaturas diferentes, papéis diferentes, com e sem banho interruptor, com e sem prewet. Em geral as fotos saem assim da Colex e da Nova. Esse é um teste de uma foto de um cavalo feita no leito do Rio São Francisco em 1999.

Essa é um progressão de testes feitos aumentando a concentração do Blix.

E essas são as melhores imagens até agora. As manchas mais fracas foram obtidas com uma concentração absurda de Blix. Há contraste e há cor!

Colex • recapitulando

Em agosto de 2009 eu fui a Uberlândia buscar uma Colex. Depois de um ano e meio, finalmente enchi ela de água e testei seu funcionamento. Deu tudo certo! Nesse post eu gostaria de recapitular os passos que me trouxeram até aqui.

Uberlândia é um lugar onde um pó de terra vermelha entra em tudo e a Colex não foi exceção. Quando chegamos de volta a Sampa, na garagem do prédio, antes de subir para o estúdio, um banho de mangueira foi o início dessa reforma. Uma esponja com detergente ajudou a remover uns pontos onde a graxa se juntou à terra.

Em outros posts mais antigos já fiz menção ao conserto feito em alguns roletes que tinham o eixo danificado. E também sobre a remontagem de racks. E sobre o carrinho que construi para ela.

O próximo passo foi descobrir como tudo funcionava. O Robert da Colex foi gentil e me enviou um pdf com manual de instruções da colette (modelo da minha processadora), o link leva ao manual que tem 420Kb. Conversei com o Marquinhos no Senac e com o Gibo para obter algumas dicas do funcionamento da máquina e isso foi muito bom.

Com o manual lido, pesquisei fornecedores de químicos para RA4, pesquisei os volumes das embalagens e como eu faria as impressões. Foram dias e noites na internet pesquisando as experiências de outros fotógrafos e suas processadoras, diluições e procedimentos.

Numa folha de papel A3 comecei a desenhar a infraestrutura necessárias para ligação da máquina (elétrica e hidráulica) e comecei a planejar as tarefas para isso acontecer. Ao mesmo tempo abri a máquina e comecei a desligar peças que não seriam necessárias. Desisti de usar o sistema de reforço automático e o aquecimento da própria máquina.

O Gibo me garantiu que as resistências que aquecem o ar da secagem só gastam energia elétrica e superaquecem a máquina, removidas!

Sem esses sistemas o consumo elétrico da Colex seria bem menor e a amperagem da tomada poderia ser normal. Vale a pena ler por ai muitas histórias de sucesso com o RA4 em temperatura ambiente.

Lubrifiquei a correia principal. Rearranjei a posição das mangueiras dentro da máquina e ajustei comprimentos e retirei pontas estragadas. Tirei a válvula solenoíde junto com o aquecedor e a bomba de circulação da água quente. Sairam também a bomba de reforço, as mangueiras dela e toda a fiação elétrica que ligava esse pessoal todo.

Com cola quente reorganizei todos os fios elétricos que ficaram na máquina. E limpei tudo, várias vezes mais, mas ela continuava imunda. Fiz alguns reparos cosméticos, rebitando o alumínio da “fachada” onde ele havia se soltado e desamassando a caixa de metal da entrada de papel, removendo cola da tampa da entrada.

Colei o tubo do esgoto da última lavagem, que era meio óbvio que ia vazar bastante. Troquei várias abraçadeiras enferrujadas nas mangueiras. Aproveitei um resto de tinta epóxi e pintei o interior da Colex, nos pontos onde a madeira da estrutura tinha ficado tanto tempo encharcada que já começava a apodrecer (medo de vazamentos!). Fiz novos tubos que estabalecem o nível de líquido nos tanques.

Escovei os roletes de espuma da secagem para tirar pó e pelinhos (mas não foi suficiente).

Juntei as pontas das mangueiras de escoamento de líquidos e acertei o comprimento delas. Coloquei as pontas todas dentro de uma caixa de PVC com uma saída única para uma mangueira que fosse até o ralo. A caixa serve para evitar que se forme muita pressão na mangueira e também que evitar que uma mangueira ramificada vire uma série de vasos comunicantes e químicos contaminem outros químicos em outros tanques.

Bifurquei a torneira do tanque do estúdio, adicionei um conector ali e uma mangueira de água limpa. A mangueira se junta a da entrada de água da máquina com outra conexão, que por sua vez se ramifica para encher os dois tanques de lavagem da máquina.

Então ontem, finalmente, liguei toda a parte hidráulica e comecei a encher a máquina de água para ver como funcionava antes de mais nada a saída da água. Foi sábio começar assim, o engate rápido que escolhi só permitia o fluxo de água num sentido e quase houve um transbordamento. Com a máquina toda aberta e sem os racks com roletes dentro, enchi os tanques com 4,5l, metade da capacidade total que é 9,12l.

Troquei o plug da tomada para algo que encaixe na tomada 220V da parede do estúdio e depois de lembrar de ligar a tomada 220V no painel de força, liguei a máquina. Ventoinhas, correia e bombas de recirculação a pleno vapor, que alívio, já imaginou isso tudo por nada?

Coloquei detergente em alguns tanques mais sujos para que a recirculação limpasse a bomba e etc. Enchi os tanques até os 9l e coloquei um por um os racks de processamento. Meu pensamento foi o seguinte, limpei os racks, mas muitos roletes são internos e inacessíveis, a água iria limpá-los, mas lentamente, preferi ir colocando eles aos poucos para permitir que a limpeza acontecesse sem sobrecarregar o motor da Colex.

Com dois racks no lugar, a água dos tanques foi mudando de cor, os resquícios de químico foram fazendo o revelador e o fixador “aparecerem” ali. Passei um cópia velha colorida pela máquina para ver se o transporte funcionava. Funcionou, mas a cópia saiu imunda e arranhada dos primeiros dois racks. Passei mais dez cópias e a situação foi melhorando. Parei tudo e troquei a água dos dois primeiros tanques, sujeira demais.

Montei os outros racks, agora eram todos, os 4. Achei cópias 50x60cm velhas, passei elas de lado, para limpar 60cm! E tudo voltou ao normal. Montei o rack de secagem e passei mais umas 10 cópias para terminar de limpar, do secador de espuma sairam restos de insetos grudados nas cópias. Esvaziei tudo e agora, quem sabe hoje a noite, misturo químico para um verdadeiro teste no escuro.