As câmeras do Centro Português de Fotografia

Visitei hoje essa exposição permanente do centro.

Várias câmeras de grande formato tinham seus obturadores abertos para permitir que os visitantes pudessem ver as imagens se formando nos vidros despolidos, divertido.

Vitrines e vitrines com câmeras de viagem e câmeras de campo, todas em madeira muito bem conservada.

Uma das primeiras SLR, a Reflex Korelle, muito bacana poder ver isso assim.

Lembra dos instantâneos que fizeram Erich Salomon famoso, foi com uma Ernemann dessas, com essa objetiva Ernostar desenhada pelo Ludwig Bertele.

Uma câmera para separação de cor instantaneamente.

Plastic magic!

Uma cela para ampliadores.

As criação do sr. Arlindo vistas pela Fátima Roque em 2012

Feliz aniversario!
Que você meu amigo querido seja muito, mas muito feliz mesmo, do fundo do coração.
Estou em Portugal depois de uma maratona de NY.
Já tenho uma maquina nova…
Estive no Porto no final de semana e na rua encontrei a Graziela!!!!
Pode?
Tenho que te apresentar um senho em Coimbra que constrói maquinas fotográficas e um grupo em Lisboa que faz arte.
Estou com saudade de todos, Dani, Pedro e Felipe
Diga a Dani que o tal cinto funciona mesmo, mas que os nossos tem florzinhas…
Beijo grande e até o fim de semana
Faró

Era meu aniversário em 2012 e a Fátima Roque me mandou esse email com fotos. Levou uns anos até eu conseguir ir conhecer o Arlindo, mas o resultado está aqui:

Construção de Câmara Digital Artesanal • fotos e timelapse do workshop no Tira Olhos

Viaje pelas 6 horas do workshop em apenas trinta e poucos segundos, veja se a pausa para o almoço não foi perfeitamente cronometrada, rsrsrs

O Alexandre tirou algumas fotos do workshop no domingo passado:

E aqui tem uma imagem que os alunos produziram:

Construção da câmara ULF 16×20″ • Emulsive

Hoje foi publicado no Emulsive um artigo que fiz detalhando a construção da câmara ULF, segue aqui o link: https://emulsive.org/articles/projects/measure-twice-cut-once-building-my-multi-format-8×20-16×20-and-12×16-camera

Começa mais ou menos assim:

I lived most of my life in São Paulo, Brazil, with its 20+ million people. I have photographed São Paulo in many different ways, but ever since I got a box of expired 16×20” lith film I have imagined shooting large landscape negatives with lots of details and contrast, this is a small tale about a camera that came to be as part of this desire.

My story begins a little before my first son, Pedro, was born – he was due in March 2002 and I decided to build him a crib. At that time, I was working in a plant that packed auto parts for export in Tillsonburg, Ontario, Canada. My job was to photograph packaging procedures and make up some instructions for each part that came by.

We also had a woodshop to make trial crates for large parts, the man responsible for this shop was Joe Marshall and we used to talk a lot about travelling and woodworking. He offered to help me with the crib and one day during lunch we went to the outskirts of town to see a lumberjack. I ended up buying a large chunk of maple…

Festival de Fotografia Experimental em Barcelona EXP.20 • Um terreno fértil

Enquanto volto para Braga, vou aproveitar o translado para contar aqui umas coisas sobre esse festival.

Antes de mais nada, se não leu meu post de 20 dias atrás sobre a página de transparência do festival, vale correr lá agora. O resumo é uma galera jovem com idéias simples e com muito pouca grana inventou o festival e compartilhou com todo mundo suas limitações e dificuldades para criar o evento.

Bom, o resultado disso foi um terreno muito fértil para as conversas e discussões. Todo os envolvidos chegaram à Barcelona em pé de igualdade. Os crachás de artistas convidados e participantes pagantes eram idênticos. Cada pessoa ainda ganhava um número no crachá e só havia uma outra pessoa com esse número em todo o festival (46 artistas, 154 participantes, 26 voluntários). Cada um precisava encontrar seu match e a equipe então faria uma polaroid dessa dupla. O jogo ficou apelidado de polaroid tinder e para a coisa funcionar era necessário vencer as barreiras linguísticas e sair conhecendo gente.

Conheci mexicanos, suecos, argentinos, poloneses, ucranianos, norte-americanos, ingleses, alemães, um japonês e inúmeros espanhóis.

Aida Navajas ao encerrar uma mesa de discussão sobre corpo e gênero, deu um tom muito bacana pro festival, pedindo às pessoas que levassem idéias e sensações para casa e que aquilo mudasse sua fotografia e seus experimentos.

Pawel Kula, o inventor da solargrafia, um cara que pesquisa a fotografia dos astros, do céu, me confessou que nunca viu o céu do hemisfério Sul. De repente, nessa rodinha surgiu então um papo sobre tudo que não conhecemos, pouca gente sabia que a Lua fica de ponta-cabeça no hemisfério Sul, que anda pro lado oposto, essas coisas.

Com a Chrystal Cherniwchan, minha colega de mesa sobre fotografia digital experimental, tive uma longa conversa sobre os limites do que o artista deve revelar sobre seus processos, um tema recorrente para mim. Nossa mesa teve poucas perguntas ao final, o festival ganhou um tom muito analógico e talvez nosso assunto rompa com a pureza que tanta gente busca na fotografia com filme.

O workshop com Virginia Dal Magro e Sara Poer foi incrível, algumas idéias muito interessantes sobre sobreposições de processos alternativos.

Ainda tenho que fazer um post só sobre a montagem da exposição, mas com calma. O resto você encontra aqui” https://refotografia.wordpress.com/tag/exp20

Galera curtindo o workshop de câmeras descartáveis da Kate Hook.

Entrada do Centro Cívico Patti Llimona foi o ponto de encontro do pessoal que procurava seu polaroid tinder.

Câmeras obscuras vestíveis do Justin Quinnell do https://pinholephotography.org/

 

O pessoal do E5 Process, um lab comunitário em Londres, organizou uma reunião para estruturar uma rede de laboratórios comunitários pelo mundo.

guilherme maranhão dimitri daniloff and chrystal cherniwchan

Na mesa do sábado, sobre fotografia experimental digital com Dimitri Daniloff e Chrystal Cherniwchan

Workshop da Sara Poer e da Viriginia Dal Magro sobre anthotipia e cianotipia.

Lab do IEFC

Reunião final na capela da universidade onde o IEFC fica localizado, era o único espaço que comportava essa galera.

Saguão do IEFC com a exposição do festival.

Guy Paterson mostrando seus processos.

Festival de Fotografia Experimental em Barcelona EXP.20 • Palestra Marc Lenot

Hoje é o segundo dia do festival e acabo de sair da palestra do Marc Lenot. Ele é um professor que estuda a fotografia experimental. Para conhecer mais dos seus textos você pode acessar o site dele: http://photographie-experimentale.com/

Marc dividiu sua apresentação em três partes principais: estratégias para desconstruir a realidade, estratégias para questionar a fotografia e estratégias para questionar o fotógrafo.

Na segunda parte, questionar a fotografia, ele listou algumas das estratégias mais usadas pelos experimentais, são elas: jogar com a luz, jogar com o tempo, jogar com a química, jogar com a impressão, desconstruir ou reinventar a câmera ou usar o corpo humano como câmera. Exemplos interessantes, me pareceu um grupo bacana de subdivisões para olhar os trabalhos experimentais que conheço por ai.

No final ele falou de motivações, ele trabalhou junto ao pessoal da organização do evento para entender quem eram as pessoas que viriam aqui e leu os manifestos individuais que foram usados para criar um manifesto único que será lançado aqui hoje. Ele listou diversos itens, entre os quais: subversão, aversão ao planejamento, perda de controle, pureza, nostalgia e dar tempo à reflexão. De fato, esses são os temas mais recorrentes nas conversas pelos corredores do festival.

Ele citou Flusser um número de vezes, coisa que é importante nas partes do mundo que o conhecem menos, talvez no Brasil e na Alemanha Flusser seja muito mais conhecido que aqui na Espanha. O fato é que essa distinção que Flusser faz dos funcionários para os fotógrafos experimentais que desvendam o conteúdo da caixa-preta é muito importante para os participantes desse festival. No momento das perguntas, lembrei do professor Wladimir Fontes e perguntei ao Marc se ele achava que chamar um fotógrafo de funcionário seria uma boa ofensa. Marc foi elegante e falou que obedecer regras não é um problema em si enquanto alguém sabe porque está as obedecendo.

 

 

A Mamiya da Petra Costa e os fotolivros da Susana Paiva

Essa quarta vou publicar mais uma entrevista na série Fotografia Portuguesa, com a fotógrafa Susana Paiva que vive em Lisboa. Ela cuida do Photobook Club de Lisboa e lá pelas tantas ela fala de como os fotolivros agradam aos fotógrafos que os produzem, mas nem tanto ao público que o compraria.

Venho pensando nessa relação da fotografia e do vídeo na minha vida. Sim, por conta dessas entrevistas e do que elas podem comunicar, do seu alcance.

Para extrapolar, pensei também que Democracia da Vertigem foi indicado ao Oscar de melhor documentário e os veículos que noticiaram isso usaram a foto de perfil da Petra Costa em que ela posa com uma Mamiya RB67 em Brasília. Tenho certeza que ela deve ter feito umas fotos bacanas de Brasília, mas sem dúvida o alcance do seu trabalho em vídeo na mesma cidade foi muito maior. Consigo imaginar ela voltando a São Paulo e levando os filmes no Gibo para ele revelar e fazer contato. Será que essas imagens impressas poderiam contar para tanta gente que o que aconteceu no Brasil foi golpe?