Solargrafia • de um solstício a outro

Começamos essa solargrafia mais recente no solstício de inverno e agora ficou pronta no solstício de verão:

Alguns detalhes interessantes, como o reflexo do pôr-do-Sol nas janelas do prédio da frente.

E esses clusters de fungos ficaram incríveis!

Linhof Technika II 13x18cm • parte II

Nota: ao longo das minhas pesquisas descobri que estava enganado com relação ao modelo da câmara que eu tenho aqui. As informações sobre Linhof pré-1945 são muito confusas, mas achei alguma coisa aqui. Descobri que tenho mesmo uma Technika II ao invés de uma Standard como me havia sido informado. Corrigi os posts o melhor que pude.

Para revelar as chapas da nova Linhof pensei uma caixa simples como laboratório, já que ainda não disponho de um ambiente que possa ser transformado. Essa também é a opção mais barata.

Tinha um pedaço de compensado que imaginei como base da caixa. Achei duas garrafas grandes de detergente que poderiam ser convertidas em bandejas de revelação (tinas em PT-PT). O papelão veio do lixo reciclável, como as garrafas. A opção seria usar gatorfoam/k-line, mas sairia caro e não sei quanto tempo a umidade da garagem levará para deixar a caixa inutilizável. Bandejas de 13x18cm da marca AP custam entre 3,5 e 5 euros novas, talvez seja um investimento necessário se os filmes começarem a grudar no fundo dessas bandejas improvisadas.

Não tenho água corrente na garagem. Terei que levar a água necessária para o processamento e trazer tudo sujo de volta a cada para lavar. Terei que lavar as chapas em casa também. Cortei uma garrafa maior para fazer um balde onde vou depositar tudo que estiver usado.

Pintei a caixa por dentro e encomendei Rodinal e fixador rápido pelo correio, chegou bem rápido. O vinagre de limpeza veio do supermercado. Ainda falta visitar a loja da Cruz Vermelha e procurar um moletom preto do qual eu tirarei as mangas para instalar na frente da caixa de revelação.

Também cortei um pedaço de acrílico (recuperado de um monitor quebrado) para proteger o vidro despolido dentro da mochila.

Com ajuda de cotonetes, fiz uma super limpeza nos trilhos da parte frontal da Linhof e coloquei graxa nova ali (massa da lítio em PT-PT).

Vou continuar a resolver essas pendências da maneira mais econômica possível e assim que as próximas etapas estiverem concluídas, conto aqui!

Linhof Technika II 13x18cm • parte I

Voltei de Biévres com essa câmara.

Depois da mudança para Portugal tinha ficado sem nenhuma câmara de grande formato e recentemente tinha conseguido trazer do Brasil um pacote que tinha deixado reservado lá. A caixa continha filmes 5×7″ e 13x18cm, chassis para filmes e algumas outras peças para reformar uma futura câmara nesse formato que é o meu predileto.

Vi a câmara no sábado. Após ler esse post aqui sobre ela, bolei um plano de como poderia reformá-la para poder usá-la. Dai no domingo tomei coragem e comprei a dita. Era exatamente o modelo que eu procurava, parecida com as Technikas modernas que eu amo, mas muito mais barata. A necessidade de reforma facilitou a aquisição, mas ao mesmo tempo precisava ter certeza de que tudo que eu ia precisar ou eu já tinha, ou eu conseguiria muito facilmente.

Depois que voltei para Braga, comecei uma limpeza e também a retirada da traseira. Descobri que o ano de fabricação foi 1944.

Uma das peças que eu tinha guardada era uma traseira em madeira da marca Burke & James. Apesar do visual não combinar, o tamanho era perfeito. Usei cola epóxi e alguns parafusos para promover essa nova união.

Com isso feito, comecei a pensar em objetivas. Queria usar a minha G-Claron 150mm com certeza. Tenho uma Aldis de aproximadamente 275mm que também queria poder usar.

De uma tampa de caixa de vinho cortei alguns quadrados com 10,3cm de lado. Fiz chanfros na parte superior e inferior para encaixar na câmara e com uma serra de fio eu cortei os furos em algumas dessas placas.

Depois que as placas estavam secas, comecei a ajustar as objetivas nelas. Acabei fazendo uma placa para uma objetiva Petzval também. E para essas objetivas sem obturador, improvisei um com um pedaço de veludo preto colado num darkslide 9x12cm.

Ainda preciso providenciar um pano preto para poder compor e focar as imagens. E pensar em como processar as chapas. Falo disso tudo em breve.

Feira de Bièvres • Junho de 2022

Desde que ouvi o Wagner Lungov falar dessa feira que fiquei muito curioso. A princípio, a feira acontece todo início de Junho nessa cidade que fica dentro da região metropolitana de Paris. Pela cidade passa a linha C do RER e esse é o jeito mais fácil de chegar lá.

Além de visitar a feira, me interessei também por vender algumas coisinhas. Assim que as inscrições abriram, eu logo reservei o menor espaço disponível.

A feira ocupa o espaço ao redor da prefeitura de Bièvres. É uma área de estacionamento, mas que também pode receber feiras.

Existe opção de reservar um espaço de grama, pura e simplesmente, ou uma mesa com cobertura já montada. Há também espaços para veículos grandes.

Junho costuma ser seco, mas acabou chovendo em ambos os dias. Contei com a ajuda dos meus vizinhos de espaço: Bernard, Jean Paul e Gege. Eles me emprestaram uma mesa e me deram muitos conselhos.

E um pouco de vinho.

O perfil do visitante de sábado é bem comprador, o de domingo é mais turista. Meus itens eram específicos e mais caros, vendi bem no sábado só.

O meu vizinho de fundo tinha lotes e lotes de coisas velhas e de pouco valor, era buffet a quilo de coisas fotográficas. Foi bem nos dois dias. E quando passou a hora do almoço de domingo começou a vender sacos plásticos por 10€ que você podia encher com o que encontrasse. Faltando 30 minutos para encerrar a feira os sacos passaram a ser gratuitos.

Coisas caras são caras em Bièvres, coisas baratas são baratas. Algumas coisas difíceis de encontrar, são fáceis de encontrar em Bièvres. Depois de ter vendido todas minhas câmeras grandes, acabei achando uma Linhof Technika II 13x18cm aqui.

Às margens do Rio São Francisco

Cheguei à Januária de ônibus. A viagem era parte de um projeto mais longo que eu vinha fotografando – uma das vítimas da explosão do Osasco Plaza Shopping havia se mudado para lá e eu achava que umas fotos de como a vida continuava longe de Osasco poderiam valer a pena.

Caminhei da rodoviária para o centrinho da cidade, já perto da margem do rio, achei um hotel bem simples. A diária era R$6 ou R$7 enquanto a coxinha na parada do ônibus era R$3. Tomei um banho, lavei a roupa da viagem, pendurei perto da janela, tirei um cochilo naquela tarde, acordei a roupa estava seca, não era época de chuva.

Sai e tomei uns sorvetes. Fui atrás do José. O Sol queimando. Setembro de 1999.

Descobri uma cidade interessante, conheci umas pessoas inesperadas, ouvi histórias, tomei mais sorvete. Sempre levava duas Nikons. Com uma fotografei a história que eu estava procurando. Com a segunda, fotografei as coisas que eu descobri em filme slide expirado. Anos mais tarde transformei tudo em preto e branco para me ver livre do crossover.

Na ida e na volta fiquei encantado com os buritizais no meio do cerrado.

Fuligem pode virar pigmento?

Passei esse inverno a olhar a lareira e pensar em como fazer um pigmento a partir da fuligem que junta lá dentro.

Com uma espátula e uma forma de aço, coletei um pouco da fuligem para um primeiro experimento. Acho que a base para tinta inkjet pode ser um bom começo.

Achei o site do artista Joseph Besch onde ele explica como ivory black e lamp black são feitos (com detalhes importantes de como reduzir o tamanho das partículas e etc). Mas além disso ela dá ótimas idéias de como afinar o tamanho do pigmento.

Depois um amigo me mandou um vídeo do Borut Peterlin onde ele usa a fuligem da chaminé dele para prints, mas esse é um outro processo (muito bonito e muito interessante, por sinal).

Entupimentos persistem na Epson R3000

Com o passar dos meses fui perdendo canais na Epson R3000, não entendi bem porque, mas o fato é que acabei ficando apenas do 3 canais bons, dos 8 canais que a impressora tem.

Em Junho de 2021 cheguei a mostrar aqui a técnica de limpeza de cabeças chamada “waterfall”. Hoje resolvi repetir essa limpeza, acabei tentando usar uma seringa (sem agulha) para forçar mais líquido através da cabeça e descobri que a cabeção não tem nenhum canal entupido de fato. Ou seja, o problema é antes da tinta chegar à cabeça de impressão.

Nas minhas pesquisas já havia encontrado o blog My900 e lá existem alguns comentários que apontam para o fato de todos os problemas de entupimento das Epson estar de fato ligados aos dampers e não às cabeças.

O topo da cabeça de impressão da Epson R3000, cada pino desses entra em um damper para coletar tinta.

Com as mesma seringa tentei puxar tinta pelos dampers e não vinha nada, exceto dos 3 canais que estão funcionando. Finalmente descobri algo depois de todo esse tempo e isso me colocou uma questão para resolver.

No momento tenho duas impressoras: Epson Stylus Photo 1400 (convertida para carbono com 6 tons, leva os cartuchos na cabeça de impressão e não tem mangueiras nem dampers) e a Epson Stylus Photo R3000 (com tintas reaproveitadas e que está com esses dampers entupidos, mas que pelo visto tem a cabeça OK).

Conjunto de dampers da Epson R3000, cada um serve a duas tintas.

Comecei a pensar no que fazer, já que estava gostando de ter uma impressora p&b com carbono e uma impressora colorida com o meu inkjet improvisado.

Meu plano #1:

Um banho de água morna e limpa-vidro em 3 dampers que saem mais fácil, libero assim 6 canais na R3000. Esvazio a tinta desses 6 canais (6 frascos limpos, uso a seringa para criar vácuo nos tanques bulk e espero a tinta retornar das mangueiras) e faço uma limpeza geral. Transfiro o carbono para a R3000. Depois que estiver tudo OK, começo uma limpeza geral da 1400 e instalo apenas 6 das 10 tintas lá (é um inkset colorido reduzido que será constantemente misturado dentro do cartucho).

Meu plano #2:

Um banho de água morna e limpa-vidro em todos dampers da R3000. Algo me diz que acabarei voltando ao lugar onde estou agora depois de um tempo.

Uns dias mais tarde acabei optando por limpar todos os dampers e esvaziar todas as mangueiras da R3000. Os dampers até limparam bem, mas duas mangueiras estão completamente entupidas (vivid magenta está cheia de tinta de uma ponta a outra, essa tinta é malvada, não dissolve por nada) e outra está parcialmente. Para limpar as mangueiras coloquei uma ponta dentro de um balde com água e usei uma seringa para tirar o ar dos tanques de tinta, funcionou bem para algumas mangueiras. Sobraram 5 canais que eu considerei OK.

Coloquei tinta a base de carbono nos tanques e com uma seringa puxei a tinta até os dampers que estavam limpos, montei tudo de novo. Tentei uns testes, dos 5 canais apenas 2 funcionaram de primeira. Desmontei a cabeça pela enésima vez, puxei tinta de novo, voltei a montar e agora outros dois canais funcionavam ao invés dos primeiros. Nesse dia eu acho que desisti da R3000, que encrenca.

A Epson 1400 continua funcionando bem com o carbono, gostaria de manter outra impressora com cores, mas acho que trocar as tintas de uma para a outra não será nada tranquilo e sinto que acabarei me arrependendo.

Anotações de um fotógrafo experimental • Lançamento

Escrevo para contar que o livro “Anotações de um fotógrafo experimental” já está disponível na plataforma Google Books.

Esse livro é uma coleção das minhas anotações e reflexões sobre diversos processos fotográficos experimentais. Falo bastante de fotografia analógica, mas também discuto processos experimentais na fotografia digital. Não discuto fórmulas de químicos ou faço tutoriais de processos.

Conto desde as histórias de trabalhos mais conhecidos como Travessia ou Pluracidades, e falo também de pequenas reformas que fiz aparelhos diversos. 

O livro está aqui: http://books.google.com/books/about?id=HnVWEAAAQBAJ

Na próxima quarta-feira, vou conversar com o Ricardo Mendes sobre isso:

Clique na imagem, ou siga esse link:
https://www.youtube.com/watch?v=_RjK42WwRCA

Teste • Livro “Anotações de um Fotógrafo Experimental”

ESSE LIVRO JÁ ESTÁ DISPONÍVEL

Estou a trabalhar em maneiras de distribuir o livro “Anotações de um Fotógrafo Experimental”.

Andei tendo uns problemas com superimposição de texto quando converto o livro para ePUB e subo para o KDP da Amazon. Andei explorando a plataforma do Google Books também, esse teste ainda está em andamento.

Um pedra sobre o teclado

Há uns tempos que eu conheci a música da polonesa Hania Rani e me encantei com as suas composições. Num dos vídeos que se pode achar no Youtube, o artista que há em mim percebeu duas coisas peculiares: um tanto de pano enfiado dentro de um dos pianos e uma pedra que ela usa sobre as teclas de um teclado.

Não entendo tanto para saber o porque do pano, suspeito que sirva para abafar o som do piano, modificá-lo. A pedra parece só cumprir o papel de uma mão que ficaria ali parada por mais tempo. São gambiarras ao que tudo indica, um indício de uma certa intimidade com o instrumento.

Imaginei uma série de coisas parecidas que diversos fotógrafos fazem no laboratório, pequenos truques, pequenos macetes. Indício da intimidade dos fotógrafos com o laboratório e os aparelhos contidos nele.

Anos atrás, quando a fotografia digital surgiu, demorou um pouco para ganhar intimidade a ponto de formular novos truques e macetes que servissem apenas para a captura digital. Uma das coisas que me acordou e me possibilitou ganhar mais intimidade foram as leituras dos artigos do prof. Andrew Davidhazy sobre a sua câmara digital improvisada usando um scanner. Uns tantos anos mais tarde, foi uma visita ao ateliê de impressão do Marcos Ribeiro que me ajudou de maneira semelhante com relação à impressão inkjet.

Escrevi bastante sobre esses dois momentos de revelação repentina no meu livro. Está quase pronto, já está quase todo revisto, falta adicionar as legendas das imagens.

Coincidência total, a Hania Rani vem tocar amanhã aqui na cidade e eu vou lá ouvir. É um outro conjunto de músicas, provavelmente sem pano ou pedra, mas conto que será inspirador.