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Processos Fotográficos • perdas e ganhos

Recentemente durante uma entrevista do Foco Crítico (programa que apresento com Fausto Chermont) surgiu o assunto das perdas dos processos fotográficos. Falávamos com Ralph Gibson e ele contava da impressão de seu primeiro livro: http://www.ralphgibson.com/1970-somnambulist.html

A história que ele contou era de quanto ele teve que aprender e investigar sobre os processos de litografia naquela época e procurar pessoas que o atendessem para que ao invés de perder no processo de impressão e acabasse ganhando algo novo e inesperado. Nasceu ali um longo relacionamento dele com os livros.

No início do ano de 2015 queria preparar duas imagens da série Ser Cor e Ser Rio para uma feira. Mandei os dois arquivos para o Lucio Libanori, da Gicleria, imprimir e montar. O Lucio alertou para possíveis problemas de gamut. O arquivo dessa série é produzido em um software antigo, sem CMS, mas que é o que permite criar esse tipo de imagem, assim toda espalhada pelo ambiente do RGB.

Fomos adiante e fizemos as cópias, o trabalho realmente perdeu alguma coisa, algo que provavelmente é imperceptível. No entanto, nenhum método de impressão atual poderia resolver o problema.

O Lucio fez um vídeo de tela enquanto ele comparava os gamuts da imagem e da impressora dele, antecipando as perdas em todas as direções.

Confesso que me bateu um orgulho de ter conseguido criar um arquivo tão complicado e uma tristeza ao encontrar as limitações do processo.

Fotolivros: Soluções Alternativas e Bricolagem 

Hoje se encerra essa oficina no Sesc Vila Mariana, a proposta era promover a experimentação com materiais diversos na produção de fotolivros únicos. 

  
Rolou desde reaproveitar livros e catálogos e inserir materiais diferentes até pensar em dobraduras diferentes para montar as estruturas. 

  
Recortar e colar sempre divertido!

Tokyo • Komiyama

Essa livraria é sensacional! Livros usados, livros raros, cópias emolduradas, uma loucura. Térreo e quarto andar são só sobre fotografia.  

Numa vitrine do quarto andar a primeira edição de Les Amèricains de Robert Frank, entre outros. 

  

 

O site deles está http://www.book-komiyama.co.jp/english.php

 

 

Prêmio Marc Ferrez • impressão do livro

Nessa última segunda-feira passei a noite na Ipsis vendo a impressão do meu primeiro livro.

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Quando fui chamado o primeiro caderno já estava acertado e as primeiras provas sobre a mesa. O cheiro de tinta tomava o ar, o barulho de todas as outras máquinas invadia os ouvidos. Emoção.

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A noite avançou e mais e mais páginas foram surgindo. A consistência do tratamento foi ficando clara, fiquei feliz.

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Aos poucos tive uma aula sobre todos os avanços tecnológicos dos últimos 20 anos na indústria gráfica, ou seja, desde a última vez que visitei uma.

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Agora é aguardar a cura da tinta e todos os processos posteriores.

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ISPR

O décimo primeiro post desse blog era sobre um pequeno livro. Um livro inspirado em alguns relatórios chamados de Improper Shipment Procedure Records.

Naquela época eu procurava uma impressora laser meio baleada para voltar a fazer esses trabalhos. Fiz esses livros enquanto fotografava peças metálicas que chegavam enferrujadas em uma fábrica. Cada foto mostra um defeito. O livro virou ISPR.

Pequenos Livros e Pequenas Tiragens

Em Flusser temos o seguinte:

“Capítulo 6 – A Distribuição da Fotografia

As características que distinguem a fotografia das demais imagens técnicas se revelam ao considerarmos como são distribuídas. As fotografias são superfícies imóveis e mudas que esperam, pacientemente, serem distribuídas pelo processo de multiplicação ao infinito. São folhas. Podem passar de mão em mão, não precisam de aparelhos técnicos para serem distribuídas. Podem ser guardadas em gavetas, não exigem memórias sofisticadas para seu armazenamento.”

E por isso hoje começa uma outra oficina. Vai ser no Pompéia, sobre pequenos livros em pequenas tiragens.