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Filme gráfico infravermelho

Há uns anos atrás um xará meu me deu de presente uns rolos de filme para Imagesetter infravermelhos. O que é isso?

Bom, Imagesetters eram máquinas que cuspiam fotolitos prontos a partir de arquivos digitais. O conteúdo do fotolito era gravado no filme com lasers, dependendo da máquina o laser era de uma determinada cor, algumas máquinas usavam laser infravermelho.

Bom, ok. Fui pesquisar e vi que chegou a ter gente que cortou o filme e carregou em máquinas fotográficas de grande formato, mas a informação não ia muito adiante. O tempo foi passando e a cabeça matutando como experimentar esses filmes.

Existe um problema com filmes IR que é a compensação do foco, já que nossos olhos usam a luz visível para focar a lente e o IR acaba focando em outro lugar. Como as câmeras de médio e pequeno formato em geral tem uma marquinha que indica a compensação, achei por bem pensar numa maneira de experimentar nelas.

Dai esse post no Emulsive em março reavivou todas essas idéias. A principio imaginei algo bem mais simples, até para saber em que estado está o filme e como ele vai se comportar com os reveladores de que disponho.

Logo fiz um gabarito para cortar pedaços de 6x83cm em acrílico e no escuro total cortei alguns pedaços de filme nesse tamanho e carreguei em bobinas e papéis 120 recuperados.



Esperei o Sol de manhã de domingo para testar os filmes. Com a Pentax 67 sobre um prédio, expus dois rolos, cada um retirado de um rolo maior de filme, para avaliar o estado dos dois e a possibilidade de usar eles. Instalei filtro vermelho tanto na 105mm como na 55mm. Comecei ambos os rolos com 1/125 de segundo e f/8, abri um ponto a cada foto e terminei com 1 segundo em f/4, ou seja de ISO 100 a ISO 0.18 se estivesse pensando em termos de luz visível, que não é o caso. Fica apenas a indicação de um Sol das 10h da manhã num dia de inverno.

Misturei uma fórmula do Dave Soemarko para obter negativos de tom continuo a partir de filmes litográficos. Pensando que o filme deveria ter bastante contraste e que seria necessário domá-lo. Por outro lado o LC-1b reduz muito o ISO do filme e isso seria um problema caso o filme já tivesse um ISO muito baixo.

Filtro vermelho e LC-1b conjugados formam uma aposta difícil.

Revelei o filme #1 (obj. 105mm) com o LC-1b diluído 1:10 a 20C e durante 10 minutos com agitação continua (filme da esquerda na foto). A imagem de ISO 0.18 ficou visível mas ainda subexposta e/ou subrevelada, existem alguma alternativas: diluição menor (1:5 ou 1:6), experimentar sem o filtro vermelho e ver se o filme responde ao resto do espectro.

O filme #2 (obj. 55mm) foi revelado com Dektol solução de estoque por 5 minutos nos mesmo 20C. A imagem em ISO 3 ficou bem parecida com o fotograma ISO 0.18 do LC-1b, já o fotograma em ISO 0.37 ficou razoável, apesar dos poucos detalhes nas baixas luzes e do contraste exacerbado. É o fotograma que aparece escaneado abaixo, o céu azul aparece negro, as sombras dos prédios perderam todos os detalhes.

Sobraram ainda 5 rolos para testes, estou pensando em tentar melhor o LC-1b, aumentar a concentração, tentar melhorar um pouco a densidade em ISO 0.18 ou abrir mão do filtro vermelho. No balanço, apesar do corte dos filmes não ficar primoroso, eles correram bem pela câmera e carregaram bem na espiral, soltaram um pouco durante o processo, mas nada grave.

Apareceram algumas manchas na imagem, talvez o filme tenha ficado manchado pelo mofo ou pelo tempo guardado, indo mais para o meio do rolo deve ajudar.

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Pesquisas

Recentemente numa conversa com o Claudio fui reapresentado ao conceito de aceleração de filme colorido, acabei me lembrando de outra coisa que eu sempre quis fazer que era revelar os filmes cromos como p&b para obter negativos e falamos disso um pouco também. Depois fui vasculhar a rede e achei duas coisas relacionadas, a primeira a publicação da Kodak a respeito disso e a segunda esse pequeno post na Apug que conta uma outra maneira de fazer isso.

Aceleração, viragem sépia e essa solução para o E-6 revelado em processo p&b tem uma coisa em comum, a imagem é branqueada totalmente e re-revelada. Vou ver se tento essa solução e desenvolvo um processo p&b bacana para os cromos que tenho aqui. Enquanto isso fica aqui uma dica para saber como faz a aceleração do filme cromo (E-6) no item 22.07 desse link aqui.

Outra coisa que andei olhando foi como fazer para usar filmes infravermelhos de imagesetters. Vasculhei fórums e acabei achando esse post no Photo.net que dá um ISO e um filtro para usar o filme. Nossa, isso é muito valioso, primeiro porque diz que a coisa funciona, depois porque já dá alguma idéia do que fazer. O cara ainda dá o revelador e o tempo para controlar o contraste, fica fácil começar. Estou pensando em refilar o filme desse que eu tenho e colocar num papel/bobina de filme 120. Será?

Outro filme interessante que apareceu é um LD da IBF, um filme litográfico do tipo Luz do Dia. Pelo que entendi de alguns links ele é um filme sensível a UV que pode ser manuseado em ambientes iluminados exclusivamente por lâmpadas fluorescentes que não emitem UV. Hummm. Será ele tão pouco sensível a ponto de não ser possível usar em uma câmera de grande formato? A IBF não tem mais nada sobre filmes no seu site, mas vasculhando a rede encontrei um figura nos EUA que revendia IBF e que ainda tem descritivos no site dele. Dá para comparar com os filmes UR e PSD que eu conheci.

Osasco em Lith

Em 1996 comecei a fotografar algumas pessoas, umas 5 ou 6, que sobreviveram à explosão de um shopping na cidade de Osasco, SP. Segui a vida de 3 desses durante um período bem longo, de 3 anos. Fotografei com os filmes que eu pude comprar, que na época eram preto-e-branco. O trabalho foi sendo construído e eu o apresentava com fotos com uma escala tonal comum (como as que eu comentei num post anterior). Em 2000 eu ganhei um envelope de papel positivo para ser usado na indústria gráfica. Acabei fazendo uma espécie de releitura do meu próprio trabalho, brincando com um contraste mais acentuado, interferências físicas na imagem. As imagens perderam o ar de fotografia documental que elas tinham, o que deixou algumas pessoas incomodadas, mas ganhou outras informações.

A foto de cima é a Gil superando a escada da entrada da casa dela, quando ela finalmente voltou a andar. Já esse beijo foi a última foto que eu fiz dela. Era sinal de que ela tinha superado as 33 cirurgias e o ano e meio presa a uma cama e recomeçado a vida, encontrado um amor.