Arquivo do autor:Guilherme Maranhão

Escaneando as nuvens

Nas saídas recentes para o Tatuapé peguei um dia com muito vento e nuvens que se moviam bem rápido. Aproveitei a oportunidade para tentar algo diferente, escanear as nuvens. Usando a configuração de dpis consegui alongar o scan suficiente para registrar esse movimento.

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ULF • Primeiros scans

Os negativos menores da câmera grande, os 30x40cm, cabem lindamente no Cezanne ocupando quase toda a área possível de ser escaneada. Coloquei-os ali, rapidamente, direto sobre o vidro, sem líquido nem pressão, para scans @ 300dpi rápidos, para estudar o contraste proporcionado pela revelador Soemarko. Acabei com scans que mostram anéis de Newton, poeira e muito mais.

Um detalhe a ser observado nos negativos revelados com essa técnica (revelador muito suave para filme muito contrastado) é a qualidade das áreas sem textura (como o céu na imagem). O primeiro scan abaixo mostra um negativo com um céu bacana. Os demais todos mostram manchas de revelação em maior ou menor grau, isso é um desafio desse processo.

Em diversos negativos aparecem as bordas da área de cobertura da objetiva, isso não é um problema tão grande nesse momento, penso em restringir a área da imagem que será usada no print final. Essa imagem mostra os respiros do túnel sob o Rio Pinheiros e as árvores do Parque do Povo, dois remendos paulistanos recentes para fazer caber a cidade onde ela habita.

Abaixo um exemplo do ângulo possível com a 183mm Protar em filme 30x40cm (12×16″), é uma super grande angular interessante nesse formato. Esse muro e essa entrada de caminhões num bairro já quase totalmente verticalizado oferecem um comentário interessante ao meu ver sobre as mudanças da cidade.

Nessa imagem no Tatuapé me parece que houve uma correção excessiva da perspectiva vertical, kkkkk!!!! De certa funcionou para reforçar a forma incomum desse prédio de janelas pequenas.

Enfim, muito trabalho pela frente para corrigir alguns desvios e construir uma história sobre São Paulo.

Carbono • Configurando um papel

“O próximo passo é definir um papel e fazer uma série de testes até chegar num ICC para poder imprimir sem sustos.” Encerrei o último post sobre o Carbono com essa frase e fui trabalhar (lentamente) nisso, usando o QuadtoneRIP.

A primeira leitura, mais importante nesse momento, é um PDF disponibilizado num site chamado Diallo. É um workflow que você pode seguir em níveis diferentes, no caso de alguém que está criando um inkset novo com um papel novo, tem que se começar o nível mais complexo (4) e executar todas as tarefas até o nível mais básico (1) um vez para poder configurar impressora, tinta e papel. Depois o nível básico é o que a pessoa vai executar para poder imprimir.

Para executar algumas dessas tarefas, vale a pena ler esse artigo do Paul Roark que já foi mencionado aqui antes (caso você não disponha de um espectrofotômetro como eu).

Estou seguindo a risca esses dois textos e os resultados até agora são muito bons. Os papéis que pretendo usar são o Matt Fibre da Hahnemühle, da linha Photo, de 200gsm que imprime lindamente com carbono e que é fácil achar aqui no Brasil. Depois estou preparando também um perfil para um Fabriano de gravura que eu tenho algumas folhas grandes, quero aproveitar esse “lote” para imprimir um trabalho que peça mais textura. Por fim eu tinha um resto de papel de fundo infinito branco muito bonito e resistente, já tinha cortado uns pedaços para a inkjet normal e gostei do papel, cortei uns pedaços menores e estou testando com carbono, não dá tanto preto, mas tem um jeito diferente que me agrada.

Ainda não encontrei um papel que quero muito usar nessa impressora, quero achar uma bobina de papel kraft (de embrulho) de 40cm de largura e 150gsm, mas está difícil, nessa largura só tenho achado 80gsm e é meio transparente, não tem graça.

ULF • Primeiras saídas

Depois dos chassis ficarem prontos, ainda finalizei uns detalhes que faltavam nas traseiras 30x40cm e 40x50cm (a 20x50cm estava pronta). Reuni todo o equipamento no case de madeira e fui para a rua experimentar os três formatos de uma única vez.

O kit básico nessas saída ficou assim: câmera no case de madeira com as 3 traseiras, tripé Mako, sacola xadrez com os chassis de filme, bolsa Alhva com objetivas e acessórios. Uma mochila com outros itens. Nessa foto a câmera tem a objetiva Protar 183mm f/18 que exige muito pouca extensão do fole e cobre os 30x40cm sem problemas, uma super grande angular rectilinear do início do século XX.

Nessa imagem a Kodak 500mm f/10 Ektanon Duplicating (lente para fotolito) com obturador tipo TP. Detalhe para a tábua central da base da câmera que permite o foco da objetiva deslizando sob a pressão da lâminas de alumínio para frente e para trás.

Na Rua Rio de Janeiro usei o formato 20x50cm na vertical sem problemas. A traseira da câmera é quadrada e todos os despolidos podem ficar em qualquer orientação, isso também permite mudar o lado para o qual se puxa o darkslide do chassi, isso foi muito útil na primeira foto porque tinha uma vidraça colada no lado direito da câmera e depois no Tatuapé também, por conta de um mamoeiro que ficava perto da posição da câmera.

No Viaduto 9 de Julho, com o tripé alto cabe quase tudo sob a câmera, isso dá um pouco mais de tranquilidade fotografando sozinho na rua.

Aqui sobre a passarela de acesso ao Terminal Bandeira ao final do terceiro dia, o cansaço começando a bater, foto do filho mais velho que veio ajudar.

Vencendo o cansaço, ainda achei energia para bater um contato do primeiro negativo. Coloquei uma bobina 35mm ali no canto para dar a dimensão da imagem.

Essa foto no Tatuapé no quarto dia mostra um detalhe interessante que são os rasgos na base da câmera. Eles permitem que a parte traseira da câmera seja posicionada aqui na frente para fotos com grande angulares, evitando que a base apareça nas fotos.

Aqui nessa foto na Móoca dá para ver o kit todo novamente na quarta saída. Atenção para os dois clipes que seguram o fole esticado sempre que a objetiva usa pouca extensão.

O fato é que esse equipamento é muito pesado. No primeiro dia cheguei a pensar que fosse desistir, depois de puxar a caixa pra fora da mala do carro pela primeira vez. Dai logo acostumei e peguei o jeito.

Em Julho de 2011, depois de ver fotos onde eu aparecia arrastando minha caixa de lona com a 8×10″ pelas areias de Ubatuba, Fátima Roque escreveu o seguinte: “Não falo da máquina, da fotografia do século XIX, do esforço, do carregar equipamentos pesados…etc, etc, etc. Coisas que por si gerariam horas de conversa calcadas no primeiro impacto. Falo da atitude. Do que está por trás desse fotografar, da liberdade de poder fazer, da estranheza, do fazer pensar: por que alguém no século XXI tem tanto trabalho para apertar um botão? Falo do ato e do prazer em fazer. Do imediatismo e do contemporâneo. Coitado desse tal contemporâneo, tão maltratado na raiz. Virou outra coisa repetida por quem apenas ouve sem refletir.”

Apresentei esse e-mail no grupo de estudos hoje, era nosso primeiro encontro e a proposta hoje era começar uma discussão sobre até é viável levar a fotografia analógica nesse mundo digital.

Sensitometria e Densitometria

Fuçando num livro, achei menção a uma fórmula antiga de revelador, digitei o nome dos caras que tinham inventado isso e acabei conhecendo os figuras que inauguraram a Sensitometria e a Densitometria. Bah!
Mais voltas pelo Google e achei uma publicação de 1920 com a transcrição dos cadernos deles usados nas pesquisas nos idos de 1896.
Os caras escreviam para os fabricantes cobrando um padrão quantitativo para a sensibilidade à luz das emulsões, algo tão simples para a fotografia atual…

Os tios são esses aqui. E aqui temos o tijolo.

Obscuro Mito • garanta o seu exemplar!

Obscuro Mito (e ainda é fotografia) de Fátima Roque e Guilherme Maranhão

O livro foi para a gráfica hoje e estará pronto daqui uma semana. São apenas 50 por enquanto!
Quer o seu exemplar? É para já —> deposite apenas R$40 para receber pelo correio. Nos comentários ou por email, basta dar um alô que eu encaminho os dados.

Update 05/05/2018: o livro está pronto e começa a ser enviado dia 07/05 (segunda-feira). Até o final do mês de Maio de 2018 o livro pode ser adquirido direto nesse link do PagSeguro (nesse caso R$43, já incluindo o frete de Impresso Nacional): https://pag.ae/blx8Zss depois basta me mandar seu endereço por e-mail.

The New York Photography Fair em Rochester

A fotógrafa Raquel Moliterno, especialista em processos históricos, em preservação de fotografias e em gerenciamento de coleções de imagens está curtindo uma de correspondente internacional do blog Refotografia (da mesma maneira que o Plínio aqui), está em Rochester, NY, EUA, para participar de uma conferência internacional sobre história da imagem fotográfica. De lá ela nos enviou essas imagens exclusivas da The New York Photography Fair que aconteceu hoje por lá paralelamente à PHOTOHISTORY/PHOTOFUTURE CONFERENCE.