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Pós-Graduação em Fotografia na FAAP

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Pós-Graduação em Fotografia na FAAP

Faz algum tempo que Rubens Fernandes Junior teve a idéia de criar na FAAP um curso de Pós-Graduação em fotografia, reunindo amigos e parceiros que já trabalham juntos em outros projetos. A proposta foi amadurecendo em pequenas rodas de conversa, os temas emergentes foram sendo apontados e o quadro de professores foi se definindo. A idéia se concretizou quando Georgia Quintas se juntou ao grupo, trazendo também uma boa experiência como coordenadora e professora em cursos nessa área.

O curso foi pensado para aqueles que já praticam a fotografia, que desejam dar maior profundidade conceitual aos seus projetos e, ao mesmo tempo, torná-los viáveis em nosso circuito cultural. Para isso, o programa passa pela história, pelas teorias estéticas, pela análise do mercado do audiovisual, pelo convite à experimentação e, claro, por muita convivência com as imagens. Como foco, há uma especial atenção aos novos caminhos da fotografia documental, que envolve diálogos com outras linguagens, sua difusão pelas redes, uma forte penetração nos espaços dedicados à arte contemporânea, e uma redefinição de seu papel de memória.

Entre os professores e palestrantes, muitos nomes conhecidos: Antonio Saggese, Rosely Nakagawa, Armando Prado, Kenji Ota, Ronaldo Entler, Livia Aquino, Helouise Costa, Fernando Fogliano, Cecília Salles, Sergio Burgi, Millard Schisler, Guilherme Maranhão, Marília Palhares, Humberto Pereira, João Guedes.

Também estão previstos workshops e palestras com Iatã Canabrava, Fernando de Tacca, Alexandre Belém, Cia de Foto e Coletivo Garapa.


Informações – Site da FAAP:
http://bit.ly/pos_foto

 

INSCRIÇÕES:

Rua Alagoas, 903 – Prédio 2 – Higienópolis
(11) 3662-7449 | pos.atendimento@faap.br


INÍCIO: 28/03/2011

CARGA-HORÁRIA: 360 horas (cerca de 20 meses)


OBJETIVOS

Refletir sobre as novas perspectivas de uso da fotografia na comunicação social e nas ciências humanas. Discutir as dinâmicas das novas tecnologias na produção da imagem. Refletir sobre a presença da fotografia no mercado da comunicação e da arte. Desenvolver o senso crítico na interpretação da imagem fotográfica. Estudar métodos de gerenciamento de arquivos digitais e de conservação de acervos fotográficos. Estimular a prática experimental da fotografia documental.

PÚBLICO ALVO

Artistas, fotógrafos, jornalistas, agentes culturais e pesquisadores interessados em aprofundar a compreensão das teorias e da história da fotografia, e em atuar num campo experimental da fotografia como forma de comunicação e documentação.

PROGRAMA

Módulo 1

  • Expressão Fotográfica: Movimentos e Conceitos
  • Documentação e Novas Tecnologias
  • História da Arte
  • Acervos Fotográficos: Conservação e Memória
  • Estética I

Módulo 2

·     Teorias da Imagem I

  • Estética II
  • Tratamento de Imagem e Organização de Arquivos Digitais
  • Investigação Experimental em Processos Fotográficos
  • Perspectivas Documentais na Arte Contemporânea
  • Produção Científica
  • Tópicos Especiais

Módulo 3

·     Antropologia Visual

  • Teorias da Imagem II
  • Crítica Fotográfica
  • Mercado e Projetos Culturais
  • Curadoria

·     Portfólio

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Solargraphy #1

Depois de duas semanas…

solar02post

A exposição foi pouca (seguindo as dicas do Tarja a exposição deveria ser de 3 a 6 meses, mas eu tava muito curioso). O Sol pode ser visto ali no pequeno espaço que se vê da janela de cima, pontinho amarelos. Os pontinhos brancos pela área mais escura da imagem são sujeira mesmo.

Solargraphy • teste

solar

Uns dias atrás falei do projeto Solargraphy de Tarja Trygg. Inspirado nas dicas que ele dá no site dele preparei uma câmara formato 5×7″ com um pedaço de papel P&B fibra dentro (Ilford Gallerie, G3, vencido). E a câmara está ai, imóvel, desde o dia daquele post (28/10/09).

O tempo virou aqui em Sampa, o Sol abriu e nos últimos dias o céu esteve assim, completamente azul. Isso foi ótimo para por em dia uns projetos fotográficos e deve estar causando uma velatura bacana no papel dentro da câmara.

Coloquei o diafragma em f/45 e colei um filtro polarizador por cima da lente para diminuir um pouco mais a intensidade de luz. Apontei a câmara para o poente. Tive o cuidado de fazer uma limpeza especial da janela logo a frente da câmara, que estava imunda.

Quarto escuro

Primeiro havia recebido do André, agora de Mariana, é o link que coloquei ao lado sob o nome: Richard Nicholson Darkrooms. O fotógrafo realizou um ensaio fotografando o interior de laboratório fotográficos de impressão na cidade de Londres. Vale a pena ler o texto, nostálgico, uma ode ao ampliador fotográfico, que o autor considera uma das obras-primas da indústria moderna.

O fato é que o ensaio, o texto, as fotos, os ambientes retratados me fizeram partir para uma série de idéias, nostálgicas ou não, que se combinaram com a dificuldade que passo agora para adquirir tiossulfato de amônia, matéria-prima do fixador fotográfico rápido (segundo Anchell, o único seguro para filmes contemporâneos, blá, blá, blá).

O texto de Benjamin, “A Obra de Arte na Era da sua Reprodutibilidade Técnica”, iniciado em 1936, publicado em 1955, fala dos efeitos da fotografia, das gravações sonoras e do cinema na arte. Enfim, o texto fala de mudanças fortes, duras, permanentes. A Era Digital por sua vez trouxe inúmeras mudanças para nossa noção de arte, um texto como o de Benjamin provavelmente será escrito daqui uns anos, quando tudo parecer mais claro.

Richard Nicholson fotografou uma cena desse drama de mudanças. Se falássemos da Megera Domada e a fotografia fosse Kate, quem seria Petrúquio?

Os quartos-escuros das fotos, sua decoração e seu conteúdo falam de um ritual que ocorre dentro deles: homens e mulheres imaginam (visualizam segundo Adams) os efeitos de papéis e químicos, deixam que suas mãos dancem do caminho da luz, sentem o cheiro do ácido acético, ouvem música, procuram ver na luz rala. Não há como comparar o resultado de uma sessão de laboratório com uma sessão de inkjet. Uma pena que a Era Digital vai impor o inkjet até para muitos trabalhos que ficariam melhor numa cópia feita pela mão do artista com sais de prata.

É certo que vão surgir outros rituais (esses incluindo a inkjet ou o que vier) e esses serão os nossos rituais daqui para a frente. Uma pena que não serão no escuro.

Frases

“Toda obra de arte é, de alguma maneira, feita duas vezes. Pelo criador e pelo espectador, ou melhor, pela sociedade à qual pertence o espectador.” Pierre Bourdieu

“A arte é uma mentira que nos faz compreender a verdade.” Picasso

“Um sentir é do sentente, mas outro é do sentidor.” Guimarães Rosa

“Para viajar, basta existir.” Fernando Pessoa

“Quando alguém aponta para a Lua, os estupidos olham para o dedo.” Provérbio Tibetano