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Ateliê

O ateliê tem que estar dentro de você, disse o professor Wladimir um dia. Viajei onde nascem as gravuras dele e imaginei o que seria o ateliê que ele imaginava naquele momento. Desde esse dia vejo as mudanças que faço no meu ambiente de trabalho como reflexo das mudanças que ocorrem no meu fluxo de trabalho.

Troquei uma grande mesa por duas estantes, uma mesa menor e mais espaço no chão. O que será que isso quer dizer?

Intencionalidade e Comprometimento

É um emaranhado de coisas. Hoje uma visita ao meu ateliê me fez pensar em toda a complexidade que há nessa história de intenção e resultado, seja na feitura de uma imagem, seja nas escolhas em uma carreira de artista.

Às vezes os resultados surgem nas fontes mais inusitadas. E tem sido um caminho longo até chegar a certos lugares. Tantas coisas outras que tem que ser feitas antes das que realmente queremos fazer.

Pensei muito no filme Santiago. De um dos Salles. De como fiquei feliz quando o filme acabou e não tinha nenhum logotipo de nenhuma empresa, de nenhum orgão federal. Aquele filme é dele, do João. Bom, é verdade que eu não tenho nem pai diplomata, nem avô barão, mas com a sucata eu viabilizei algumas imagens sem o logo do MinC no verso. E o João não fez o filme assim de bate-pronto, levou um bom tempo, para juntar a energia suficiente para pô-lo em movimento. Parece que a coisa funciona assim, tudo tem seu tempo, cada foto, cada trabalho, cada ensaio, cada série, cada exposição, cada publicação, cada contato, cada amizade, cada solução, cada impressão.

E a gente tem que perceber que nós somos um, nosso trabalho é outro, cada um a sua velocidade, cada um tem seu alcance.

Rumos

Foi uma boa limpa que rolou aqui nesse último mês. Muita coisa foi parar em mãos mais hábeis que as minhas, outras coisas novas apareceram por aqui.
Foi um mês de concretizações de planos antigos e de conquistas inesperadas.
Planos para novas investigações não faltam: descobri que há uma enormidade de programas livres rodando em Linux para transformar arquivos RAW em outras coisas (jpgs e tiffs). Preciso saber como isso se dá (sem SSE2).
Andei lendo muito também sobre as novas experiências de instalar o Tiger nos PCs montados. Uma pequena revolução.

Escaneei negativos das viagens ao Pantanal em 1997. Como eu revelava mal meus filmes. O G3 tunado lidou muito bem com os Tiffs de 25 MB.
O caboclo-limpador esteve por aqui, a limpeza foi boa. Abrindo espaço para outras coisas que estão por vir.
Fui ao centro escanear a paisagem urbana. A bateria tinha entrado em curto e meu scanner nem ligou. Frustação típica das coisas improvisadas.

Essa foto fica aqui na parede ao meu lado. Vai fazer um ano que ela e eu estamos aqui. Me cansei da arrumação da sala, mudei os móveis de lugar. A imagem, dela ainda não me cansei, volta e meia meus olhos percorrem suas linhas erráticas e encontram detalhes que eu ainda não havia percebido, rostos distorcidos, pequenos reflexos inusitados.