Nasa Perseverance • Pasta com imagens não processadas

A Nasa já publicou mais de uma centena de imagens não processadas da missão que acaba de chegar a Marte:

https://mars.nasa.gov/mars2020/multimedia/raw-images/

E se você quiser saber onde está o rover Perseverance, se liga nesse mapa interativo (a propósito, ele só deve começar a se movimentar na semana que vem):

https://mars.nasa.gov/mars2020/mission/where-is-the-rover/

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Foi mesmo um susto

Há 20 anos, o que ficou desse dia foi um belo galo na cabeça, um medo profundo de andar de carro perto dos zero graus centígrados e minha Hasselblad quebrada. A bolsa não estava bem fechada e ela saiu voando pelo carro, back e lente foram arrancados do corpo que ficou amassado na lateral e nunca mais funcionou.

Ainda era viável fotografar e revelar filme positivo. Algumas digitais estavam aparecendo com preços mais convidativos, mas nada que se comparasse à beleza de um slide bem revelado. Dois anos depois eu faria o último rolo de filme positivo revelado em E-6 e passaria a fazer todos os trabalhos cor em digital e filme negativo (que o minilab já escaneava). E ainda se passaram muitos anos até que eu tivesse um scanner capaz de trazer para o mundo digital as linda cores dos slides que eu fiz antes de 2003, mas isso é só história.

Desses slides que sobraram dessa época, lá por 2019 eu selecionei um conjunto de 48 imagens. Foi mesmo um número arbitrário, as cartelas de slides que eu tinha eram para 24 slides, eu achava que uma seria pouco, achei que duas seria suficiente. Era um apanhado geral de pastas de slides, não eram as melhores imagens, era apenas uma sequência interessante com coisas que eu jamais mostraria por qualquer outra razão.

Fez muito sentido criar aquela sequência naquela hora. Fiquei com aquela sensação que o sentido iria desaparecer, mas ele insistentemente está ali ainda. É verdade que são imagens que eu mesmo vi muito pouco e elas ainda me causam estranhamento. Coisas que eu vi muito pela lupa, apenas. É verdade que são coisas e lugares que tocam o coração. Eu era jovem. Quero acreditar que há algo mais ali, algo que outras pessoas possam desfrutar. Existem algumas pessoas indiferentes andando pela cidade, algumas pessoas esperando, existem uma sensação de busca, uma procura.

E ter restaurado a impressora colorida, abriu portas para várias idéias que estavam guardadas à espera de dias em que imprimir fosse mais fácil, agora é a hora.

Novos texto sobre tintas inkjet e suportes reaproveitados

“Desde minhas experiências com as tintas a base de carbono que eu imagino que seria possível fazer algo parecido com tintas coloridas também. As tintas a base de carbono, como expliquei naquela série de artigos, tem a grande vantagem de ajudarem a desentupir canais já aparentemente comprometidos e de não necessitar de todos os canais/cores, ou seja, podem ser usadas com impressoras que de fato tem canais por onde não passa mais tinta.


Minha curiosidade dependia então da impressora certa aparecer, nas condições ideais. Em 2020 ganhei uma impressora. É uma Epson R3000 que seria descartada e que tinha alguns cartuchos ainda com tinta e alguns vazios. Ao tentar ligar a impressora, ela imediatamente reclamava do cartucho PK vazio e parava ali.
Me pus a pensar em como comprovar se ela ainda estaria apta a funcionar, sem incorrer em gastos. Meu orçamento era bem pequeno, teria que completar com a minha paciência.
Comparei preços dos cartuchos que faltavam com kits de cartuchos recarregáveis vindos da China, considerei as etapas seguintes…”

O resto do texto está disponível em: https://efecetera.com/tutorial/impressao_inkjet_com_tintas_reaproveitadas/

Outra maneira de encontrar esses conteúdos é pela barra lateral aqui do blog. Criei links para meu conteúdo nos sites Efecetera, PetaPixel e Emulsive.

Um dos planos para o futuro

Queria escrever aqui sobre as idéias passadas e presentes sobre a fotografia. Escrever tem sido a atividade mais adaptável a esses tempos. Nada mais perfeito para um dia trancado em casa, de folga, no meio na pandemia, enquanto lá fora está frio, chuvoso e virulento.

A impossibilidade de causar aglomerações e até pequenos ajuntamentos realmente bagunçou meus planos com a fotografia. Outra coisa que dificultou muito foi o peso e o volume dos meus trabalhos e simplesmente não poder trazê-los comigo. Acho que minhas idéias para esse futuro, que agora é presente, contavam com isso, poder juntar pessoas, poder ter aqui minhas cópias e impressões do passado, meus negativos, etc.

Talvez essa situação pandêmica simplesmente seja o que dá esse enorme desânimo, que eu tenho certeza que todo mundo está sentindo. E no meio disso, presumo ser normal uma série de questionamentos sobre tudo que fiz e tudo que me trouxe até aqui, questiono até os posts nesse blog.

Recentemente, me foi apresentado um artigo de Carmen Dalmau na revista online LUR, do qual extraio um breve trecho:

“Podemos hablar en un sentido estrictamente académico del fin de la fotografía, entendido como el relato hegemónico de la fotografía como continuación de la pintura para ser la mimesis del mundo. Ahora tenemos una interesante imagen del mundo corrompida, sublimada, alterada, recreada, fragmentada, apropiada.

Algunas reflexiones sobre la fotografía actual se han instalado en dilemas como fotografía analógica o digital, fin de la fotografía o posfotografía, todos ellos centrados más en la técnica y en la formalización de la imagen y prestando menos atención al relato.

Asistimos a un cambio de época, de modelo, y quizás de paradigma, que afecta a la creación visual tanto como a la danza, las artes performativas, las dramaturgias, y a las perspectivas y enfoques en los contenidos del relato.”

Olho para os mais de oitocentos posts desse blog aqui, é fato que os dilemas são quase totalmente técnicos. Há sempre um relato que se pretende fazer com as imagens que frutificam dessas pesquisas e descobertas que eu conto aqui, mas o blog nunca foi o espaço que escolhi para discutir esses tais relatos até mais recentemente. Fiquei feliz de encontrar essa passagem nesse artigo, senti que minha implicância e questionamento com meus próprios escritos estava espelhada ali.

Discutir a técnica fotográfica é cativante, gera alguns cliques, permite criar parágrafos curtos e objetivos além de ter a sua importância. Discutir os relatos pretendidos com as imagens é um tanto mais difícil, não acredito que seja possível ser tão objetivo em palavras, e pode trazer situações em que não se pode argumentar, defender, ou discutir, algumas crenças simplesmente são. Crenças podem mudar com o tempo, mas no presente, durante o ato da foto, ou da escrita, ali elas simplesmente são.

Mas ficou claro, preciso escrever mais sobre as escolhas não-técnicas na minha fotografia.

Uma imagem dentro da imagem dentro de outra imagem…

Estava olhando alguma rede social quando fui encontrado por um anúncio de um festival de fotografia. Era para um Open Call de uma exposição. Dessas que tem que pagar para participar até da seleção, era triste demais e fora das minhas posses. Mas tinha um texto propositivo e inspirador. A idéia era produzir algo no lugar onde passamos mais tempo durante a pandemia, no nosso quarto ou na nossa mesa de trabalho em casa. Aquilo me encheu de idéias, apesar de eu não ter a menor intenção de participar da seleção.

Comecei escaneando meu rosto, de modo que a minha respiração ficasse registrada no vidro do scanner que estava gelado.

Depois abri o arquivo no computador, com cuidado pintei o nome da marca do computador para não aparecer e fotografei com uma DSLR. Deixei o celular ao lado para já anunciar o que viria. Na imagem seguinte, abri a webcam do computador cujo monitor aparece ao fundo.

Nos reflexos da tela aparecia eu também, enquanto fotografava a tela com o telefone. A fita azul que meu filho usou para decorar o teclado do outro computador já ia tecendo um padrão.

Parei para atualizar o Ubuntu Studio e abri a primeira imagem no celular também. Fotografei com um outro smartphone. Comecei a usar algumas coisas que eu achei no lixo daqui, esse era um smartphone THL 5000.

Um tratamento PB com contraste reforçado foi necessário para fazer um print em carbono que iria figurar na próxima imagem. Postei esse teaser no Insta.

Depois que o print estava seco, uns dias mais tarde, com um LED para equilibrar a luz, fiz essa imagem e depois a seguinte. O contraste ficou muito marcado nos olhos gerando um banding que eu não curti. O enquadramento ajudou a compor, esconder, sem ter que voltar atrás.

Consegui mudar a estrutura da imagem que caminhava para a parte da esquerda e devolver para o centro. Dai fiz diversas tentativas para incluir a tela espatifada de um smartphone Asus, até que cheguei nessa imagem.

Esse Asus veio de um local de descarte de eletrônicos aqui da cidade. Era impossível usar o Asus para fotografar, a câmara deixava a imagem amarelada e contrastada demais. Já o modo HDR destruía os detalhes da imagem.Mas me seduzi pela idéia de usar a tela rachada. Seria uma nova camada inesperada para a imagem. Então usei o bluetooth para mandar a imagem para dentro do smartphone, abri a imagem na tela cheia e fotografei com outro smartphone.

Enquanto editava esse post cheguei a fazer essa brincadeira.

Continuei a editar o post e vou continuar e aprofundar a imagem.

Em busca de uma solução para misturar cores, anos, assuntos

Da Wikipedia: https://en.wikipedia.org/wiki/R%C3%A9veillon

Comecei a pensar nesse livrinho sobre os Réveillons em 2016. Eu já tinha o hábito de registrar em imagens o feriado da virada desde 1993. Organizei uma pasta com esses negativos, escaneei tudo, tratei. Depois achei os anos em que tinha fotografado em digital, juntei tudo.

Nunca tive um jeito certo de fotografar, nem escolhia exatamente o assunto. Só fiz isso no primeiro, dia 31 de dezembro de 1992. Sai de casa lá pelas 21h e fui ver quem estava nos botequins do bairro. Fiz um rolo de Tri-X puxado nessa noite. Nos anos seguintes simplesmente fotografava o que estava ao meu redor. Dia 31 de dezembro de 1996 estava em Piracicaba, voltava do supermercado com um amigo, com os itens da ceia. Nos deparamos com uma rua que tinha sido inundada pela chuva da noite anterior. Os morados estavam fazendo o rescaldo.

Existem infinitos réveillons, às vezes a vida simplesmente acontece durante a virada do ano, por mais que a intenção seja parar, refletir ou celebrar.

Minha grande questão agora é como editar todas essas pequenas histórias e fotos únicas num livro. Minha primeira tentativa foi juntar duplas de imagens que conversassem entre si e compor essa sequência de duplas independente de cronologia ou de quantas imagens representam quais anos. Me pego implicando com as diferentes proporções dos negativos ou arquivos, me pego implicando com fotos coloridas justapostas a fotos monocromáticas.

Queria encontrar outras referências de livros que também contém diferentes momentos, visualidades dispares, convivendo em harmonia lado a lado.

Inkset colorido feito em casa na Epson R3000

Essa história começou em Agosto de 2020, chegou aqui uma impressora Epson R3000 que tinha uns entupimentos. Me ocorreu de tentar fazer um inkset colorido improvisado em casa, usando a diluição do Carbono como exemplo e tintas vencidas ou de outros fabricantes como base.

Cheguei a fazer um post em Setembro de 2020 sobre essas idéias. Tinha conseguido umas tintas vencidas. Depois fiquei esperando a tinta amarela chegar da China. Isso só aconteceu entre o Natal e o Ano Novo. Então, no dia 31 de dezembro, aproveitando a tranquilidade que reinava na casa, fiz um primeiro teste.

Misturei a base usada para diluir o carbono e carreguei os tanques tipo CISS que eu instalei na R3000. A base foi usada para fazer o Light Cian, o Light Magenta, o Light Black e o Light Light Black. O Light Cian diluiu e ficou bem depois de 24h. O Light Magenta apresentou alguma separação. O pior foi o LLK, esse não misturou bem mesmo e algumas horas depois já estava separando.

De qualquer maneira, segui em frente. Ao ligar a impressora dessa vez, veja que já tinha usado os cartuchos com líquido de limpeza para um teste curto, a impressora ficou puxando tinta um bom tempo. Imagino que estava cuspindo a tinta parada na cabeça.

Eu tinha providenciado o software de manutenção para fazer um ink charge, mas deixei de lado. Pude ver a quantidade de tinta que foi puxada pela mudança no nível dos tanques.

Ainda tive um pequeno susto, perfurei um dos tanques internos e muita tinta se esvaiu para dentro da impressora. Fiz um reparo temporário e continuei.

Fiz algumas cópias com um papel genérico e brilhante, mas não tenho certeza de que a tinta nova já chegou à cabeça da impressora. Parece que ainda estou usando a tinta que estava parada lá dentro. Em algum momento será possível expelir toda a tinta velha e o líquido de limpeza, e dai sim chegar à tinta nova.

Encomendei novos tanques para poder parar de usar o que foi perfurado. Agora vou atrás de um papel fosco que eu possa usar nesses experimentos.

Caminhar por dentro das nuvens e numa cidade de outros tempos

Chegamos lá em Cunha de ônibus. Logo ao amanhecer ele parou na porta de uma padaria, que perfeito! Esperamos o pão chegar quentinho e tomamos café, na rua, no frio. Depois começamos a caminhada, que era morro abaixo.

Aos poucos, o Sol foi varrendo a névoa e queimando a gente, mais e mais. Chegamos nesse canto com umas construções abandonadas, não faltava luz. Eu tinha trazido um tripé, sonhando em achar um rio caudaloso para transformar em névoa. Foi em vão, o tripé ficou no ombro a caminhada inteira. Virou chacota quando perceberam quão pesado era aquele objeto inútil.

No pé do morro, no fim do dia, esperávamos o ônibus que nos levaria para a pousada. Vi essa família esperando do outro lado da estrada. O dia acabando e o tédio da espera. Estava orgulhoso da minha 135mm f/2.8 da Vivitar, que porcaria de lente.

Na manhã seguinte já estávamos em Paraty para passear antes de retornar. Uma volta pela cidade e um passeio de barco. O dia acabou.

Essa viagem não era algo cotidiano, lembro de estar afoito, querendo transformá-la em imagens importantes. A própria idéia de levar o tal tripé era algo assim, um desespero, da idade. A idéia que me atrapalhou mais do que ajudou. Uma boa reflexão para se fazer no último dia desse ano.

Nostalgia com os labs

O primeiro foi num quartinho dos fundos na casa da minha mãe. Acho que essa é a única foto que ainda tenho dele. Detalhe para o corte que fiz no tampo da mesa para poder fechar a porta do lab.

Depois cheguei a ter um por uns tempos na minha casa, ele foi desmontado e montado novamente quando voltei do ateliê com o lab. É confuso, mas mostro esse depois.

O seguinte foi quando morei no Canadá, ele era num canto da cozinha. Um tecido bege cobre as coisas nas prateleiras, mas não esconde a bagunça. Gosto de como a coluna do Elwood quase bate no teto.

Depois veio o ateliê na Tabapuã, esse foi o mais espaçoso e sensacional que eu já tive, uma pena que durou tão pouco. Mas foi bem aproveitado, fiz algumas cópias grandes lá e consegui padronizar a revelação de filmes, juntei mais tranqueiras e deixei ele bem cheio.

As fotos acima eram com ele arrumadinho (para mandar para uma revista), abaixo dois flagrantes do dia-a-dia. Detalhe para as duas copiadoras que faziam; a chave cair e para a câmera pinhole grandinha que eu descolei. As caixas de madeiras grandes eram resto de uma mudança e coloquei rodinhas para poder mudar as coisas de lugar mais facilmente no lab, dependendo da necessidade.

Mas já na Tabapuã, tinha um outro espaço que ia ganhando importância, veja a pilha de scanners esperando serem desmontados nessa imagem. Detalhe para esse monstro que rodava Windows 98 e para o parassol que eu instalei no monitor.

Mais tarde, no outro ateliê na Rua Tabapuã, esse espaço de experimentação digital mais crescer um pouquinho mais.

O laboratório da Itacema aparece nesse vídeozinho aqui, é bem apertado o espaço, mas dá para ter uma idéia.

Alinhamentos

Há previsão de alinhamento quase perfeito entre Júpiter e Saturno amanhã.

Pensando nisso visitei as imagens de uma viagem à Belém para cobrir o Círio de Nazaré que fiz em 1998. De novo fui buscar as imagens que fiz entre as imagens “oficiais” da cobertura. No meio daquele caos, acho que consegui alinhar algumas coisas.

Inesquecível o fato de que na hora de revelar esses rolos de Neopan 400 eu acabei optando por um tanque grande, daqueles para 8 rolos de 35mm. Enchi o tanque demais e não sobrou espaço para ar. Mesmo fazendo as inversões, o revelador agitou muito pouco e as bordas dos frames ao longo da perfuração do filme receberão mais revelação que o miolo do frame. Quanta asneira. Só resolvi isso razoavelmente quando fiz esses scans e criei um preset do Lightroom com degradês que deram uma maneirada no problema.