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IV Encontro Pensamento e Reflexão na Fotografia

Começa nessa quinta no MIS em São Paulo. Aqui o site com a programação e etc.

04 PROGRAMACAO ELECTRONICOParticiparei na mesa da sexta-feira às 16h30 com Leticia Ramos e Dirceu Maués.

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EBEFI e Fotografar

Abril se aproxima com vários eventos fotográficos.

No EBEFI – Encontro Brasileiro de Economia da Foto e Imagem os assuntos de destaque são Economia Criativa, Experiência em Feiras de Arte, Livros e Exposições e Do Desenho do Projeto ao Gargalo da Captação. Vale a pena conferir os palestrantes do EBEFI.

O evento rola em 12 e 13 de Abril no Teatro Frei Caneca, paralelo à feira Fotografar e vale checar no site da Feira os eventos paralelos também.

No Congresso Fotografar, na Super Terça, dia 12 de Abril, a Dani vai falar para o público de casamento, mas já esgotoram as vagas para esse evento!

Atenção! Os organizadores do EBEFI me deram 5 convites para os 2 dias do encontro para sortear!!!! Siiim!!!! Pra participar do sorteio deixe um comentário nesse post!!!!

A Invenção de Um Mundo

A Invenção de Um Mundo, no Itaú Cultural: exposição e debates, imperdível.

Ontem, quando Ronaldo Entler comentou as fotografias de Valérie Belin, me perguntei: o que será a cópia de uma cópia que não deu certo? Temo em descrever o assunto das fotografias dela aqui, não sei se seria capaz, mas são essas aqui. Os fotografados são cópias de algo que Entler caracterizou um original que não é, e colocou uma observação: se acaso o original estivesse ali, seria ele prontamente descoberto como tal? A palestra de Fontcuberta encerrou com uma fala sobre a possibilidade das fotografias dele agirem como uma vacina, criando anticorpos nos olhos. Mentira e verdade. Cheguei em casa, olhei para uma pedra, um presente que ganhei há muitos anos, nela uma palavra escrita: believe. Imediatamente pensei naquela série de tv que virou filme.

Mas o fato por trás de todos os questionamentos que surgiram foi o pensar. Como observador dessas imagens fui ativado, lembrando a fala de Rosângela Rennó em Paraty que comentei aqui. O anticorpo contra a mentira que Fontcuberta descreve é o ruído de Rennó, de certa maneira. Voltei para casa pensando nisso. No ônibus as imagens passavam pela janela, eu imaginava a exposição de Walker Evans que eu tinha acabado de ver no MASP. Na época em que essas fotografias foram feitas, o olhar aguçado de Evans talvez fosse suficiente para fazer surgir um braço invisível que saísse de dentro da fotografia e chacoalhasse a cabeça do observador. Infelizmente nossa percepção saturada nos impede de sermos sensíveis a esse braço invisível hoje, me parece. Hoje esbarramos nas poeiras que jazem ali, nas cópias vintage, esbarramos no contraste suave demais, será? Fontcuberta mesmo diz que suas fotografias são muito simples no fazer, a construção está no discurso, ali ele coloca um ruído muito intenso, que não passa despercebido mesmo meio a toda essa saturação. Aerofantes!!?!?!? Hahaha Erectus pseudospinosus!?!?!?!? Hahaha Um gênio!

Paraty Em Foco 2009

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Paraty Em Foco foi super interessante. O evento continua um sucesso. Quando chegamos quarta-feira a cidade ainda guardava um certa calma e tranquilidade. Na medida em que o sábado se aproximava, vi mais e mais pessoas com suas câmaras lotando as ruas da cidade.

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Momentos muito bons: entrevista com Francesco Zizola onde se falou de estética e conteúdo na fotografia, sobre Photoshop, Flickr e outros; papo aberto com Diógenes Moura, super informal e direto ao ponto lá no Cinema Velho, franco, aberto, inspirador; entrevista com Rosângela Rennó, instigante; pode entrar no trailer do Cidade Invertida e ver a Matriz de ponta-cabeça; fotos noturnas no caís de Paraty; reencontrar amigos e ficar de papo-fotográfico-nonstop.

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Já falei disso aqui na época do Campus Party. É a questão do que se deve levar a um encontro desses. Como o encontro era em Paraty ninguém esqueceu de levar câmara fotográfica, o encontro funcionou como uma grande saída fotográfica. Mas isso é um lance individual, ou seja, cada um aproveita isso só, não há muita discussão e conversa na hora de fotografar entre colegas. No âmbito do encontro, do festival, se presume que as pessoas estão indo lá também para conversar sobre fotografia. As entrevistas, palestras, projeções são pontos de partida para essas conversas. O outro ponto de partida são os trabalhos dos próprios fotógrafos que estão indo ao encontro. E ai, eu imagino que o mínimo que se deve levar a um encontro é uma pequena pilha de fotos impressas ou um laptop com imagens eletrônicas. Isso é o mínimo. Assim, quem quer que você encontre terá a possibilidade de ver o que você anda fazendo. O programa do festival tinha um guia de sugestões que incluia algumas sobre isso, inclusive algumas noções de etiqueta para encontros do gênero, vale a pena ler no site do Paraty Em Foco. Na verdade esse é o motivo básico com encontro, para que essas informações passem a diante, para outros saibam o que você anda fazendo fotograficamente. Foi bacana porque o pessoal da Emporium montou um bureau de impressão no meio do encontro, o que gerou uma exposição coletiva caótica dos participantes que lá levaram fotos para serem impressas. Esse foi um jeito bacana de promover esse conhecimento do que se faz ali ao seu lado. No meu caso, eu levei para Paraty um monte de idéias que eu queria discutir, perguntas, levei também um boneco de um livro que eu estou preparando que eu mostrei para quem tive a oportunidade de encontrar com calma lá. A proposta de dar uma aula experimental por lá no fim ficou abalada pela correria que é participar do festival em si.

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Já no fim da entrevista com a Rosângela Rennó alguém perguntou para ela porque ela havia matado aquelas câmaras (as do projeto Última Foto). Para quem não sabe ela emprestou a 42 fotógrafos câmaras que ela adquiriu de feirinhas de antiguidades para que eles fizessem a última foto daquela câmara e depois pintou as lentes das câmaras de preto. Muito se falou da felicidade ou da infelicidade das perguntas realizadas durante as entrevistas e palestras. Essa também causou. Mas a resposta foi muito interessante e abriu uma fala por parte da artista que me interessou bastante. Ela explicou que essas câmaras tinham deixado de ser objetos esquecidos nas feirinhas e passaram a ter uma vida especial dentro de museus. Que o valor delas ali, com as lentes pintadas era cada vez maior, pela transformação que elas poderiam causar nos observadores delas ali, pintadas e expostas. Dai ela explicou o mecanismo que age dessa forma, onde esse pensamento se apóia. “O ruído é que ativa o observador.” Pirei. Acho que essa argumentação é tão importante. Fez um sentido enorme ouvir isso ali.

Slideluck Potshow

O Slideluck Potshow foi uma experiência interessante, mas confesso que não fiquei até o fim. Vi trabalhos muito bons, curti Aline Yoshida e Gui Mohallem. Uma pena que outros fotógrafos legais que ali mostraram suas fotos não consigam ser mais objetivos na edição de suas imagens. Às vezes um trabalho começava super legal, de repente uma foto levava embora todo o significado que vinha sendo construído. Outros trabalhos simplesmente não respeitavam o que o próprio site do projeto pedia como inscrições para o evento. Outros apresentaram simples coleções de imagens, que quando muito eram correlacionadas pela técnica utilizada na sua produção, às vezes nem isso. E em outros a música ia numa direção e as imagens não acompanhavam (a julgar pelo trailer do filme nacional Fim da Linha essas dificuldades não são exclusivas dos fotógrafos).

Imagens são mais subjetivas que palavras. No entanto tanto palavras como imagens tem um significado, sendo o das imagens menos tangível. Acho que o significado das imagens é o principal fator na colocação de uma imagem dentro de uma sequência, logo vejo um esforço grande para criar sequências de imagens que funcionem juntas, ao contrário de um simples agrupamento qualquer.

Grupo de estudos e Skype

Temos tentado reunir uns amigos aqui em casa para por algum papo fotográfico em dia, chamamos isso de grupo de estudos, mas pode ser algo próximo a um núcleo de produção, ou só um bate-papo despretencioso. Nosso intuito: não ficarmos parados, fazer mover as idéias.

Foi sensacional e emocionante.  No encontro de hoje graças ao Skype tivemos a participação de um amigo de Belo Horizonte, veja que estamos em São Paulo. E foi com vídeo! Ou seja, ele ainda pode apreciar as fotos que colocávamos na mesa e discutí-las conosco em tempo real.

Realmente aproveitamos a tecnologia.

Leituras de Portfolio

Fui levar Pluracidades para as leituras de portfolio no Forum. Vinte minutos é pouco tempo para uma conversa profunda, às vezes o que vale é ter o trabalho visto por alguém novo, não necessariamente ouvir opiniões formadas rapidamente. Mas o fato é que alguma pessoas gostam do risco de falar sobre um trabalho que nunca viram para alguém que não conhecem em 20 minutos. O resultado deles assumirem esse risco é quase sempre bom, mas quem ouve deve saber separar idéias muito distantes de outras mais pertinentes, e tentar aproveitar isso ao máximo. Em Houston em 2000, no primeiro dia do FotoFest, vi o inglês Mark Sealy por uma fotógrafa argentina a chorar em 20 minutos. Minha leitura era a próxima na fila dele, fui esperando toda a maldade do mundo. No fim das contas, Mark é um cara sincero e não esconde o que pensa, ele falou coisas em tom muito ríspido comigo, coisas sérias, as mesas ao lado pararam seus trabalhos esperando ver outra pessoa chorar e foi por pouco, mas descobri que ali (na fala dele) tinha um desejo enorme de ver meu trabalho desabrochar. Segui fotografando.