A história desse blog

Esse blog nasceu em Junho de 2005 quando eu começava a pensar no TCC do curso de bacharelado em Fotografia. Comecei pela plataforma Blogspot e mantive o endereço apenas para mim, eram notas para o texto.

O texto do nasceu da idéia de consolidar os relatos de processo que eu tinha escrito até então. Esses relatos eram desde colunas que escrevi para o Fotosite até artigos para o portal Fotopro. O assunto de cada um era sempre alguma quebrada ou estragada que eu tinha dado um jeito de usar para criar imagens. Juntei todos, expandi. Depois comecei a escrever sobre o ato de reaproveitar essas coisas fotográficas e procurar referências para ajudar num diálogo.

O texto ficou pronto, o orientador não me colocou nenhum empecilho muito grave, fui para a banca e me tornei bacharel no fim daquele ano.

Um tempo mais tarde, exportei e migrei para WordPress e dai comecei a incluir o endereço do blog em outros lugares. Comecei a publicar notas e fotos dos processos com os quais estava envolvido. Nunca tive compromisso com o blog, nunca tive muito público também. De certa forma o blog continuava sendo um exercício interno de anotar etapas, descobertas e frustrações do caminho.

Em diversos momentos pensei em mudar do português para o inglês. Mas me perguntava o que de bom os page views poderiam trazer também. Dai continuava em português.

Reler o texto do TCC foi se tornando cada vez mais incômodo. Os anos passam e a gente vai entendendo algumas coisas. Cada vez que reli, pensei que seria legal retomar o texto, rescrever diversas passagens, expandir outras, adicionar os artigos que vieram depois. Contas mais histórias.

Em 2019 finalmente me vi numa situação em que a insônia foi de encontro a esse antigo desejo. Comecei juntando tudo que eu já tinha escrito depois que se assemelhava em gênero e depois fui reordenando. Fiz diversas pausas, retomei mais tarde depois que já estava em Portugal. Com as restrições impostas pela pandemia, recentemente cheguei num momento em que posso dizer que reli e revi todo o texto.

Não está nada pronto, mas não me incomoda o texto tão ferozmente quando antes, só um pouco. Ainda existem histórias que estão faltando, mas já consigo imaginar uma nova etapa para tudo isso que contei aqui no blog e nos artigos por ai. Vou começar a desenhar um livro digital que possa ser baixado através das plataformas mais comuns. E torcer para o texto fazer mais e mais sentido.

Tentando entender o papel da fotografia analógica nos dias de hoje

Essa semana eu consegui ir ver algumas das exposições dos Encontros da Imagem de Braga. Muita coisa interessante de ver, mas poucas que realmente tocam meu coração.

Uma exposição em especial me atraiu pela imagem nos banners pela cidade e me chamou atenção com sua delicadeza e simplicidade.

Essa exposição de Carlos James Reeder tem apenas 14 imagens em tamanho A3+ (talvez). A montagem em si é simples, as molduras metálicas contem as fotos sem passe-partout. Finos cabos de aço prendem as molduras a barras no topo de divisórias já cheias de história e marcas de diversas exposições anteriores. O texto é um pouco pequeno, ou meus olhos estão um pouco velhos.

As molduras tem marcas também, isso incomoda um pouco a fruição do trabalho. O trabalho de impressão é preciso e o mesmo tom do fundo ligeiramente off-white está em todas as imagens, isso colabora muito para a sensação de união entre as imagens e fala imenso do trabalho envolvido na produção dessas 14 imagens.

As imagens mostram uma série de objetos em diversas camadas. As camadas por sua vez são criadas tantos pela disposição dos objetos no espaço do estúdio como pelo desfoque da objetiva da câmera. No plano de foto é possível até ver os detalhes da trama offset dos objetos impressos. Essa trama se confunde com o grão das imagens em alguns momentos. O assunto das imagens escolhidas para compor os objetos dentro das imagens contém ciência, tecnologia, trabalhos manuais. As composições são variadas e mantém um ritmo agradável na exposição. Não há um ponto de início e um ponto final, não falta intencionalidade ao trabalho também.

Peço licença para questionar duas frase desse texto. Não acho que as imagens sejam descontextualizadas aqui, mas sim recontextualizadas. Será que os adjetivos “disjointed and disorienting” não são um tanto pejorativos aqui? Será que subestimam a capacidade do observador de perceber o trabalho à sua maneira. Me parece que o artista já coloca suas intenções no texto até aquele ponto, ao chegar a essas duas frase, há um movimento de retração, um questionar o que foi dito.

Esses pequenos detalhes no texto me deixaram bem irritado naquele momento. Senti que aquilo queria estragar a fruição do trabalho, uma força que queria negar que eu tinha percebido do trabalho, começando por negar a intenção do trabalho. Talvez eu esteja pegando pesado demais…

Um inkset colorido para uma R3000 abandonada

Há uns dias apareceu por aqui uma Epson R3000 que estava parada por pelo menos um ano, depois de muito pouco uso ao longo dos seus 10 anos de vida. Ela ligou, o que é bom. Um cartucho (PK) está vazio, então não há muito que se possa testar do seu funcionamento.

A R3000 usa o inkset Ultrachrome K3 com as seguintes cores: Photo Black, Matte Black, Light Black, Light Light Black, Vivid Magenta, Light Vivid Magenta, Cian, Light Cian e Yellow.

Minha idéia para recuperar essa impressora era:
• conseguir uns cartuchos recarregáveis pelo Ali Express
• encontrar tintas pigmentadas na cores Preto, Magenta, Cian e Amarelo
• diluir as tintas como fiz com a diluição do carbono criando assim as faltantes

Consegui com um printer local uma série de cartuchos abandonados, entre eles esses da foto que estavam vencidos desde 2000. Busquei informações em diversos canais sobre eles e descobri que eram mesmo de corante, não de pigmento. Inclusive um colega num fórum sobre impressoras diz que essa tinta eram muito sensível ao ozônio e havia um papel Epson específico para fazer a cópia durar mais. Ou seja, meio complicado de reproduzir hoje em dia.

Os outros cartuchos, parciais dos que são usados na Epson 11880, devem servir para Cian, Magenta e Preto. Ainda falta um amarelo, mas a busca continua.

Novos textos sobre a tinta de carbono feita em casa

Já no ar a segunda parte da série sobre tinta de carbono nas impressoras inkjet. Nessa etapa conto um pouco das tintas feitas em casa e de como configurar isso no computador: https://efecetera.com/tutorial/jato-de-tinta-de-carbono-parte-2/

Se ainda não tinha visto essa série de experimentos, foram impressoras Epson 4900 e 1400 que eu converti para usar com tinta de carbono.

Recentemente inclui na barra lateral alguns links para meu conteúdo nos sites Efecetera, PetaPixel e Emulsive, também servem para localizar esses textos entre diversos outros.

Carlos Moreira no Foco Crítico

Carlos Moreira nos deixou no início de Junho de 2020. Naquele dia, acabei compartilhando de bate-pronto esse vídeo pelo Facebook, uma breve entrevista no Foco Crítico em que falamos das cópias da exposição no Valongo em 2016.

O vídeo é uma rara oportunidade de ouvir ele falando sobre as cópias que ele produziu nos anos 80, suas preferências de papel e tamanho de cópias.

Começando a olhar para Portugal

Comecei a editar algumas imagens dos últimos meses, lentamente olhando para Portugal, em especial Braga.

Com a chegada do verão, os rios passam a aparecer mais nas fotos…

E agora tenho uma janela virada para Leste, assim de vez em quando, vejo a Lua nascendo no início da noite.

Emulsive • Nikon FE adaptada para fotografia de fenda

Saiu no Emulsive um artigo que escrevi sobre minhas experiências de fotografia de fenda com uma Nikon FE e a traquitana do Claudio Machado:

https://emulsive.org/articles/projects/as-a-roll-of-film-moves-across-the-film-plane-making-a-slit-scan-camera/

A tal da equalização de cores

Um dia nesse mês passado rolou uma discussão num grupo de Facebook voltado para o mundo da fotografia analógica. O assunto eram as cores presentes nos scans de negativos coloridos e esse texto a seguir é baseado num comentário que deixei por lá:

Para começar, o que mais vemos aqui no grupo são arquivos digitais criados a partir de negativos coloridos. Todo scan de um negativo colorido é uma interpretação, já que a base marrom/laranja está lá para facilitar a ampliação em papel colorido e o scanner precisa ignorá-la. E ignorá-la significa decidir onde ela começa e acaba para poder subtrair esse tanto de luz marrom/laranja do arquivo final.

Como é que o scanner faz isso?

Bom, uma vez que o scanner faz um preview da imagem, ele analisa os 3 canais (RGB = vermelho, verde e azul) e sugere de cada canal qual parte do histograma ele vai usar. Para compensar a base marrom é normal usar toda a informação presente no azul, um pouco menos no verde e bem pouca no vermelho (que terá mais informações). Esse uso desigual da informação dos canais é a parte mais importante do momento “scanner” e a maioria das pessoas deixa isso a cargo do software, que faz uma análise matemática da situação. (Num scan de cromo, o uso dos canais, em geral, é por igual, já para negativos é sempre desigual).

Essa modificação de quanto será usado de cada canal de cor é chamado equalização de cores, porque você pega um negativo que tem canais desiguais e equaliza. Imagine que o som está muito agudo e você está usando o equalizador para poder ouví-lo mais grave. No software Epson Scan, por exemplo, é muito fácil localizar um painel para fazer a equalização (por isso eu gosto tanto desse software).

Se a equalização foi feita corretamente, as sombras ficarão pretas e o branco ficará branco. Se a equalização não estiver ok na sombras, as sombras ficaram esmaecidas e podem puxar para uma cor. Em geral, nossos olhos resolvem melhor quando as altas luzes puxam para uma cor, mas quando é nas sombras ficamos confusos.

Repensando São Paulo

Tenho aproveitado esses dias longe das ruas para repensar as imagens que eu já fiz. tenho diversos conjuntos de imagens ligados a um evento específico ou a um processo específico. No entanto, de 1992 a 2019 eu fotografei São Paulo. Algumas semanas mais que outras, no mínimo uma fotografia pela janela de uma nuvem que aparecia no horizonte.

Comecei a organizar numa pasta algumas cenas internas e externas que representam um jeito de olhar para todos esses anos interagindo com essa cidade. A idéia é imprimir um mini-portfolio que caiba numa caixa 15x21cm, de papel Matt Fibre e tinta de carbono.